sábado, 31 de março de 2012

Canos e garras

Dia 3 de isolamento. Cremos que invadiram o sexto e o sétimo andar, então não realizamos mais nenhuma busca no prédio. As pancadas na porta pararam nas últimas horas... não sabemos quanto mais elas aguentariam... Rafael não voltou. A última vez que vimos o resgate foi há cinco dias atrás... devíamos ter ido com eles, a cidade será bombardeada em pouco tempo. Não recebemos nenhum contato há quase uma samana: telefones, internet e sinais de satélite não funcionam... ninguém responde no rádio. Thales, Carlos e eu reforçamos as portas hoje cedo, mas não temos material o suficiente para as janelas, preparamos uma barricada com os mesas... ao menos temos como passar o tempo... a máquina de lanches está quase vazia, a de refrigerante está pela metade. Até a tarde de hoje esperamos acabar a sinalização no telhado, as faixas já estão penduradas. Felizmente ainda temos água e energia, o que é estranho, já deveriam ter desligado o forneci... voltaram a bater nas portas, as dobradiças estão quase cedendo, vão entr
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sábado, 24 de março de 2012

Sinos soando ao longe

Imaginemos por um momento que o inferno é um mundo próprio, que cada um cria para si mesmo, que nem naquele filme com o Robin Willians (só que lá é o céu). No céu, você tem o que quiser, o que gostar, então o inferno deve ser o contrário, tendo tudo que você odeia, e que não tem controle nenhum sobre isso. O meu decididamente seria uma metróple.

Talvez São Paulo, com um pouco de Nova Iorque e Tóquio. Luzes, cartazes, barulho e gente. Muita gente mesmo. Creio que não haveria árvore nenhuma, nem mato ou qualquer coisa viva além de pessoas... talvez ainda houvesse os troncos cortados das árvores nas calçadas. Semáforos, bueiros, lixos... talvez parecesse um pouco com Gotham City, antes do Batman. Seria uma daquelas cidades em que não se vê o céu, apenas uma camada cinza: cinza escuro à noite, cinza claro de dia e nada de chuva. Poças, áreas alagadas e bueiros entupidos sim, mas chuva propriamente dita não.

É claro que o trânsito seria infernal. Filas para absolutamente tudo, menos para os banheiros, estes não existiriam. Não sei decidir se não faltaria energia nunca, ou se blackouts seriam constantes, não que energia real fosse necessária. As pessoas, é claro, não seriam todas iguais, mas seriam divididas em estereótipos, e tal como os banheiros, não-estereótipos não existiriam. Decididamente um deles seriam os que andam com celular sem fone no ônibus, e os limpadores de para brisa... Aliás, não que tudo fosse caro, mas dinheiro seria algo constante.

Eu com certeza não teria carro nem nada do tipo: à pé e de pé, sempre. Creio que seria como uma grande vitrine interativa: você não pode, por exemplo, usar um computador ou interagir com as pessoas, mas pode ser jogado de um prédio e "ser interagido" por pessoas. Aliás, "grande" é algo importante: muito, mas muito grande, e muito alta... pelo menos tempo não é um problema, mesmo que eu estivesse constantemente atrasado, ainda teria todo o tempo do mundo para me atrasar.

Também não sei decidir se o mundo todo seria apenas a cidade ou se haveriam outros "lugares", tal como desertos, calabouços, vulcões, catacumbas e coisas assim: por um lado, essas coisas seriam bem legais, e mudariam a "rotina", o que seria bom para mim, logo, é inaceitável no inferno, mas por outro lado, são ótimos lugares para fazer você sofrer... Creio que muitas coisas, caso parasse para pensar, entrariam nessa dúvida também. De qualquer forma, florestas, lagos, montanhas e todo o resto "do campo", com certeza não existiriam, ou (de novo), estariam destruídos... talvez para fazer lenha, depósito de lixo e mineiração.

Algo interessante de se notar é que você não morreria. Sim, eu sei que é óbvio, mas dentre as muitas formas de sofrimento, devemos adimitir que o sofrimento físico tem um lugar de destaque, portanto "acidentes" seriam realmente comuns. Ok, você pode reduzir uma pessoa à uma pasta de carne e sangue, mas depois tem que "remontá-la", para que a brincadeira possa continuar: é quase como ser imortal. Pensando em forma, creio que eu ainda seria eu... me odeio o suficiente para permanecer igual no inferno.

Voltando ao assunto "pessoas", não só de modelos randômicos se faz o inferno. Claro, aquela mistura de funkeiros, gangues, gente de abadá, tios do pavê, executivos apressados, maconheiros, manos, playboys, cariocas e posers continuaria, mas há alguns "cargos" de destaque: os demônios e as pessoas que você odeia especialmente. Não sei se vocês sabem, mas há toda uma hierarquia, tanto no céu quanto no inferno, e tal como anjos da guarda, devem haver demônios com função semelhante. Não que um dos grandes, como Baphomet ou Amon, fosse se dar ao trabalho de cuidar de almas sem importância, mas ordens (bem) menores teriam esse trabalho, e porra, quando se pode ser o que quiser, você não vai ter a forma de uma pessoa qualquer.

Pessoas são muito boas em produzir coisas, mas claro que papel alumínio e telefones não seriam produzidos no inferno. Não, me refiro à lixo, excrementos, sujeira, poluição e coisas do tipo. As calçadas seriam como corredores, uma faixa livre, com duas montanhas de lixo, uma de cada lado, além do cheiro e da constante sensação de pisar em cocô (o que de fato estaria acontecendo), ainda adiciono o constante barulho de buzinas e obras, além de fumaça. E, claro, todos fumariam. Muito e o tempo todo... além da bebida, um verdadeiro duelo entre a nicotina e o álcool.

Como já deve ter ficado claro, eu sou completamente anormal e filho da puta, logo, apesar do trânsito, da sujeira e das torturas, o inferno seria impressionantemente calmo. Não sei se "calmo" é a melhor palavra, mas seria bem "certinho", sem acidentes (de todos os tipos), brigas e tudo mais. Claro, se estes fossem um meio de me torturar ok (ao menos no seu inferno você pode ser egocêntrico sem culpa), mas de resto, seria realmente... pacato, chato. Barulhento sim, mas organizado, e, um tanto quanto simplório.

Indo, porém, para o imaginário clássico do inferno, com chamas, lava, gritos e afins, acho que essa é a "fórmula base", ou seja, o padrão seja esse, mas o inferno se molda para cada um, não para ficar mais complicado ou menos pior, mas justamente para intensificar o pesar de cada um. Talvez, na forma padrão, todo o sofrimento, a tortura e o caos fique mais na cara, com almas queimando pela eternidade e os gritos de terror ecoando, mas porra, tem gente que gosta disso... e isso é inaceitável. O ponto de ter um inferno só seu não é dar mais trabalho para o capeta, mas justamente te foder melhor... um filme pornô, onde o gozo é ácido... e acabo de pensar no acasalamento dos Aliens... mas enfim.

A questão é essa: você faz seu inferno. E não, não estou usando como uma metáfora para os problemas da vida. Imagine absolutamente tudo e todos que você odeia, num único local, com a única função de te tornar o mais miserável possível, pelo resto da eternidade. São desde as coisas mais simples, como cair pasta de dente na sua roupa, até males literalmente inimagináveis, que fazem, sei lá, genocídios parecerem fichinhas. O meu tem gente fumando dentro de bares de quinta, o de vocês pode ser um mundo cheio de árvores e animais (nesse caso, feche este blog imediatamente), mas independentemente de como seja, sempre haverá mais coisas para adicionar... assim como neste post.

Uma grande cidade, cheia de gente, sem nada para amenizar a opressão urbana. Sim, clichê, falando desse jeito, mas não deixa de ser verdade por isso. É, ao menos para mim, interessante esse... "exercício". Pesando agora, pareceria um tanto quanto o cenário de Constantine (o filme que todos os que leem a HQ reclamam), só que pior... e se já é pior agora, quando for para valer, vai ser realmente (com trocadilho infame) um inferno. E este seria apenas um, o meu, dentre bilhões e bilhões de outros infernos, um pior que o outro, dependendo apenas do ponto de vista... e de quanto atenção você chamou (se é que entendem).

Tem pessoas que dizem que o inferno é quente, tem as que dizem que o inferno não existe e tem as que dizem que estamos todos no inferno, só não sabemos ainda. Seja como for, ele depende de você... tal como o mundo dos sonhos, o céu ou sua própria mente. Se você nunca ganhou nada na vida, parabéns, pelo menos depois de morto você mudou isso, e milhões de coisas estão reservadas só para você, então não seja humilde, você provavelmente merece todas elas... mas vai que você vai para o céu?
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domingo, 18 de março de 2012

Run to the Hills

Hoje, depois de quatro dias de cerco, finalmente as criaturas conseguiram entrar na nossa sede, porém ainda não passaram do terceiro andar graças às portas contra incêndios. Nossa equipe que ainda permanece no local, cerca de doze profissionais, garante que estão em segurança, mas forças militares já foram destacadas para efetuar o resgate. Nesta manhã, a equipe mandou um novo cominicado, alertando a população para que não saia de casa, tranque portas e se possível sinalizem sua localização para as equipes de resgate: a ordem é de total retirada, tanto para civis quanto para militares e voluntários. Nem o governo nem as forças armadas se manisfestaram sobre a ordem de retirada.

Segundo informação extra-oficial, após a retirada de todos nas áreas afetadas, será efetuada a esterilização por radiação: a esperança é que todas as criaturas sejam mortas com isso, mesmo que o custo econômico e biológico seja extremamente alto. Outra informação não confirmada é que o alto escalão do governo já tenha saído do país, e que parte esteja em abrigos secretos. Este é um último apelo de nossa equipe: fiquem em casa, não saiam por motivo algum. Até o fim de semana equipes de resgate farão as últimas operações em campo: espelhos, lanternas e sons altos ajudam para que o resgate o localize. Assim que surgirem mais informações, tanto das operações quanto sobre nossa equipe, informaremos. Que Deus nos proteja.
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domingo, 11 de março de 2012

Coisas que deveríamos aprender mais cedo

Aaaaaaaaaaeeeeeeeeewwwwwww cambaaaaaaaaaaadddaaaaaaaa!!!!!

Então, já é sabado, ligeiramente tarde e, para manter um bom e velho costume daqui do blog, não faço ideia alguma do que escrever... até que fazia tempo que não tinha uma dessas "panes" por aqui... aliás, mantendo um "novo" costume, não há nenhum recado à ser dado além do (quase) padrão "mudanças em breve". Estamos em março já, então creio que até junho tudo estará pronto, tanto na parte do "conteúdo" quanto na parte visual.

...

E, depois de um bom tempo, eis que finalmente tenho uma ideia, então, sem mais nada à dizer, ao post!

Simbora!!!


Seus pais tinham razão

Por uma ironia do destino (ou sacanagem divina), o ser humano só começa à ficar inteligente de verdade quando adulto: quando criança, manja da vida, mas não adianta porra alguma já que você é, obviamente, criança, e na adolescência você acha que manja pra caralho sobre a vida, o universo e tudo mais, mas na real você é um merda. Acontece que chega um ponto, em que você deve decidir entre permanecer um completo idiota (o que é mais fácil e divertido) ou ganhar um pouco de conhecimento, e é aí que seus pais te olharão com uma cara absurdamente odiosa:

E você terá de abrir mão, incondicionalmente, de toda a sua dignidade, e concordar que eles estavam certos. Certos sobre praticamente tudo, o que é ainda pior. E aí você começará à se dar conta de que seus velhos já sabiam do ponto da embreagem, da quantidade de açúcar da caipirinha, de como lidar com chefe mala e do Halls preto MUITO antes de você. E claro, perder o pouco de respeito próprio que você já tinha é um castigo leve, então, além de ter de adimitir tudo isso, ainda desencadeará um outro processo: a terrível consciência de que você é absurdamente menos burro agora do que era antes.


Quer uma máquina do tempo?

Uma coisa interessante sobre a Terra (e uma das mais importantes também) é que tudo está em constante evolução, e com os seres humanos é assim também... claro que normalmente fazemos questão de mudar para pior, mas isso é mais cultural que biológio. Mas enfim, se você parar para pensar em como era há alguns anos ou meses atrás, se dará conta de que você era absurdamente burro naquela época... aliás, não só burro, mas incompetente, estúpido, tapado e ignorante também: de forma bem simples, você cresceu, mesmo que só um pouco.

O pequeno detalhe nisso tudo é que, com a consciência que você tem hoje, você nota a quantidade absurda de merdas que você fez, e que seriam facilmente evitadas caso você não fosse como era... não é uma questão de arrependimento (tenho que fazer um post sobre isso aliás), mas puramente sobre "fazer diferente se acontecer hoje". O ponto é que, a menos que você seja realmente burro, você notará essa diferença, se amaldicoará por já naquela época não ser como é hoje, e se odiará. Simples assim: pessoas normais e conscientes se odeiam, elas não levantam às 4 da matina pra fazer 50 repetições de bíceps e dizem que o mundo é lindo.

Uma pessoa normal e saudável.

Como já diziam os sábios, a ignorância é uma benção, mas feliz ou infelizmente o ser humano sempre teve o passatempo de querer saber tudo sobre tudo. Conseguimos robôs, engenharia genética e foguetes assim, mas tudo tem um preço, e botar os pés na Lua é um pouco caro: nos aprimoramos, tecnologica e pessoalmente, por milhares e milhares de anos, para então nos darmos conta de que tudo que sabemos já conhecimento popular há muito tempo... a pior coisa, é que depois de velhos notamos que quando nossos pais diziam "você tem que aprender por si mesmo" na verdade significava "você tem que se foder bastante pra aprender", e nisso também eles estavam certos: você fará o mesmo com os seus filhos. 


Toda e qualquer brincadeira resulta em machucados

Não importa o quão divertida, alegre, movimentada e engraçada, absolutamente tudo que consista em fazer mais que respirar lhe trará momentos de dor, e essa dor normalmente vem na forma de ralados, batidas, manchas, sangue e falta de pele, não necessariamente nessa ordem.

Um outro fator aqui é que boa parte das vezes, a culpa nem será sua... sim, você estava de ponta cabeça no tronco mais alto da árvore, mas sua inevitável queda não foi proposital. Além disso, há um pequeno fator, também importante nessa equação: o local. Aposto que nenhum de vocês (bem como eu) nunca tiveram uma grama como a da foto para amortecer tais eventualidades: cimento, terra, pedra, asfalto e areia são os meios mais prováveis, e claro, Murphy não erra.

Isso sem falar em brincadeiras "localizadas", como as que acontecem em piscinas, parques, beliches, sofás e escadas, que contam com suas próprias regras e que além dos fatores listados acima, ainda adicionam a sensação de aventura, segurança e adrenalina, que são absolutamente perfeitas para impelirem uma visita ao pronto socorro mais próximo.


Cerveja é uma merda, mas você vai beber

Eu tenho certeza que há uma explicação plausível para isso.

Ok, eu não bebo cerveja, mas esta é quase que uma constante. Crianças, de forma geral, não gostam de coisas que são ruins, e sejamos sinceros, cerveja é ruim. Sim, você se acostuma com ela até o ponto em que seu cérebro já finge automaticamente que você está tomando água, mas que aquela porcaria é ruim, isso é, e qualquer pessoa com um mínimo de discernimento sabe isso: crianças tem discernimento, os adultos é que o estragam.

Quando você era pequeno, normal e menos idiota você negaria cerveja (e vódca, uísque, caipirinha...), faria cara de nojo e iria beber Fanta Uva, e é nesse momento que seus avós, puxados pelo tio do pavê, soltarão a famosa frase "quando você for mais velho, você vai gostar".  Bem, na gigantesca maioria dos casos, eles acertam, e aí está você agora: um cachaceiro, com barriga de chopp, que acha incrível beijar sua mulher cheirando à mijo... talvez eu seja o errado no fim das contas.


Dar nó em gravata

Então crianças, este não é o jeito certo de usar isso.

É de conhecimento geral que pouquíssimos homens sabem dar nó em gravata. Claro, poderíamos usar aquelas com zíper, mas porra, isso é um total atestado de incompetência, além de que mulher nenhuma gosta desta merda. Tal inabilidade é resolvida portanto de dois modos diferentes: comprando uma gravata já com nó feito por um homem de abotoaduras ou proferindo algo na linha de "mãe, dá o nó pra mim?".

Tal situação só é válida até certo ponto da sua vida, ou seja, enquanto você ainda é um adolescente burro, e depois desse ponto ou você esquece as gravatas ou cria culhões e vai aprender a dar o nó por conta própria. Meus caros, mulheres notam gravatas com nós bem dados, então se deem este trabalho... você vai descobrir que há centenas de nós diferentes, mas isso não tira o seu mérito por saber fazer o mais simples deles.


Você vai ficar doente

Criança nenhuma tem saco para grandes cuidados de saúde, e parar a brincadeira toda para por blusa é algo que sequer passa pela cabeça e porra, seus amigos são mais divertidos que as advertências da sua mãe, e o apoio enfático da sua avó não ajuda em nada.

Pessoalmente, gripe é uma doença que me fode a vida, tanto porque me deixa pior que, sei lá, um tumor no baço, quanto porque ela é tão recorrente, que chega ao ponto de eu emendá-la por meses. É claro que isso não tem relação alguma com a minha constante negação de usar roupas de frio, tomar coisas geladas e muito menos com a janela aberta e o ventilador ligado, mas de fato é um absurdo que as pessoas levem tanto tempo para entenderem que você está se fodendo se vai passar a próxima semana espirrando, desde que ganhe o polícia e ladrão.


Na dúvida, a culpa é de todo mundo

Qualquer um que já teve pais (ou tios, avós, enfim) sabe que, diferentemente dos malucos e de todo o resto do mundo, os "responsáveis" tem um sistema legal de julgamento, prisão e execução completamente fora dos padrões da realidade. Sabe-se lá caralhos porque, mas ninguém que tenha a tutela de uma criança tem discernimento entre "vítima" e "culpado", o que significa que se um se fode, geral vai junto.

É como se todo o universo conspirace, um grande complô, em que a pena mais alta é aplicada em todo mundo, para manter a igualdade da coisa... é algo na linha de "vamos enforcar todos, não importa se um traiu a coroa e o outro comprou um vaso feio". E, como em toda ditadura, todo e qualquer "porém" será considerado como uma tentativa da motim, fuga e genocídio, sendo punida com castração... e ácido na cara, pra ter o pacote completo.

O ponto aqui é um só: a idiotice de, anos após ano, castigo (e tentativas de homicídio) após castigo e acusação atrás de acusação, finalmente nos damos conta de que lutar é inútil, e como ainda nos resta um pouco de amor próprio, só há uma opção óbvia: tocar o foda-se e nos juntarmos com os maus elementos... é a Resistência, meus caros.


Relações carnais são divertidas

Toda criança normal tem um pequeno "filtro" que basicamente diz que o sexo oposto é digno de nojo e desprezo, e que portanto deve haver uma guerra enterna entre homens e mulheres, mantendo assim o equilíbrio da natureza, permitindo que garotos não sejam contaminados por frescuras e futilidades e garotas não sejam infectadas por idiotices e coisas nojentas.

De certo modo, estávamos todos certos naquela época: homens são sim nojentos e idiotas e mulheres são fúteis e frescas, e as coisas seriam realmente muito mais fáceis se todos fossem iguais... mais chatas, é verdade, mas pensem na quantidade de pessoas concordando enfatica e violentamente sobre as mesmas coisas.

Enfim, a questão é que, nesta época dourada e maravilhosa, em que podíamos jogar minhocas nas pessoas sem grandes problemas, e que nossos deveres para com nossos iguais eram claros, se definem apenas por uma única reação. Tenho certeza absoluta que todos já a esboçamos, principalmente quando o inimigo secundário (os adultos traidores do movimento) decidiam que era hora de expor o terror à nossas pobres almas: o beijo.

Sim, meus caros, todos já passamos pela terrível situação de presenciar um aliado macomunando com o time oposto. Nós, completamente desconcertados e enojados tínhamos não só de presenciar tal ato, como ainda ouvíamos a fatídica "quando você for mais velho, você vai gostar", e alí, sem ação jurávamos que não iríamos para o lado do mal, lutando até o fim de nossas forças para combater o lado sombrio.

Feliz ou infelizmente, estávamos errados: traímos o movimento, abandonamos as gerações mais novas, nos rendemos ao outro lado... O pior é que naquela onda do "fazer diferente", entramos numa outra descoberta: se tivéssemos "garantido o nosso" desde aquele tempo, nenhum de nós estaria fazendo post num sábado... aliás, o post inteiro só existe por causa desse único detalhe: se todos nós garantíssemos o nosso desde pequeno, nenhum de nós (e digo homens e mulheres) estaria na merda... e tudo isso porque pais são preguiçosos demais pra fazer uma CPI.


Todo adolescente é idiota

Sim, eu sei que parece óbvio, mas a questão é que naquela fase incrível que a infância, a adolescência é tipo bater no portão do inferno: são "pessoas" mais burras, chatas, cansativas e ignorantes que os adultos... é bem o que A Turma do Bairro mostra, só que sem tralhas legais. Quando se é adulto entretanto, a adolescência passa à ser aquela fase em que você fez tanta merda que poderia não ter feito, e ainda pior, nota o quão você estava certo quando era criança, que você passa a apoiar a teoria de que o ser humano na verdade é um queijo: primeiro é leite bom, depois colocam fungos, estraga e aí fica bom de novo.

De verdade, pare e pense naqueles anos em que o mundo era seu fiel servo (apesar de todas as mulheres sexualmente ativas existentes discordarem veementemente disso) e que Avenged Sevenfold era uma banda boa e responda com total e completa sinceridade se você não era um completo imbecil. Claro, você ainda não tem ideia da extenção real disso (acredite, é bem pior do que você pensa), mas saber do fato em si já é um começo.


Contas... muitas contas

Feliz ou infelizmente, vivemos num sistema capitalista, em que a parte legal se divide entre os que tem robôs de controle remoto que lutam e os que não tem, e como nada é de graça, o mundo acaba por se dividir entre os pivetes que tem pais ruins e ricos e os que tem pais pobres e bons... sem generalizações, obviamente.

Quando se é feliz e foda-se os chefes do seus pais, os mais variados pedidos acerca de brinquedos, roupas, computadores e demais tralhas povoam sua imaginação, alimentando o sonho de poder esfregá-los na cara dos seus amigos. Seus pais, se forem bons pais, lhe dirão que não podem (e não devem) dar tudo que você quer, te mandarão ir brincar e pronto. Aí você cresce, vira uma pessoa desprezível, pede a porra dum iPod e se esquece mundo, só voltando a encher o saco de papai e mamãe quando você quer mais alguma outra coisa cara e que provavelmente incluirá uma balada às 4 da matina.

Por fim, você começa os seus pais, tanto pelo lado de não o mimarem feito um bicho de pelúcia cheio de merda, e pelo outro lado, puramente monetário, já que robôs lutadores são caros, você só vai brincar algumas vezes e depois voltará para a frente do computador, para baixar jogo pirata e reclamar que você ganhou uma Epiphone e não uma Gibson... quem disse que filhos não fazem pequenos atos de bondade por seus pais...?


Você vai ficar mais tolerante

Durante a adolescência, uma das coisas que se perde, é a tolerância, e isso tem uma explicação muito lógica: este mundo de merda inteiro não faz porra alguma do jeito certo. Mesmo quando a coisa está indo para o lado certo, sempre haverá alguém (lê-se "pais e irmãos mais novos") para foder com o esquema todo, o que, obviamente, gerará uma pequena argumentação, na qual você defenderá que ovos na verdade são répteis aquáticos de Marte e seus pais dirão que você é um chato do caralho. Portanto, dirão outra frase muito conhecida: "quando você for mais velho, vai entender".

Na realidade, nem é uma questão de entender e não entender, mas sim que, depois de anos e anos insistindo para que as coisas sejam feitas do jeito certo, você simplesmente desiste, e resolve deixar a humanidade se foder com seus próprios erros. Ou seja, não é sua tolerância que aumenta, mas sim seu saco (com trocadilho) para aturar a quantidade de merdas que as pessoas fazem. Finalmente, você ficará velho, e desistirá também de reclamar, já que essas crianças de hoje em dia não só não sabem porra nenhuma, como também não escutam o que os mais velhos tem à dizer. 


Você realmente tinha mau gosto

Um dos maiores erros que você pode cometer, é rever coisas que não via faz tempo.

Bom gosto não é algo congênito, você deve, no decorrer de toda sua vida, passar por experiências, que então acabarão por formar sua "palheta de gosto", e como todos sabemos, a gigantesca maioria das pessoas tem um gosto de merda. A questão é que, por mais bem criado que você seja, sempre demora um tempo mínimo para você criar sua base, o que significa que por muito tempo da sua vida, você gostará de um monte de coisas que são absurdamente ruins.

Essa coisa toda de bons gosto é puramente baseada em parâmetros, mas mesmo que você já entenda a parte técnica aos 5 (o que ligeiramente improvável), mas há a questão da comparação: apenas comparando coisas boas e ruins é que se pode chegar à uma conclusão, e quando criança você não tem capacidada e sequer teve tempo o suficiente para fazer toda essa análise. Porém, isso ainda não é desculpa para assistir coisas estúpidas e idiotas ao extremo, afinal, você é inocente, não retardado.


Foi foda, mas de novo nem fodendo


Ora, quem diria.


Como falei alí em cima, depois de velho você se dá conta das merdas que fez, e verá que elas poderiam ter sido bem diferentes. A questão é que a gigantesca maioria deles foi incrivelmente foda, seja porque renderam anos de piadas entre amigos, seja porque você sabe o nome de todos os policiais da 26ª DP. Veja bem, essas coisas te levaram ao que você é hoje: você provavelmente não saberia nem metade do que sabe se não fosse por elas, logo, mudá-las mudaria o presente... enfim, aquela coisa de viagem no tempo.


Não significa que você as repetiria iguais, se acontecessem de novo hoje, mas esse é justamente o ponto: além de nada acontecer duas vezes do mesmo jeito, você só sabe o certo a fazer agora porque já fez o errado antes. Sim, foi divertido, rendeu boas histórias, talvez até tenha te tornado uma pessoa melhor, mas fazer de novo igual é burrice, e ainda pior é insistir nessa burrice. Porra, você ainda tem muitas merdas pra fazer na vida, não precisa ficar repetindo as mesmas de sempre.


Sua mãe realmente te acha bonito

Pais mentem sobre uma infinidade de coisas, e não só quando você é criança, mas uma das (raras) coisas em que eles não mentem é quando dizem que você é bonito. Entendenda, beleza é um troço relativo, e como todos sabemos, dependem de parâmetros pessoais, o que significa que há alguém no mundo suficientemente idiota para te achar um presente da natureza.

O que rola com os pais, é que eles se deram ao trabalho de ter (e criar) você. Pense só, eles fizeram coisas não religiosas, sua mãe te aguentou por nove meses, dando enjoos, cólicas e todo o resto, te deram banho, te vestiram, passaram noites acordados, trocaram fraldas... enfim, eles chegaram à beira do sacrifício por você, então é completamente natural que eles fiquem orgulhosos do que fizeram, logo, acharão você uma boa pessoa, fofinho, alegre e tudo mais. Isso não quer dizer que eles não tenham consciência que TODO O RESTO DO MUNDO te acha feito feito o cão, mas para aqueles dois masoquistas, você é bonito.


Você vai fazer igual

Já falei disso no outro post, mas o ponto aqui é diferente: somos todos, naturalmente, teimosos. Uns mais, outros menos, mas o que importa é que o ser humano só aprende de uma única forma, que é, obviamente, vivendo, e isso inclui a parte boa e ruim, e seu dever, como pai é falar o "certo", dizer que ele vai ver que esteve errado, e depois, quando ele tomar essa consciência, esfregar na cara dele tudo que é idiotice sobre a qual você tentou previni-lo, mas ele sumariamente ignorou.

Faz parte da vida deixar com que as pessoas aprendam por si mesmas, um empurrão, uma dica, tá valendo, mas usando aquela horrível metáfora sobre ensinar à pescar, você não pode jogar a vara do seu filho no lago para ensiná-lo à nadar, você deve pegar o peixe, mostrar que ele respira debaixo d'água e deixar seu filho se jogar e quase morrer, para só então colocar aquelas bóias laranjas nos braços do pivete... fazer o que? É assim que as coisas são.



Minha conclusão

Das várias formas de aprendizado pelas quais o ser humano passa, a experiência é a mais efetiva, afinal, aconteceu com você, você teve de lidar com isso pessoalmente. Os pais, até certo ponto da vida, são aqueles que devem deixá-lo se virar e aceitar sua total falta de consideração para com eles, principalmente no que toca a questão de "faz assim que é melhor". Sim, é idiota, estúpido e bem mais difícil, mas como todos sabemos, se algo é muito fácil, não tem aquela sensação de dever cumprido, de realização e muito menos de ter aprendido alguma coisa.

Temos em média uns 90 anos para aprender sobre a vida, e na realidade, é tempo mais que suficiente. Claro que sempre haverá mais coisas à serem descobertas e aprendidas, mas a base, o que realmente interessa, não é tão difícil assim: só leva tempo. Quando você é criança, e tem mais bom senso que todo o resto do mundo, seus padrões, sua opinião ainda não está formada, quando se é adolescente, sua opinião está formada sobre absolutamente tudo, mas claro, você está enormemente errado, e por fim, você chega ao ponto da virada, em que as coisas começam a fazer sentido, já que você tem sua opinião e não é mais tão retardado assim. É a partir desse ponto que a coisa começa de verdade, e aí por sua própria conta, seus pais só podem apontar e rir.

Por fim, quando você chegar no ponto em que seus pais já estiveram, e tiver de falar para seu filho que ele está errado e vai tomar no cu por isso, tudo que você pode fazer é ficar com a conciência tranquila, afinal, você o avisou, esperar a merda acontecer e depois levá-lo ao hospital. Sim, ser pai (ou mãe... ou os dois) é uma tarefa ingrata pra caralho, e seus filhos não ajudarão nem um pouco nisso (aliás, só piorarão as coisas), mas dalí alguns anos, quando ele estiver onde você já esteve, você vai finalmente poder descontar por todos os anos de trabalho árduo... e vai aprender que vovô e vovó são bem mais fodas do que você sempre pensou.

See ya!

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sábado, 3 de março de 2012

A esperança dos tolos

A situação é crítica em todo o país, que mesmo com o apoio militar internacional não tem tido êxito no combate contra as criaturas. Os casos de ataques estão cada vez maiores, uma vez que as barreiras não estão sendo o suficiente para isolar as áreas de risco: já vai para 26 o número de estados que relatam ataques e aparições. Além do território nacional, outros quatro países fronteiriços já confimaram o avistamento destes "animais", e já começaram a mobilizar suas defesas. Estradas, aeroportos, ferrovias e portos estão fechados, sendo que apenas veículos militares tem permissão para ultrapassar o bloqueio.

Há mais de uma semana que não são divulgados relatórios oficiais acerca das operações, mas muitos já concordam que os relatórios não são necessários: "é o caos... não temos mais porque ter esperança" afirma Josoaldo Araújo, um dos pastores engajados no recebimento e distribuição de mantimentos para desabrigados. Os pedidos de asilo em países próximos já chegam à casa do milhão, mas nenhuma embaixada ainda se manifestou, bem como nenhum pedido foi aceito. O Ministro, junto com parte do governo, já foi deslocada para um "local seguro", mas não se sabe se em território nacional ou internacional.

Assim como viemos noticiando, escolas públicas, delegacias e prédios governamentes servem de base para refugiados e feridos: famílias inteiras foram obrigadas à deixar suas casas às pressas. O jornal, desde a semana passada, tem recebido muitas pessoas, que com o apoio de grupos de ronda, são encaminhados para locais seguros: a entrada é pela lateral do edifício, e para segurança de nossa equipe e de civis, informamos que é vigiada 24 horas por dia. Segundo apelo do governo, as pessoas devem sempre sair em grupos, nunca à noite, e, em último caso, armadas. Ainda há recomendações de não fazer sons altos, bem como utilizar luzes fortes e veículos para a movimentação até os pontos de apoio. Mais informações no boletim matinal, bem como a relação atualizada de locais seguros.
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