domingo, 29 de abril de 2012

Contos de Duendes: Gênesis de Fadas

 Aaaaaaaaaaaaeeeewwwwwwww cambaaaaaaaaaadaaaaaa!!!!

Então, é domingo, terça é feriado, segunda vai emendar e sábado já foi, e sabem o que tiramos disso, além do fato que terá um monte de idiota indo para a praia e ficando 18 horas no trânsito?

...

Sim, que o post está atrasado. E o motivo é um velho conhecido de todos: não tenho a mínima ideia do que escrever.

...

Mas graças aos arquivos de ideias, finalmente arranjei uma ideia, e, quem diria, é um Conto de Duendes!

Simbora!!!


No início, Deus:

Estava se sentindo muito solitário: ele já havia criado o Universo, e havia acabado de terminar mais um planeta, cheio de árvores, animais, com oceanos e mais um monte de coisa do balacobaco. Apesar dos seus trilhões de criações, faltava uma, que deveria ocupar um lugar especial, não só para a história do Universo, mas como para Deus. 

Eis que ele tem uma ideia genial. Ele já havia trabalhado bastante nos últimos cinco dias (Criar um mundo é uma tarefa exaustiva sabem), mas resolveu fazer um esforcinho: criou uma fôrma, com braços, pernas, olhos e tudo que tem direito:

Jogou os ingredientes na forma e bateu tudo:

E assim nasceu o homem, e Deus lhe chamou Adão.

No começo de sua vida, Adão estava achando tudo maravilhoso: os rios, os animais, as cachoeiras e as noites estreladas e assim foi por um bom tempo. Adão acordava de manhã, ia se exercitar, conversava com os esquilos e as gralhas, voltava, comia uma pera... eram dias pacatos, que faziam Adão pensar o quão incrível era sua vida.

Porém, passado algum tempo, Adão começou a agir estranho, e isso preocupou Deus, afinal, Adão era sua mais recente e incrível criação, e mesmo estando atarefado, Deus deveria cuidar para que Adão tivesse uma boa vida. Certo dia, cansado de ver Adão cabisbaixo, o Criador resolveu por fim lhe perguntar o que caralhos estava rolando, e foi aí que deu um click: Adão não tinha pinto.

Mas era óbvio! Todos os animais (exceto as fêmeas) tinham um, só Adão que não, e com certeza não era fácil para o pobrezinho ser o único em todo o Éden. Deus então, na calada da noite, trabalhou, desenvolveu e projetou. No dia seguinte, Adão acordou, lavou o rosto, espreguiçou-se e foi no banheiro:

E todos os animais ouviram seu grito.

Demorou alguns segundos para que Adão se desse conta do que havia ocorrido. Após agradecer à Deus pelo presente, ele correu por todo o Éden, contando aos seus amigos animais sobre o que ganhara: Adão estava mais feliz do que jamais estivera, e isso alegrava Deus. Porém, o todo poderoso se deu conta de uma coisa: sua criação não era perfeita. Adão não estava satisfeito com a vida que Deus lhe dera, e as consequências caso Deus não fizesse nada seria terríveis, então foi a vez de Deus ficar triste.

Durante algum tempo Deus matutou sobre o acontecido, e Adão estava cada dia mais contente com seu pinto. Fazia apenas alguns dias que ele descobria que saia mais do que mijo do pinto, e desde então seus bíceps haviam aumentado muito mais do que quando ele levantava pedras. Foi então que Deus teve mais uma ideia: ele ainda tinha a fôrma, bastavam algumas alterações e aí sim ele teria uma criação perfeita.

E lá foi Deuz, fez as alterações necessárias na forma, trocou alguns ingredientes, mudou medidas: a base seria a mesma, mas desta vez ia dar certo, Deus ia finalmente ter uma criação perfeita. 

Após mais uma noite de trabalho incansável, ele havia terminado, e colocou-o no Jardim do Éden, para aprender com sua criação anterior. Era maior, mais forte, mas legal, mais bonito e mais inteligente que Adão, mas o ponto principal, ele estava totalmente satisfeito com sua existência e com sua vida. Deus chamou-o Ken, e para mostrar a Adão como a vida podia ser, não lhe deu um pinto.

Adão e Ken rapidamente ficaram amigos. Adão lhe ensinou sobre as estrelas, os peixes, os ventos e os pássaros, e Ken, por sua vez, ensinou Adão a ser mais paciente, mais calmo e como malhar sem distender os músculos. Não só Adão gostava de Ken, mas os animais idem, e a vida era boa no Jardin do Éden. E apesar de atarefado com outros planetas, galáxias e povos, Deus estava feliz com o que havia criado, e por muito tempo as coisas continuaram assim.

Entretanto, Deus melhor do que ninguém sabe que as coisas não duram para sempre, e notou um pequeno problema com Ken. Não que ele tivesse se machucado e nem nada disso, mas notou que Ken era um pouco curioso. Ken amava Adão como um irmão, e justamente por isso não podia deixar de se questionar porque Adão sumia de repente, e dalí alguns minutos voltava, com um sorriso no rosto.

Sim, Ken sabia que Adão tinham um pinto (afinal eles estavam pelados), e de forma alguma tinha inveja disso, e sabia também que o pinto servia para a reprodução, mas não sabia "como", e por consequência, não sabia quais outras serventias tinham um pinto (se é que tinha alguma outra). Ken estava decidido à descobrir porque Adão se ausentava, então resolveu seguí-lo, e a estratégia deu certo.

Ken então perguntou à Deus o que era aquilo, e Deus, ligeiramente envergonhado, lhe respondeu. Ken imediatamente relaxou, riu de si mesmo por preocuparse tanto com Adão, e para Deus isso foi uma demonstração de que Ken era de fato sua mais perfeita criação. Ken também perguntou porque Adão havia escondido aquilo dele, sendo que eram como irmãos, e Deus lhe respondeu novamente, talvez Adão tivesse vergonha, e por muito tempo o Éden ficou em paz.

Desde que criara Ken, Deus havia se ocupado de organizar todas as suas criações, o que significa que desde Ken, Deus não criara mais nada... uma ou duas coisinhas talvez, mas nenhum ser vivo, afinal, qual seria o ponto, se Ken estava bem e era perfeito? Deus entretanto estava entediado e cansado de sua rotina, e mesmo sabendo que era errado, resolveu mudá-la: procurou em todo o Universo por algo novo, e como não podia deixar de ser, chegou ao Éden, onde além de Adão e Ken havia apenas animais.

Pareceu um tanto errado à Deus: tantos outros lugares tinham bilhões de seres vivos da mesma espécie, mas Adão e Ken, suas duas melhores criações, viviam sozinhos, e mais importante ainda: ambos eram machos. Todos os outros seres vivos tinham seu par, algum até tinham os dois sexos ao mesmo tempo! Isso não poderia continuar assim, e mais uma vez Deus resolveu recorrer à velha fôrma.

E de novo Deus trabalho, mas não por, não por dois, mas por três dias, modelando, testando, acertando a fôrma, escolhendo novos materiais, preparando uma nova receita, e no fim do terceiro dia, Deus havia finalmente acabado, faltando apenas um último ingrediente para completar sua criação: uma costela de Ken. Sua criação ganhou vida, e tal como fez com quem, a colocou no Éden durante a noite, apenas esperando que Ken e Adão a encontrassem. A chamou Barbie.

E foi uma zona. Todos foram ver a nova moradora do Éden:

Inclusive Adão:

Mas Ken foi quem (foi sem querer) ficou mais impressionado. O que era? Por que Deus a mandou? Seria errado afirmar que ninguém no Éden conhecia o amor, já que todos alí se amavam, e Ken e Adão mais do que ninguém, mas o que Ken estava sentindo era mais do que a curiosidade de todos os outros, Ken estava apaixonado, apesar de não saber disso.

Diferentemente de Adão, Ken era mais tímido: enquanto um estava o tempo todo "perseguindo" Barbie, Ken se contentava em passar horas apenas olhando para ela. Eles tinham muito em comum: o amor pelos animais e pelas plantas, o gosto por nadar à noite... e Barbie, assim como Ken (e diferente de Adão), não tinha pinto. Tanto Adão quanto Ken entenderam isso muito rápido: todos os animais tinham seu par, e Barbie era o par deles.

Acima de tudo, Ken e Adão eram irmãos, e portanto não brigariam por uma... uma... pela Barbie, e tal como eles sabiam disso, ela também sabia, o que significava que seria dever dela escolher seu companheiro, uma vez que haviam dois pretendentes. 

Em pouco tempo, os dois (com a ajuda dos animais) ensinaram tudo à Barbie, mas tal como faltou à Ken, Barbie também não sabia nada (além do básico) sobre o pinto, e ela também estranhava os sumiços de Adão (que se tornaram mais frequentes desde a chegada dela). Ela, com a mesma curiosidade de Ken, queria saber mais, então, para não perguntar a Adão, perguntou à Ken, e este lhe explicou do mesmo modo que Deus havia lhe explicado.

Mas diferentemente de Ken, que compreendeu tudo, Barbie ficou ainda mais curiosa. Ken entendera porque apesar de não ter pinto, era muito parecido com Adão: gostavam das mesmas coisas, tinham as mesmas opiniões. Mas Barbie era diferente de ambos. Barbie tinha peitos, bunda grande, e por mais que falasse com os animais, não era a mesma coisa. Ela precisava saber mais, precisava ver!

Ela tinham um plano: seguiria Adão da próxima vez, e veria por sí mesma como era. Como sempre acontece nesses casos, demorou alguns dias para que Adão desse outra sumida, o que só serviu para deixar Barbie ainda mais curiosa à respeito da coisa toda. Mas num belo dia (como todos os outros no Éden na verdade), Adão sumiu, e Barbie foi atrás. Ela achou Adão atrás de umas rochas, soltando uns sons estranhos e...

Barbie não resistiu, foi falar com Adão, que tomou um enorme susto, e estava, além de envergonhado, prestes à dar uma explicação, mas ela o calou.

Barbie e Adão tiveram seu primeiro filho na primavera: uma enorme festa no Éden, e o segundo vei no ano seguinte. Deus não podia estar mais feliz: não só suas criações estavam bem, mas estavam criando uma família. As duas meninas eram paparicadas não só pelos pais, mas por todos os bichos, e assim aprenderam a amar a natureza e uma à outra: eram inseparáveis... tal como Adão e Ken foram um dia.

Ken não estava gostando nada daquela história: não só seu melhor amigo o havia traído, como a Barbie também, e já tinham filhos! Era um absurdo! Ken era melhor em tudo: mais bonito, mais inteligente, mais forte, mais rápido... mas não tinha um pinto. Por que Deus estava fazendo isso com ele? Era um completo absurdo, e a Barbie iria ver a merda que estava fazendo!

Ken foi falar com Deus, o questionou porque Barbie não o havia escolhido, mas Deus não respondeu. Ken era sua mais perfeita criação, mas via que ele estava se desviando do caminho que deveria seguir: Ken estava tomado pela inveja e pelo ódio, e Deus se culpava por isso. Ele fizeram Ken sem um pinto, ele fizera Barbie. Ken, vendo que Deus não tinha uma resposta para seus questionamentos, resolveu abandonar tudo, deixar o Éden. Pelo pouco de amor que ainda nutria por Barbie e Adão, não foi despedir-se, e o casal ficou sem saber o que ouvera com o amigo.

Enquanto Ken rumava para a saída do Éden, algo chamou sua atenção. Numa árvore, numa árvore, num canto havia uma cobra, e ela o chamava. Ken foi lá falar com ela, uma vez que nunca a vira no Jardim do Éden antes. Conversando com Ken, a cobra rapidamente notou o que acontecia, e bolou um plano: eles iriam fazer um acordo, que acabaria com a alegria de Adão e Barbie, assim Ken e a cobra conseguiriam tudo que sempre quiseram.

Ken, não tendo opção melhor e tomado pelo ódio, aceitou a proposta da cobra, que lhe explicou o plano: ele deveria partir do Éden, que ela ficaria alí, acertando as coisas para que seu terrível plano desse certo. Ken partiu, sabendo que só voltaria ao Jardim do Éden dalí à um bom tempo, mas antes de ir perguntou o nome de sua nova aliada: Eva.

Muitos anos se passaram. Adão e Barbie ficaram mais velhos, bem como os animais e as árvores, mas o Éden continuava belo como sempre. O que mais havia mudado entretanto eram as filhas de Adão e Barbie, já era moças crescidas agora, ajudavam os pais, e como não podia deixar de ser, cresceram ouvindo histórias sobre o tio Ken, do qual não tinham lembraça.

Mas é claro, as coisas mudam. Certo dia, Barbie mandou suas Polly (a mais velha) ir pegar algumas bananas, Susi por sua vez ficou encarregada das cerejas. Chegara a hora tão esperada de Eva executar seu plano: atraiu Polly para um canto, e a convenceu a pegar amoras no lugar das bananas. Quando enfim voltaram para casa, Susi notou a troca, e foi ter com sua irmã, que tentou lhe convencer de que amoras eram a fruta errada, mas Polly era irredutível, não aceitando nada que sua irmã lhe falava.

Neste momento, Eva se esgueirou por trás de Polly, e cochichando em seu ouvido, envenenou a mente de Polly contra sua própria irmã. Polly, cansada do sermão de Susi, deu ouvidos ao que Eva disse, e num movimento, jogou um monte de amoras na boca de Susi, que engasgada, caiu no chão, implorando pela ajuda da irmã. "Fuja" disse Eva, e Polly, aterrorisada pelo que tinha acabado de fazer, não pensou, e fugiu do Éden: o plano estava dando certo, agora era a vez de Ken.

Eva tomou cuidado para que Polly rumasse em direção à Ken, que há tempos já estava preparado para aquele dia. Desde que saira do Éden a vida tinha sido difícil, mas seja por força da vingança ou de ver mais uma vez Adão e Barbie, ele sobreviveu, a agora via Polly correndo em sua direção no horizonte.

Ken resgatou Polly, que desmaiara no deserto, e a levou para sua cabana. Cuidou dela, e quanto ela a acordou, controu-lhe sua história: ele era Ken, e morara no Éden junto com Adão e Barbie, mas Barbie o traiu com Adão, e este, invejoso, o expulsou do Éden. Polly compreendeu tudo: seus pais mentiram para ela o tempo todo, sempre preferiram Susi... Adão e Barbie tinham arruinado duas vidas, e deveriam pagar por isso.

Polly contou à Ken como estava o Éden, e que tinham uma amiga lá, que poderia lhes ajudar. Ken se fez de difícil, mas acabou por ceder: prepararam tudo para sua volta ao Jardim do Éden. Partiram em pouco mais de uma semana, com uma caminhada de dias no deserto pela frente, mas valeria à pena no final. Eles, juntos teriam o Éden para si, e assim povoariam o mundo, sem que seus filhos tivessem de sofrer as injustiças que eles sofreram.

Andaram por muito tempo, até que chegaram no Éden, e logo de cara notaram que algo estava errado: não viam nenhum animal, muito menos Barbie e Adão. Foi Eva quem os encontrou, e foi falar com eles. Polly apresentou-a para Ken, e ambos fingiram não se conhecer. Eva lhes contou o que tinha acontecido: Adão havia encontrado sua filha Susi morta, e Polly havia sumido. Tanto Adão quanto Barbie e os animais do Éden ficaram em luto por Susi, e ainda mais temerosos por Polly.

Desde então Adão vinha interrogando cada um dos animais do Éden, na esperança de saber o que havia ocorrido, mas nenhum deles tinha visto nada, e Eva era muito boa em se esconder. Mais uma vez a cobra repassou seu plano: Ken e Polly deveriam aparecer durante a reunião de todos os animais.

E assim fizeram: esperaram os animais se reunirem, e Adão começar à falar. Eva deu as últimas instruções, e se escondeu, para assistir de camarote. Quando Adão falou de Susi, Ken apareceu, para a supresa de todos alí. Adão, com Barbie ao seu lado, correram para saudar o amigo, que há muito não viam, mas tiveram de parar no meio do caminho: Ken apontava para eles, e proferiu, alto o suficiente para que todos alí ouvissem, "Barbie matou Susi".

Foi comoção geral, de completo espanto. Adão (e todos os bichos) viraram-se para Barbie, que estava ainda mais assustada que todos alí. Ela negou, negou tudo, e como não negaria? Esteve ao lado de Adão por todos aqueles anos, e Susi era sua filha! O que Ken estava falando era absurdo... e por que ele estava fazendo isso? Ficara tanto tempo fora, e volta de repente, a acusando de algo tão grave!

Deus, desde que vira que Adão, Barbie e Ken tinham uma boa vida focou suas atenções em outras coisas, mas a morte de Susi fez com que ele se voltasse para o Éden, e mesmo em silêncio, ele ficava observando o malígno plano de Eva dando certo: alguns começaram a se virar contra Barbie, e até mesmo Adão estava balançado.

Não havia outro jeito, Barbie tinha que se defender, tinha que defender sua família, e isso significava ir contra Ken. Ela disse à todos que ele estava mentindo, lembrou-os que ele sumiu há muito tempo, e que era realmente muito estranho ele retornar agora, sem provas e acusá-la de tal barbárie. Adão (e os animais) não sabiam o que fazer: quem estava falando a verdade? Se Barbie tivesse realmente... mas então por que Ken iria inventar tal história?

Ken notou que estava perdendo lugar, então era hora de seu trufo, o ponto máximo do plano de Eva: Polly. A garota chegou, e teve animal desmaiando. Adão e Barbie ficaram tão boquiabertos que nem Deus sabia que tal abertura de boca era possível. Polly entrou na roda em silêncio, segurou a mão de Ken, e disse em voz alta que era tudo verdade.

Ela vira tudo: Barbie tinha ciúmes de Susi com Adão, e resolveu livrar-se da concorrência, por isso mandou as filhas irem pegar frutas. Barbie atacou Susi pelas costas, obrigando-a a engolir as amoras, e Polly teria sido a próxima se não tivesse fugido... não fosse por Ken, ela estaria morta no deserto, e ninguém, incluindo Adão, jamais saberiam da perfídia de Barbie... mas agora todos sabiam.

Deus estava imobilizado em seu próprio espanto. Ele já sabia que tudo isso iria acontecer, mas ainda sim não acreditava que de fato estava acontecendo. Como não notara o que Ken e Polly haviam se tornado? Poderia ter salvo Susi, poderia ter evitado tudo aquilo, mas estava mais ocupado com outras coisas ao invés de olhar para as criações de que mais se orgulhava.

Adão estava possesso: sua esposa havia matado sua filha, seu melhor amigo havia surgido e lhe dado uma notícia terrível, e sua filha mais velha sabia de tudo. Aquilo já era demais, não poderia ficar assim: era necessário justiça, e justiça eles teriam.

 Barbie foi encurralada pelos animais. Adão olhava a cena, impotente... tão impotente quanto Deus. Ken e Polly se abraçavam, olhando fixamente para Barbie, que olhava a todos, com o mais puro terror. Adão não ficou para ver, correu, fugiu, mas não para fora do Éden, foi para longe, precisava falar com seu criador, precisava de explicações, de um tapinha nas costas. Polly e Ken não desviaram o olhar por um único momento. Nos últimos segundos, Barbie entendeu o que tinha ocorrido: Ken sempre a amou, mas ela escolheu Adão e não ele. Polly, assim como Ken, tivera inveja, cobiçava o que não tinha, e achando que mudaria alguma coisa, matou a própria irmã, mas não teve coragem de encarar seus pais e Deus. Longe dalí, Adão ouviu sua mulher gritar pela última vez.

Estava feito. Barbie pagara pelo que fizera, e agora, em profundo pesar, os animais pariam, uns para ir lamentar, os outros para se limpar. Para Ken e Polly o plano estava acabado: se vingaram de Barbie e Adão, e agora o Jardim do Éden era todo deles. Agora eles fariam as leis, não um leãos, um golfinho ou um tucano, mas eles dois, juntos, sem temer nada, nem mesmo Deus.

Adão estava exausto, tanto física quanto mentalmente. Havia parado na sombra de uma árvore, mas não conseguia pensar em nada. Naquele momento ouviu um sibilo acima de sua cabeça, e de um dos galhos da árvore, desceu uma cobra, perguntando-lhe o que havia acontecido. Adão nunca tinha visto esta cobra antes, mas aquilo não era hora de decidir se devia ou não responder: respondeu, contou tudo que havia ocorrido.

Embora que para Ken e Polly tudo havia terminado, para Eva ainda faltava uma parte do plano: acabar com Adão. E foi por isso que o convenceu de que Deus era o culpado por tudo aquilo. Deus havia ignorado todas as tentativas de Adão de se comunicar, em parte porque sabia que poderia ter evitado tudo aquilo, e não o fez, e em parte porque já sabia no que daria a coisa toda.

Foi então que Eva surgiu com uma nova ideia para Adão: havia uma árvore no Éden, que nenhum animal nunca chegava perto, cujo fruto poderia fazer com que Deus se arrependesse e salvasse Barbie. Adão desconfiou: morava no Éden há tanto tempo, e nunca ouvira nenhuma história sobre tal árvore... mas não tinha nada à perder.

Adão seguiu a cobra, e notou que nunca tinha estado naquele pedaço do Éden antes. No meio de uma clareira, havia uma árvore, uma macieira. A cobra subiu, se enrolou em um dos galhos, e esperou Adão a alcançar. Adão parou, impressionado pelo porte e pela beleza da árvore, e caminhou até Eva. Segundo ela, bastaria comer uma daquelas maçãs para que você tivesse direito à um pedido, concedido por Deus, sem contestação.

Adão pegou um dos frutos, olhou bem, cheirou, olhou para Eva, que acenava, afirmando que daria certo. Que mal poderia fazer? Mordeu a maçã, mastigou, engoliu. Deus entrou em pânico, Eva começou a gargalhar, e Adão não entendeu nada: por quê Deus estava tão preocupado? Ele não queria que Adão salvasse Eva? Deus, desesperado, olhou para Adão, que lhe exigiu seu pedido. Deus entretanto, que nunca havia mentido para ele, disse-lhe que não havia desejo algum, que Eva, a cobra, o havia enganado.

Adão olhou com ódio para Eva, e estava prestes a atacá-la, quando sentiu algo diferente. Deus já sabia o que iria ocorrer, e naquela altura, o mal já estava feito. Polly e Ken estavam agora se firmando como senhores do Éden, sendo saudados pelos animais, e Eva via Adão perdendo as forças, caindo no chão de joelhos, e finalmente, entrando em sono profundo. Segundos depois sete anões apareceram e levaram o corpo de Adão para um caixão de vidro, onde ele deveria esperar pelo beijo de amor verdadeiro de seu amado.



Cambaaaaaaaaaadaaa, eis o fim de mais um Contos de Duendes, e sim, eu sei que demorou, mas gostei deste... fazia muito tempo que não tinham uma coisa assim aqui no blog... eu juro que não uso drogas.

Enfim, a moral da história: "Príncipes encantados não gostam de cobras, só de pintos.".

E é isso. Semana que vem tem mais (ou não), então boa semana procêis.

See ya!


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domingo, 22 de abril de 2012

Porquês e Afins: Papai me deu uma bota Gucci para marchar

 Aaaaaaaaeeeeewww cambaaaaaaaadddddaaaaa!!!!!!

Pois bem, o post está ligeiramente atrasado, considerando que já é domingo, mas não tem problema. Não há muito o que falar aqui, nenhum recado, nenhuma informação... pergunto-me até quando. Mas enfim, sem mais delongas, ao post!

Vamulá!!!


Da inocência à consciência

Recentemente temos visto crescer a quantidade de protestos, a maioria em forma de passeatas urbanas, para foder ainda mais com o trânsito nas cidades, e por um lado isso é ótimo: uma parte da sociedade se deu conta de que não concorda com alguma coisa, e está lutando pelo que quer. Por outro lado, a coisa está indo de mal à pior.

É realmente bom que as pessoas estejam conseguindo mais informações, mesmo que jogadas aos montes na sua cara, e que, mesmo com um filtro mínimo, consigam separar um pouco o que é bom do que é ruim. Claro, de forma totalmente distorcida, com informações erradas e um quase que total descaso pela "verdade", mas ainda sim é um avanço se formos levar em conta que 5 anos atrás, boa parte da população pertencia à classe D e não podiam financiar um Uno em 60 vezes.

Sim, há várias coisas que poderiam ser citadas e debatidas apenas nesto tópico, afinal, o Uno é um bom meio de transporte e tals, mas porra, tem outros muito melhores por aí. A questão aqui é outra, ligeiramente diferente: em questão de pouco tempo passamos da omissão e do "não vai adiantar anda mesmo" para uma mobilização pública, que, relativamente, tem uma boa quantidade de gente, e incrivelmente, não só os filhos de papai estão envolvidos, levando os filhos de mãe solteira juntos, mas os filhos de pai nenhum e os filhos de pais que não-entendem-como-minha-vida-é-uma-droga-e-não-me-aceitam-como-eu-sou também estão entrando na onda... daqui à pouco vão falar de paz mundial, pode esperar.


Direitos... e só

Que o ser humano é folgado e interesseiro todos sabemos, bem como sabemos que o Brasil tem um talento incrível para a arte da negligência e da vagabundagem, e bem, algo não se muda algo (praticamente) intrínseco de uma hora para outra, leva décadas, até mesmo milênios, e nestes últimos 5 séculos, o Brasil passou por muita coisa. E, por fim, chegamos ao "hoje", em que a influência intercultural está cada vez maior.

Em suma, graças à nossos amigos gringos, passamos a acreditar que o mundo é um arco-íris de 8 cores, e que é nosso direito que ele volte a ter apenas 7. Igualmente acreditamos que é nosso direito que todo o universo seja perfeito para cada um de nós... uma utopia (literalmente) universal, em que temos o direito de ter dever algum.


Marcha soldado

Notaram que tivemos vários "movimentos" nos últimos tempos? Movimentos pela economia, pelos direitos da mulher, pela igualdade, pelas drogas, pela moradias, pelas drogas, pelas moradias, , pela segurança, pela educação, pela violência, pela educação, pelo tráfico, pelas baleias, pelo aquecimento global, pela política, pelos rios, pela qualidade de vida e, se bobear, pelo direito de prostitutas receberem décimo terceiro. Em todos estes movimentos (não só no Brasil, mas em todo o mundo), todo mundo reivindica algo, mas não quer abrir mão de absolutamente nada.

Entendam, eu quero um mundo e um país melhor para viver. Ok, meus motivos são ligeiramente deturpados e egoístas, mas de certa forma, meus objetivos e os das outras pessoas são os mesmos. Acontece que essa masturbação toda chegou à um nível tão grande, que as pessoas sequer lavam as mãos depois de gozar. É tipo um concurso de punheta, onde 3500 japoneses ficam assistindo hentai e tem a meta de gozar e limpar a porra na toalha do outro, sem que este note.


Louis

O mundo não é perfeito, e todos afirmam isso, mas insistem em pensar que não há governos, guerras, diferenças, religiões e bilhões de outras coisas (incluindo a própria natureza) que impedem terminantemente  a paz mundial. Temos misses magrelas e artificiais dizendo que obesos depressivos são iguais à elas, e os gordos suicidas acreditam!

Uma coisa possibilitou à natureza (e por consequência, a humanidade) chegar ao que chegou hoje: a evolução. Saímos de seres unicelulares, crescemos, fomos para terra, passamos pelo frio e pelo calor, o continente se dividiu, o mundo mudou e agora, alguns bilhões de anos depois, cá estamos. A evolução se baseia em três coisas: a necessidade de se adaptar o meio ambiente, a seleção dos seres mais aptos para evoluir e a capacidade de passar esses "dados" para seus decententes. Numa única frase: a evolução só existe por causa das diferenças.

Acreditem, se todas as células fossem verdes, triangulares e sorridentes, não estaríamos aqui. Se não fosse pela diferenciação individuas, entre raças, culturas, órgãos, capacidade de adaptação e um pouco de sorte, o mundo seria completamente desolado, e quando eu digo "desolado", quero dizer "não há absolutamente vida nenhuma nesta porra". Você só está aqui porque seu tio-tataravô de terceiro grau não pegou mau olhado e bateu as botas, e você só não tem uma vizinha gostosa agora porque a bisavó da prima dela pegou a peste.

O mundo é assim, e não são constituições, leis, debates, reclamações, reinvindicações e direitos políticos e civis que irão mudar isso. Pessoas são diferentes, independente de religião, cargo, nacionalidade, orientação sexual, classe social e remuneração. Você está vivo porque o Jorge morreu, a Aline está morrendo porque a Giovanna está com o pé do lado de lá e quer você goste ou não, o mundo é assim, e nada que você faça vai mudar isso.


Rosas e cápsulas

Em algum lugar neste blog inútil, falei sobre guerras, utopias e coisas do tipo, mas a preguiça e a falta de memória me impedem de ir procurar (e linkar) tais posts. Mas para não ficar chato, e dar mais sustância para este post, farei um resumo da obra: guerra é inevitável porque as pessoas sempre foram, são e sempre serão diferentes, o que faz com que elas discordem em um monte de coisas, e na falta de argumentos, apelam para o ataque físico, o que, se acontecesse de novo, seria a solução para todos os problemas de superpopulação do mundo. E o ponto principal disso tudo: o ser humano gosta de guerra. Não passarei outros parágrafos explicando/defendendo isso, uma vez que já o fiz em outros posts, mas a base é essa: estaremos sempre em guerra e gostamos de estar sempre em guerra.

Não sei se já deu para notar, mas não gosto de citações diretas, então digo-lhes assim: há uma famosa frase de Einstein que diz que a quarta guerra mundial será com pedras e paus. De forma bem simples, é uma frase genial, mesmo quase 60 anos depois que ele já morreu. Porém de nada importa pensar na quarta, sem pensar na terceira, algo que jogos, estrategistas, terroristas, RPGs e filmes já fizeram aos montes (para não falar daqueles malucos babacas que acham realmente incrível uma guerra acontecer). De certa forma, todos eles tem coisas em comum: um personagem principal que milagrosamente não morre, bombas atômicas, armas grandes de munição infinita, tiroteios, monumentos histórios explodindo, um romance idiota, cena de fulga e, claro, alguma "enorme catástrofe" que faz o herói virar de fato o herói.

Meus caros, esqueçam bombas atômicas, esqueçam combates de campo, esqueçam armas individuais, e esqueçam algum ator "bonito" comendo uma magrela, já que nada disso vai acontecer. Caso de na telha da Europa e Estados Unidos iniciarem outra guerra (porque sério, sem eles o mundo seria incrivelmente calmo), seria uma coisa completamente... covarde. Nada de espionagem, movimentação de tropas e o caralho, a questão principal seria o tempo: quem lança mais rápido alguma bomba que destrua seus inimigos. E de novo, nada disso aqui:

Seria uma guerra à distância e, de certo modo, limpa. Não há sentido e destruir seu inimigo, se os efeitos colaterais do seu próprio ataque te afetam. Haveria milhões de mortes? Sim, mas nem 10% delas seriam numa batalha, com um exército de cada lado e vença o melhor, aliás, duvido que até mesmo tenham batalhas: é mais provável que navios e aviões sejam usados para ataques à distância simples, e grandes "troços" (na onda de teoria da conspiração, tipo o HAARP) para grandes e importantes ataques. Seria uma guerra rápida, potente, sem grandes efeitos colaterais, com realmente muitas mortes e que deixaria o mundo em estado de desolação, uma vez que a probabilidade de nego se atacar mutuamente é alta.

E por que toda essa análise?


Por causa dos umbigos

"Nos bons e velhos tempos" uma guerra se dava porque um país invadia o outro, porque pessoas eram sequestradas e mortas, porque políticos brigavam para ver quem roubava mais e porque os alemães estavam cansados de suas rotinas de comer salsichão e beber cerveja. Entretanto, creio que a terceira guerra não seria por algum desses... "motivos maiores", mas sim porque as "minorias" se juntariam, formando a maioria, e, usando a promessa (e a desculpa) de um mundo mais justo, paciente, respeitoso, alegre, verde, equilibrado, produtivo e pacífico, para iniciar a guerra... algo como "os conservadores preconceituosos VS os liberais oprimidos".

Vejam bem, é uma guerra fadada ao fracasso: digamos que as minorias ganham a guerra. Seria questão de tempo para que estas minorias voltem-se umas contras as outras, afinal, neo nazistas e judeus são minorias em relação ao mundo todo, mas teriam de se juntar para conseguir vencer a parada. E isso jamais aconteceria. As pessoas pedem um mundo justo, mas o ponto é que não é possível ter um mundo justo para todo mundo: no fim, alguém se fode. Também já falei isso em outro post que não vou procurar, mas a ideia é realmente muito simples: para você ser feliz, alguém tem que ser infeliz. Como eu disse alí em cima, sempre haverão diferenças, e estas são inconciliáveis. Todos lutam "juntos" por um mundo justo e alegre que não existe, e vão culpar (com certa razão) uns aos outros por isso, e depois das minorias terem destruído o mundo, se atacarão com pedrinhas e gravetos, para ver quem leva a melhor.


Rise and rise again until lambs become lions

Eis que chegamos ao tópico que retoma o início do post. Já notaram a quantidade de protestos das minorias que vem acontecendo no mundo todo? São sobre tudo, e o mais impressionante é que nenhuma delas sequer se preocupa de fato em ter uma visão realista e verdadeiramente ampla da coisa. Ainda em mais um post, falei sobre aquele velho chavão "a ignorância é uma benção", e é verdade, se é muito maiz feliz sendo burro, pelo menos até o ponto em que você decide que não quer mais ser burro, e resolve se meter em coisas sobre as quais você não entende nada, e aí, meus caros, misericórdia não é uma opção.

Temos marchas, movimentos, manifestações, caminhadas, greves, protestos, estirões, comícios e passeatas, todas pedindo algo, todas exigindo não ter de abrir mão de algo, todas querendo que algo seja feito, mas fica nisso: falam, andam, escrevem cartazes, fazem faixas, alguns megafones, uma jingle talvez, sem falar nas camisetas, as cruzes nas praias, queima de pneus, gente deitada se fazendo de morta e aquele mote, aquela famozíssima máxima: "queremos justiça".

E num balanço entre a omissão, o fazer vista grossa e o deixar para depois, nenhum dos lados ganha absolutamente nada, até que ambos encham o saco de vez, e resolvam partir das tosquíssimas "reinvindicações pacíficas" para a "justiça com as próprias mãos"... Sabem, o século XXI vai ser realmente interessante... chato, moralista, irritante, repetitivo e ignorante, mas ainda sim vai ser um belo espetáculo... basta alguém se tocar de que o único modo definitivo de resolver as coisas é aniquilando a oposição.


Minha conclusão

Cambaaaaaadaaaaaa fazia tempo que não rolava um post desse tipo por aqui, e devo dizer, estou ligeiramente orgulhoso de mim mesmo. Enfim, não sei nada sobre como será a semana que vem, mas os posts estão saindo com regularidade, e mesmo com as "reformas" atrasadas, a coisa está indo bem... nem tenho o que reclamar.

Mas então, como todo Porquês e Afins, este aqui tem uma questão fundamental que motiva o post, uma questão que por mais que eu me esforce, não consigo resolver... no máximo uma teoria meia boca, mas fica por aí, e este é o post é o reflexo de minha esperança: de que vocês iluminassem minha vida, mas claro, você não existem, logo, eu preciso de um médico especializado.

A questão-base deste post aqui é bem simples: qual a porra do problema que essas pessoas tem ao nomear seu movimento? Sério, já pararam para pensar nisso? Marcha da Maconha, Marcha das Vadias, Marcha Contra a Corrupção,  Ocupe Wall Street, Marcha para Jesus, Marcha pela Liberdade. Ok, concordo que Diretas Já não é o nome mais criativo do mundo, mas porra, isso aí tá cada vez pior! Sério que nenhuma dessas, sei lá, 700 mil pessoas, consegue criar algo minimamente mais... digno que isso? E olha que essa galera de história, publicidade, jornalismo (Né?), "redes sociais" e o caralho a quatro são os mais envolvidos. Todos muito politizados, muito respeitosos, cheios dos direitos, mas sem capacidade alguma pra levantar a mão e dar uma sugestão de nome. E nego ainda vem me dizer que é por um mundo melhor! Vadios.

See ya!
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domingo, 15 de abril de 2012

She’s Got

Aaaaeewwww cambaaaaaadaaaaaa!

Seguinte: estou quase que totalmente sem tempo neste fim de semana (são 1:55 da matina), e como Murphy já dizia, quando chega sua vez na fila da pipoca, a pipoca com manteiga já acabou, ou seja, estou com umas duas ou três boas ideias para posts, estou afim de escrever, porém o tempo fode o esquema todo, o que fará com que essas boas ideias sejam estragadas num dia que eu esteja sem saco para escrevê-las.

Tal como este e este posts, e toda a Era de Aquarius, este é um post totalmente sem compromisso, logo, será divertido fazê-lo... espero que gostem, talvez o estilo faça parte da "nova temporada" que está por vir... e sim, ela sairá, apesar de um terço do ano já ter passado. Enfim, divirtam-se.


Fui num bar com uns amigos, daqueles que fedem à cigarro e batom... o bar. Era grande, com algumas mesas de bilhar, pebolim, além, do balcão, poltronas, bancos e aquela meia luz que te faz errar as tacadas. Aliás, por que a luz fica tão baixa, logo acima da mesa?

Entramos, pegamos uma cerveja, uma, duas, três partidas, conversa, nada de mais. "Vamos ver as garotas" disseram, e se viraram, no famoso exercício de checar um buffet que você não pode pagar. Uma passou na nossa frente, vestido colado, curto, bem curto; a outra passou longe, sentou numa mesa, com outra amiga; uma terceira não passou, ficou onde estava, conversando em 45 com um cara de camisa rosa. Pelo jeito escolhemos o dia errado para ir, todos que foram contavam grandes histórias do local e de suas frequentadoras... com direito à duplo sentido.

Decidimos nos separar, metade foi pro balcão, outra parte foi para um dos tais "lounges", eu fui pra mesa de truco. Não tem que fazer bico para falar "truco". Mão de onze, a mulher e outro cara levaram, não tinha próximo, então entrei com outro que também tava olhando o jogo. Era vez da mulher dar as cartas, embaralhou, mandou cortar, distribuiu. Um quatro, um rei e um sete: maço do caralho que a desgraçada fez. Fugimos. Dois um; dois dois; cinco dois; sete nove; dez dez, truco. Levantou, gritou, fez pose, xingou e isso não podia ficar assim, então fomos: primeira nossa, segunda deles, joguei meu dois, o cara jogou um seis, meu parceiro mandou o três, era a vez dela, um valete, que por pura coincidência era espadilha.

A filha da puta pulou nos braços do outro babaca, apontou, riu e tudo mais, mas tem que aguentar, foi justo... na medida que truco pode ser justo. Ela estava de preto, menos o sapato, "preto fosco" como identificou meu parceiro de jogo, aquelas meias grandes e cinta-liga. A desgraçada usava uma saia mais curta que um cinto, espartilho, a coisa toda, e como não poderia deixar de ser, todo o balcão olhava para ela pulando. Me sacaneou no truco, vestida daquele jeito... gostei, e queria revanche.

Ganhamos de doze à oito, foi nossa vez de apontar e rir alto, então fomos para a negra. A coisa tava tensa: era uma questão de honra que a gente ganhasse aquela, mas por outro lado, todo mundo queria vê-la pular de novo. O jogo foi aos poucos, sem grandes riscos, nenhum truco, nenhum grito, só de um em um, por garantia, até que finalmente chegamos na mão de onze. Onze pra gente, dez pra eles. Levamos a primeira, deixamos a segunda, pica-fumo do parceiro, um três, outro três dela, e eu, o pé, colei na testa.

Ganhamos limpo, acreditem ou não, e eles reconheceram isso, ela nos abraçou, me abraçou, e foi pro balcão. Fiquei alí parado, só pensando no jogo, olhando o que ela fazia. Vagabunda total, notei que tinha uma tatuagem na perna esquerda, uma arma no coldre, e um "LP" no braço direito. Devia ser um Luiz Paulo ou qualquer apelido de malandro que já foi pra cadeia, mas pra mim era mais que long play, era Les Paul, e isso já era um motivo pra ir até ela. Pedi o mesmo que ela, "bom jogo", eu disse, ou talvez tenha sido "ganhamos", não importa. O que importa é que ela olhou pra mim, piscou e me levou para a parte de trás do bar.

Rasguei sem querer a meia dela, já que a cinta não soltava de jeito nenhum, mas acho que ela nem ligou. Saimos um de cada vez, fui procurar os amigos e perdi ela de vista. Não contei pra eles, bando de paus no cu, falando sobre trabalho e pensão, e eles nem iam acreditar mesmo... ela fazia jus as roupas que usava inclusive... será que ela tinha ido embora?

Não, achei, fui falar com ela. Fomos pra outro lugar... ela me disse que aquela tinha sido a primeira vez dela. Claro que era mentira, mas concordei... quem não concordaria? Ela realmente sabia o que estava fazendo... a garota da portaria me olhou com uma cara de impressionada quando saimos. Eu diria que o mérito foi meio a meio. "E se...?" eu perguntei, e ela disse que nunca tinha acontecido... ah, a contradição... mas pra mim isso era bom. Nos vimos várias vezes por algumas semanas, até que ela disse que ia se mudar e merda, eu gostava daquela vadia!

Eu sei que todo mundo já tinha estado onde eu estava, mas mesmo assim... naquele meio tempo descobri que a tatuagem era uma Colt do século XIX, que ela era fã de Guns e que odiava camisinha. Fomos feitos um pro outro, e ainda sim ela tava alí, deitada do meu lado, sem roupa, falando que ia pra sei lá onde, numa clínica pra qualquer coisa. Fizemos mais três vezes naquela noite, e peguei no sono... merda, eu nem falei com ela, ela só gemia e chorava.

Acordei no dia seguinte, bem de manhã, e tava lá no lençol, a mancha... eu nem sabia qual delas era, mas nada que é amarelo é bom, e a filha da puta passou pra mim! E sumiu! E eu tinha que manter uma reputação, como é que eu fico se a coisa espalha, e dizem que a via foi ao contrário, que a culpa foi minha? 

Voltamos naquele bar alguns dias depois. Já tinha ido no médico, mas espalhei pros caras que a vagabunda me passou o troço e desvaneceu da face da Terra... ela era gostosa pra caralho, mas que se foda, não sou eu que vou ter filho pra criar. E os babacas tavam perguntando pro cara do bar se isso passa mãe pra filho! Resolvi largá-los e ir procurar coisa pra fazer: por costume ou por, qualquer outra coisa, fui ver a mesa de truco. Tinha uma outra garota lá, ruiva, jogando com outros três caras... foda-se, fui jogar poker.
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sábado, 7 de abril de 2012

Top X Idiotices para escrever no gesso

 Aaaaaaaaaaaaaaaaaaeeeeewwww cambaaaaaaaadaaaaaaaaa!!!!!!

E sim, faz um bom tempo que eu não falava isso e, devo dizer, estava fazendo falta. Ainda na questão de clássicos bloguísticos deste blog, devo acrescentar que não faço a mínima ideia do que falar (ou escrever) hoje, e que também não há nenhum recado relevante... um dia clássico, como podem notar.

...

Mas eis que dentre minha coleção de temas-reserva encontro alguma coisa interessante e, pela primeira vez em quase cinco meses, teremos um Top X!!! Então, sem mais delongas, ao post!

Simbora!!!


Leite para ficar forte

Como toda criança cuja infância não foi baseada na nova temporada de Malhação, minha vida se resumia à brincar, o que gastava muita energia, e por consequência me fazia comer e beber, e dentre as bebidas, uma realmente importante era o leite: aquele troço branco que sai das vacas, cabras, búfalas e avestruzes. O leite, como creio que todos sabem, é um alimento rico em cálcio, que é responsável pela formação e fortificação dos ossos, o que significa que se você beber muite leite, você vira o Wolverine. Mas, é claro, não é algo que acontece de um dia para o outro, é um processo demorado, que leva muitos e muitos anos de aperfeiçoamento, e nesse meio tempo, fraturas são coisas quase que inevitáveis. 


1 - O seu nome

Caso você tenha algum nome tosco tipo, sei lá... Vinicius, escrevê-lo no gesso do seu amigo é um lembrete de que ele se fodeu. É claro que uma assinatura pequena, num canto, não faz mal algum, então é seu dever chegar primeiro e escrever seu nome, em letras garrafais, tomando o maior espaço possível, o que não só irrita seu amigo, como também impossibilida que pessoas mais legais e chatas escrevam alguma coisa sem graça. 


2 - Fazer uma seta e xingar a pessoa

Ou se você for bom de desenho...

Esse é um clássico, idiota, é verdade, mas ainda sim efetivo, principalmente com as mulheres. Acontece que o grande motivo por isso estar aqui, não é o seu xingamento, mas sim o enorme potencial filho da putisticamente que este ato tem. Tudo que você precisa é de uma caneta e outros amigos tão cuzões quanto você, você faz a seta, coloca um xingamento, e acrescenta algo como "coloque seu xingamento também", e passa a caneta para o próximo na fila. Em questão de minutos, o infeliz portador do gesso estará dizendo para todo mundo o quão viado, burro, arrombado, trouxa, babaca, bicha, ignorante e retardado ele é. 


3 - Fazer um depoimento à la Orkut

Eu sei que é difícil acreditar, mas o Orkut já foi bem diferente do que é hoje em dia. Ouve um tempo em que o máximo que se coseguia eram recados, depoimentos e trocas de putarias em comunidades, e bem, nessa época era algo totalmente normal. Mas como nada na vida é para sempre, o Orkut mudou, e vieram os scripts, os depoimentos prontos, os jogos, mudanças de aparência e afins, e foi mais ou menos nessa época em que o Orkut nos brindou com dezenas de milhares de idiotices, além da "Sorte do Dia".

Pois bem, passado essa parte, uma coisa que as pessoas atualmente costumam odiar são as coisas que a lembrou do Orkut, então é seu dever lembrá-las disso: escolha as piores frases, faça "gifs", use miguxes, enfim, use seu talento para foder totalmente com a alegria do engessado. 


4 - Escrever como outra pessoa

Das muitas artes que o ser humano desenvolveu, poucas são tão simples e efetivas quanto a falsificação de identidade. Não precisa ser como uma mulher gostosa, um traveco ou nada do tipo, mas uma simples confissão de amor como se fosse uma terceira pessoa conhecida já é o suficiente para que uma CPI seja armada.

O incrível desta técnica é que além de ser muito simples e sacanear com a vida de um monte de pessoas de uma vez, você ainda pode fazer com que todas as outras mensagens deixadas no gesso sejam de pessoas indignadas, afinal, deste quando o Carlos tá pegando a namorada baranga do Jorge?


5 - Desenhar

Há milhares e milhares de anos o ser humano (ou o mais próximo disso possível) desenvolveu a "pintura rupestre" e incrívelmente mantemos essa característica até os dias de hoje. Pode-se desenhar qualquer coisa num gesso, desde o modo que a pessoa ganhou aquele gesso até uma caricatura da mesma pessoa. Aliás, é uma boa oportunidade para você, pobre covarde, de fazer uma incrível e magnífica tatuagem de canetinha, o que lhe trará fama, dinheiro e mulheres entre as minas da escola.


6 - Mensagens informativas acerca da sua condição

Obviamente que quando você quebra uma parte do corpo, e a envolve numa camada grossa de gazes e pó, a parte coberta perde os movimentos, para que você não tenha um "L" no seu antebraço. Tal saúde tem um preço, e esse preço se resume à se tornar ainda mais inútil: dependendo de onde você quebrar, não poderá pegar nada, não poderá fazer força, não poderá andar, não poderá digitar, não poderá fazer tarefas domiciliares e não poderá bater punheta.

Como todos temos algum amigo consciente, este sempre estará preparado para auxiliá-lo, dizendo para todo mundo o que você não pode fazer, mas tem vergonha de pedir. É, de fato, uma tarefa nobre por parte do amigo, que irá deixar sua vida mais fácil... talvez você até arranje uma namorada... 


7 - Seu telefone... e os serviços que você presta

 Liguem e digam o que deu.

Eis um clássico de portas de banheiro público, mas que pode facilmente ser aplicado no gesso alheio. Não sei vocês, mas sempre que tenho um jornal em mãos (o que é raro na verdade), vou checar os classificados (depois das tirinhas), e claro, a maior quantidade é sempre de serviços oferecidos por gostosíssimas e discretíssimas acompanhantes... ou massagistas, como preferirem.

O texto deve ser curto e fácil de ler, porém deve deixar claro o serviço oferecido. De preferência, deve ser exposto na parte da frente do gesso, afinal, é para quem vê de longe e não de perto. Um detalhe importante é acerca do contato: nunca coloque "tratar aqui", mas sim o número de telefone (de preferência, residencial, já que se a pessoa não estiver, algum parente pode atender e passar o recado), além de acrescentar um "não aceito número restrito", afinal segurança é muito importante. 


8 - Uma declaração de amor

Apesar de toda a brincadeira envolvida, um gesso é um bom local para dizer o quanto você gosta de alguém, seja para realizar atos não cristãos seja apenas um "te considero pra caralho" de amigo para amigo. Sim, é verdade que o gesso é algo temporário, mas tal como as camisetas assinadas por toda a classe, é algo que a pessoa irá se lembrar, do mesmo jeito que irá se lembrar que dar grind numa escada de 12 lances é ligeiramente difícil.

É claro, você pode fazer um combo, juntando esta com a número 5 e a 1, deixando claro que o Abelardo é todo seu, e que nenhuma piranha mal comida vai roubá-lo de você, mas isso é apenas uma das muitas e muitas combinações que podem ser feitas. Apenas não faça um combo com a número 4, afinal, quem seria tão maldoso e sem coração à este ponto?




9 - Mural de recados e avisos

Sendo o gesso um troço branco e grande que você deve carregar por aí por algum tempo, nada mais justo que utilizá-lo para, ao menos por algumas semanas, deixar sua vida organizada. Basta uma simples tabela, os horários e pronto, você já pode dizer para todo mundo o quão sozinho e vagabundo você é, já que sua agenda está completamente vazia.

Você ainda pode fazer uma linha do tempo, um lembrete ou até mesmo estampar um "SIM, SUA ANTA, EU QUEBREI O BRAÇO", o que lhe poupará alguns minutos de conversa com tios e professores idiotas. Aliás, taí a ideia: escreva exatamente o que aconteceu com você, quanto tempo derá de ficar com o gesso e reclame da coceira e do calor, e pronto, não terá de explicar mais nada para ninguém.


10 - Desenhar um pinto

Porque, na real, é o que todos faremos.



11 - Preenchê-lo você mesmo

No fim, eis a conclusão mais saudável: você deve preencher totalmente seu próprio gesso, uma vez que se depender de qualquer outra pessoa, você irá se foder. Na internet é vários exemplos de desenhos/composições/artes que você pode fazer caso tenha a criatividade de uma pulga... aliás, é um tanto quanto chato preencher o próprio gesso... enfim, não é a primeira coisa que você quebra e definitivamente não será a última... e depois, sempre dá para passar corretivo.


Minha conclusão

Quebrar uma parte do corpo nunca é divertido. Pode ser divertido o que você estava fazendo antes e pode ser divertido o que escrevem no gesso (caso você não morra), mas o ato em si não é a definição de legal. Todos nós temos amigos filhos da puta, prontos para sacanearem com a sua vida, e um desses jeito é deixar uma marca no gesso, com o qual você terá de conviver por algum tempo, mas no fim das contas, você (e eles) irão se divertir com a coisa toda. Claro, você terá um braço mais claro que o outro e bem provavelmente alguém na rua irá achar que você é um refugiado venezuelano que pretende comer todas as putas de Copacabana, mas é um preço baixo à se pagar (ou quase).

Estando do outro lado, o de quem escreve no gesso, a coisa muda um pouco: é legal sacanear com seus amigos, mas se ele te bater com aquilo, doi nos dois... e aí você terá um gesso totalmente novo para escrever. Ainda sim, você pode escolher entre ser pau no cu, e ser sem graça, portanto, a melhor opção é ficar em cima do muro: sacaneie o desgraçado como se fosse outra pessoa e escreva seu nome de verdade, usando canetas diferentes... e suma com os corretivos numa área de 3 km.

Enfim, mais um sábado, mais um post... fazia tempo que não tinha um post nos velhos moldes aqui... e vou ter que decidir o que farei com a Era de Aquarius, a qual vocês, bando de filhos da puta, sequer leram... incrível como quase 3 anos depois ainda consigo me decepcionar com vocês, leitores imaginários. E não, eu nunca quebrei nada.

See ya!
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