sábado, 7 de janeiro de 2012

Lock and Load

Após três meses do início dos ataques, as poucas vítimas que escaparam começam a mostrar sinais de recuperação. "É um processo lento, difícil e doloro" explica o doutor em traumatologia do hospital, e, ainda segundo ele, se as vítimas continuarem mostrando melhoras, dentro de três semanas poderão sair da UTI. Apesar disso, a equipe de médicos não apresenta esperança em relação à ultima vítima encontrada com vida, o pastor Josué Silva.

Como noticiamos semana passada, uma das criaturas foi ferida ao atacar um morador local, que veio à falecer na ambulância. Amostras retiradas das unhas da vítima revelam que a "Criatura", como é chamada popularmente, posui escamas, sendo, entretanto, completamente diferente de espécies já conhecidas. Nosso consultor, o PhD Cornelius Oliveira, diz crer que esta pode ser uma espécie completamente nova, e que pode acabar mudando os rumos atuais da ciência. "Quem sabe de onde surgiu esse animal? Pode ser um caso completamente novo, mas pode ser um caso em que uma espécie, dada como extinta, seja redescoberta" completa o professor.

Segundo os relatórios oficiais da Equipe Tática, nenhuma das Criaturas foi encontrada, mas vestígios foram encontrados nas matas que circulam a comunidade. Ainda de acordo com os relatórios, nenhum novo ataque foi registrado nas últimas duas semanas, o que surpreende à todos, devido à frequência em que os ataques ocorriam. Apesar disso, os poucos moradores locais que falavam conosco sobre o caso decidiram não mais fazer comentários, o que, segundo conspiracionistas, é um sinal de que a situação está piorando. Procuramos o Ministro, mas ele não quis comentar tais afirmações.

Segundo o estudioso em política nacional e coronel da Força Aérea, Carlos Albuquerque, o governo pode enfrentar uma grave crise política se não resolver logo estes casos. Afirma ainda que caso os ataques voltem a ocorrer, o Presidente deve decretar calamidade pública e recorrer ao Estado de Sítio, com intervenção militar na área. Uma última medida, segundo ele, seria o ataque aéreo e interdição de um raio de até 10 quilômetros em volta da mata nativa.

Apesar do crescente mistério em cima do caso, a população parece mais confiante de que o governo irá encontrar uma resolução para todo o problema. Segundo um censo divulgado no início da semana, cerca de 47% da população nacional considera as operações efetivas e importantes para a manutenção da paz nos locais dos ataques, sendo que apenas 13% da população acha que as equipes deveriam ser retiradas e a ocupação encerrada.

Não se sabe muito sobre a situação diária na comunidade, mas através de informantes e cinegrafistas amadores toda a bora da mata é vigiada pela população, que, por conta própria, criou um toque de recolher, às sete da noite, mesmo durante os finais de semana. Um cordão de isolamento policial é feito durante à noite, mas não são raros os rumores de que muitas famílias já se mudaram do local. Em um comentário extra-oficial, o encarregado das operação afirmou que as medidas de segurança devem ser intensificadas nos próximos dias.

Em nossa última visita à comunidade, mais de um mês atrás, pudemos verificar que muitos dos moradores estão procurando meios próprios de se defenderem: o tráfico de armas teve um aumento de quase 16% na região, fato que também preocupa a polícia."Um confronto entre as forças armadas e a população civil é exatamente o cenário que forçaria uma medida mais radical" afirma Albuquerque. Campanhas civis de arrecadação de roupas, comida e produtos de higiene pessoal já somam mais de 75 tolenadas de produtos, que devem ser entregues até o próximo mês. A polícia irá fazer uma vistoria nas doações à procura de drogas e armas, e já afirmou que não há data marcada para a desocupação do local.
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