segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Apatia

Interessante como as coisas são: até algumas horas atrás eu estava escrevendo o que deveria ser o post deste fim de semana (na real, já é segunda feita, mas enfim) e agora estou aqui, escrevendo algo completamente diferente, mas que darei um jeito de juntar os dois.

Creio que há mais de dois anos desde que conheci Katawa Shoujo, num blog que sequer não existe mais, do Amer (Nota tardia: ele re-postou o texto aqui). Descobri hoje, segunda feira, que o jogo completo foi lançado agora em Janeiro e, bem, admito que não esperava. E ler todos os posts acerca do lançamento (e do pós-lançamento) do mesmo me fizeram pensar em algumas coisas, e que agora nomeiam este post.

KS é um daqueles jogos em que você tem como objetivo conseguir uma garota. A diferença é que, além de não ser um jogo mal feito, os personagens realmente contam. Você joga com o Hisao, que tem problema no coração, e as garotas, Hanako (minha favorita, diga-se de passagem), Lilly, Rin, Shizune e Emi tem, respectivamente, queimaduras de terceiro grau, cegueira, braços amputados (ter braços amputados é meio errado...), surdez e pernas amputadas (ver parênteses anterior). Não espere clichês, e essa é a questão, finalmente algo (e incrivelmente é um jogo) que mostrou as coisas como elas devem ser: normais.

Desde que me entendo por gente (e isso já tem um bom tempo até), "pena" sempre me pareceu errado, e sim, passei horas da minha vida pensando nisso. Cenas como "nossa, olha que bonitinho o casal de idosos alí na praça" me são, pessoalmente, insuportáveis, e caso vocês procurem os arquivos do blog, dificilmente encontrarão a palavra "pena" e nem nada relativo. 

Não pense que o jogo é algo como "ser babaca com as deficientes como seria babaca com qualquer outra mulher", e sim, essa é a parte clichê da coisa, mas clichê como situação e não para o tipo de jogo: os personagens importam. As pessoas alí importam.

Me é, neste momento, algo mais mecânico escrever este post do que pensei que seria assim ao re-logar no Blogger, e talvez esse seja o grande problema do blog no fim das contas: o padrão. Os ponts são de um determinado jeito, por determinados motivos e bem, não mais. 

Ficar sabendo que esse jogo saiu agora me fez pensar acerca de todo o cenário que envolve a parte "internética" da minha vida, e devo isso, principalmente, ao Aura, o escritor-chefe de KS. Da mesma forma que me é fácil e, devo dizer, gratificante, escrever escrever no Bacon, me é penoso escrever aqui... e só agora me toquei do quanto "me é" já usei este post. Sinceramente, é um tanto perturbador pensar que um jogo que eu mal joguei e alguns posts de alguém que só existe pela metade já geraram sete parágrafos. Sete parágrafos completamente fora do padrão disso aqui, e que me deixam mais satisfeito que outros tantos que já escrevi aqui no blog.

Você pode estar se perguntando agora se KS ainda faz o que esse tipo de jogo faz, e a resposta é sim, você pode comer qualquer uma das cinco no jogo, e claro, isso é divertido também, mas não é o principal. Não agora e não aqui pelo menos. Eu compraria. Simples assim: eu compraria o jogo e não me importaria com o preço, independente de qual fosse, fosse em dinheiro fosse em, sei lá, almas. Eu pararia na encruzilha, diria Beetlejuice três vezes e todo o resto.

E tal como fica o nada depois de KS, fica o nada aqui no blog, e acabou por ficar no Crepúsculo. Como meus posts lá eram legais... foi um período relativamente ruim quando eu escrevia para lá também, porque cuidar de posts para 3 blogs é um saco... eram 5 posts por semana, e um era, como vocês bem sabem, gigantesco.

Creio que seja um grande talento gostar da internet. Quero dizer, nos primeiros anos as coisas são incríveis: as redes sociais, horas no MSN, bilhares de coisas novas a cada dia, enfim, o vício. Mas o tempo é realmente interessante, e com o passar do tempo, as redes sociais tem as mesmas pessoas, são as mesmas conversas no MSN, os menos tópicos, assuntos, blogs, sites... as mesmas coisas, com uma cara mais bonita. Claro, a internet é gigantesca, e se você realmente quiser encontrar coisas novas, você sempre pode apelar para os sites, fóruns e plataformas que não estão nos indexadores de pesquisa, mas provavelmente será material ilegal... mas não necessariamente menos divertido.

Já tem um certo tempo que, para mim, a internet é só a internet. Sim, admito que já vi/fiz/baixei/etc. coisas consideradas ilegais, imorais, estranhas, repugnantes e toda uma sorte de adjetivos do tipo, do mesmo modo que seus opostos também são válidos, mas isso faz tempo. É um tanto quanto estéril fazer a ronda em sites, blogs e portais agora... uns morreram, outros definham e uns poucos se mantém, mas com ajuda de aparelhos.

A falta de assunto, de inspiração, tempo ou qualquer que seja a questão parece um tanto quanto pequena se comparada com o perfil geral: o que o autor (ou autores) passam durante esse tempo. Cria-se um "local" para se morar, chamar a galera para ver e, de vez em quando, mudar uma coisa ou outra, mas sem dinheiro, saco, tempo e tantas outras coisas, móveis novos, festas e reformas ficam fora de cogitação. O Crepúsculo morreu tantas vezes, e renasceu... o Bacon parou na borda do precipício uma centena de vezes... o blog aqui só dava sinais de vida através daquela linha verde que faz "bip". E assim é com praticamente todos os outros que conheço... já perdi a conta de quantos deles parei de ler, pelos mais diversos motivos: enterrados, sem direito à flor em cima do túmulo, igual à internet... pelo menos nos âmbitos dentro da lei... interessantemente, vários deles tem alguma relação com o Japão.

KS termina "aqui". Sem continuações, spin-offs e todo o resto... a internet continua, a vida continua e o blog também. Sinceramente, este é um fim, ao menos para mim e para (por assim dizer) minha internet. Não sei o que vem à seguir, e nem quero saber... é aquele momento divertido em que se deve escolher por uma certeza brochante ou a incerteza massacrante. Sei, por mim, que não terei pena de tomar alguma decisão (E sei que cedo ou tarde terei de toma-la), a questão é que não quero pena por ter de amputar braços e pernas do blog, cegá-lo, explodir-lhe os tímpanos, queimá-lo e, por fim, bombardeá-lo com radiação: é, pelo menos vendo daqui, necessário, e de um jeito um tanto quanto... "tabuístico" e (por que não?) romantizado, dá certo... com problemas no meio, obviamente, mas que funciona. Um tratamento, eficaz se seguido, mas que vai pra vida toda.

E o mesmo vale, talvez em menor escala, para o Bacon e o Crepúsculo. O Bacon realmente me dá bastante trabalho, e seria um tanto quanto mais fácil sem ele, mas nunca me pareceu uma escolha sair... não agora, nem num futuro próximo ao menos. Já no Crepúsculo, ainda tenho uma coisinha ou outra para fazer, e que realmente quero fazer, mas nada permanente, apenas terminar realmente as coisas por lá. Não nego: tudo seria muito mais fácil sem qualquer blog, mas, seja por teimosia ou masoquismo, isso fica para depois.

É interessante como tudo num blog acaba por girar acerca do plano-de-fundo do autor... pode parecer óbvio falar, mas como eu disse, o blog nasce por uma junção de situações, se desenvolve (signifique isso "crescer" ou não) e morre, por outros motivos. Por fim, são feitos DE pessoas, e as situações criadas por elas criam posts. O Bacon surgiu da falta de servidores, o Crepúsculo de um translado de ônibus. Este post aqui surgiu porque um cara supostamente quis estuprar uma criança vítima de acidente, o que mais falar disso, senão "borboleta"?

Não sei quanto mais o blog dura, e ainda que seja "de mau" comigo, acaba. Também não sei o quanto o Bacon dura e nem o Crepúsculo, mas acho que no primeiro ficarei até o fim, e torço para conseguir terminar minha parte do Crepúsculo antes do Turambar terminar a dele. Sei que pode parecer tudo uma questão de nostalgia ou até mesmo de saudosismo, mas garanto que não há sequer saudade aqui, muito menos arrependimento, só a tela, pintada com tinta sem textura, cheio ou cor... em branco e preto tudo fica mais legal.

Joguarei Katawa Shoujo até não poder mais, farei todas as possibilidades de final, comerei todas elas e botarei a trilha sonora no celular. Farei todos os posts que precisar, aqui, no Bacon, no Crepúsculo e, talvez, no que quer que surja no futuro (mas não é um "talvez" promissor), e depois fica para depois (num clichê horrível). Um post me "ensinou isso", de um cara (se é que é um cara) de sabe-se lá onde no mundo, gerou um dos melhores posts que jamais fiz e jamais farei, bem como uma decisão, mínima, que, feliz ou infelizmente, poderão alterar a vida de outras pessoas em outras partes do mundo.

Era para esse post acabar no parágrafo anterior... a última parte ficou maior do que achei que ficaria, e isso meio que tirou a graça. Pode ser que as coisas em relação aos blogs acabe totalmente diferente do que todo mundo acha que pode acabar, e isso vale para este blog também. Pode ser que tudo e todos sejam totalmente diferentes do que são agora, mas na realidade nem importa. Um post, um jogo, vinte e uma pessoas... tenho que ir, Hanako e todas as outras me esperam.

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