domingo, 29 de abril de 2012

Contos de Duendes: Gênesis de Fadas

 Aaaaaaaaaaaaeeeewwwwwwww cambaaaaaaaaaadaaaaaa!!!!

Então, é domingo, terça é feriado, segunda vai emendar e sábado já foi, e sabem o que tiramos disso, além do fato que terá um monte de idiota indo para a praia e ficando 18 horas no trânsito?

...

Sim, que o post está atrasado. E o motivo é um velho conhecido de todos: não tenho a mínima ideia do que escrever.

...

Mas graças aos arquivos de ideias, finalmente arranjei uma ideia, e, quem diria, é um Conto de Duendes!

Simbora!!!


No início, Deus:

Estava se sentindo muito solitário: ele já havia criado o Universo, e havia acabado de terminar mais um planeta, cheio de árvores, animais, com oceanos e mais um monte de coisa do balacobaco. Apesar dos seus trilhões de criações, faltava uma, que deveria ocupar um lugar especial, não só para a história do Universo, mas como para Deus. 

Eis que ele tem uma ideia genial. Ele já havia trabalhado bastante nos últimos cinco dias (Criar um mundo é uma tarefa exaustiva sabem), mas resolveu fazer um esforcinho: criou uma fôrma, com braços, pernas, olhos e tudo que tem direito:

Jogou os ingredientes na forma e bateu tudo:

E assim nasceu o homem, e Deus lhe chamou Adão.

No começo de sua vida, Adão estava achando tudo maravilhoso: os rios, os animais, as cachoeiras e as noites estreladas e assim foi por um bom tempo. Adão acordava de manhã, ia se exercitar, conversava com os esquilos e as gralhas, voltava, comia uma pera... eram dias pacatos, que faziam Adão pensar o quão incrível era sua vida.

Porém, passado algum tempo, Adão começou a agir estranho, e isso preocupou Deus, afinal, Adão era sua mais recente e incrível criação, e mesmo estando atarefado, Deus deveria cuidar para que Adão tivesse uma boa vida. Certo dia, cansado de ver Adão cabisbaixo, o Criador resolveu por fim lhe perguntar o que caralhos estava rolando, e foi aí que deu um click: Adão não tinha pinto.

Mas era óbvio! Todos os animais (exceto as fêmeas) tinham um, só Adão que não, e com certeza não era fácil para o pobrezinho ser o único em todo o Éden. Deus então, na calada da noite, trabalhou, desenvolveu e projetou. No dia seguinte, Adão acordou, lavou o rosto, espreguiçou-se e foi no banheiro:

E todos os animais ouviram seu grito.

Demorou alguns segundos para que Adão se desse conta do que havia ocorrido. Após agradecer à Deus pelo presente, ele correu por todo o Éden, contando aos seus amigos animais sobre o que ganhara: Adão estava mais feliz do que jamais estivera, e isso alegrava Deus. Porém, o todo poderoso se deu conta de uma coisa: sua criação não era perfeita. Adão não estava satisfeito com a vida que Deus lhe dera, e as consequências caso Deus não fizesse nada seria terríveis, então foi a vez de Deus ficar triste.

Durante algum tempo Deus matutou sobre o acontecido, e Adão estava cada dia mais contente com seu pinto. Fazia apenas alguns dias que ele descobria que saia mais do que mijo do pinto, e desde então seus bíceps haviam aumentado muito mais do que quando ele levantava pedras. Foi então que Deus teve mais uma ideia: ele ainda tinha a fôrma, bastavam algumas alterações e aí sim ele teria uma criação perfeita.

E lá foi Deuz, fez as alterações necessárias na forma, trocou alguns ingredientes, mudou medidas: a base seria a mesma, mas desta vez ia dar certo, Deus ia finalmente ter uma criação perfeita. 

Após mais uma noite de trabalho incansável, ele havia terminado, e colocou-o no Jardim do Éden, para aprender com sua criação anterior. Era maior, mais forte, mas legal, mais bonito e mais inteligente que Adão, mas o ponto principal, ele estava totalmente satisfeito com sua existência e com sua vida. Deus chamou-o Ken, e para mostrar a Adão como a vida podia ser, não lhe deu um pinto.

Adão e Ken rapidamente ficaram amigos. Adão lhe ensinou sobre as estrelas, os peixes, os ventos e os pássaros, e Ken, por sua vez, ensinou Adão a ser mais paciente, mais calmo e como malhar sem distender os músculos. Não só Adão gostava de Ken, mas os animais idem, e a vida era boa no Jardin do Éden. E apesar de atarefado com outros planetas, galáxias e povos, Deus estava feliz com o que havia criado, e por muito tempo as coisas continuaram assim.

Entretanto, Deus melhor do que ninguém sabe que as coisas não duram para sempre, e notou um pequeno problema com Ken. Não que ele tivesse se machucado e nem nada disso, mas notou que Ken era um pouco curioso. Ken amava Adão como um irmão, e justamente por isso não podia deixar de se questionar porque Adão sumia de repente, e dalí alguns minutos voltava, com um sorriso no rosto.

Sim, Ken sabia que Adão tinham um pinto (afinal eles estavam pelados), e de forma alguma tinha inveja disso, e sabia também que o pinto servia para a reprodução, mas não sabia "como", e por consequência, não sabia quais outras serventias tinham um pinto (se é que tinha alguma outra). Ken estava decidido à descobrir porque Adão se ausentava, então resolveu seguí-lo, e a estratégia deu certo.

Ken então perguntou à Deus o que era aquilo, e Deus, ligeiramente envergonhado, lhe respondeu. Ken imediatamente relaxou, riu de si mesmo por preocuparse tanto com Adão, e para Deus isso foi uma demonstração de que Ken era de fato sua mais perfeita criação. Ken também perguntou porque Adão havia escondido aquilo dele, sendo que eram como irmãos, e Deus lhe respondeu novamente, talvez Adão tivesse vergonha, e por muito tempo o Éden ficou em paz.

Desde que criara Ken, Deus havia se ocupado de organizar todas as suas criações, o que significa que desde Ken, Deus não criara mais nada... uma ou duas coisinhas talvez, mas nenhum ser vivo, afinal, qual seria o ponto, se Ken estava bem e era perfeito? Deus entretanto estava entediado e cansado de sua rotina, e mesmo sabendo que era errado, resolveu mudá-la: procurou em todo o Universo por algo novo, e como não podia deixar de ser, chegou ao Éden, onde além de Adão e Ken havia apenas animais.

Pareceu um tanto errado à Deus: tantos outros lugares tinham bilhões de seres vivos da mesma espécie, mas Adão e Ken, suas duas melhores criações, viviam sozinhos, e mais importante ainda: ambos eram machos. Todos os outros seres vivos tinham seu par, algum até tinham os dois sexos ao mesmo tempo! Isso não poderia continuar assim, e mais uma vez Deus resolveu recorrer à velha fôrma.

E de novo Deus trabalho, mas não por, não por dois, mas por três dias, modelando, testando, acertando a fôrma, escolhendo novos materiais, preparando uma nova receita, e no fim do terceiro dia, Deus havia finalmente acabado, faltando apenas um último ingrediente para completar sua criação: uma costela de Ken. Sua criação ganhou vida, e tal como fez com quem, a colocou no Éden durante a noite, apenas esperando que Ken e Adão a encontrassem. A chamou Barbie.

E foi uma zona. Todos foram ver a nova moradora do Éden:

Inclusive Adão:

Mas Ken foi quem (foi sem querer) ficou mais impressionado. O que era? Por que Deus a mandou? Seria errado afirmar que ninguém no Éden conhecia o amor, já que todos alí se amavam, e Ken e Adão mais do que ninguém, mas o que Ken estava sentindo era mais do que a curiosidade de todos os outros, Ken estava apaixonado, apesar de não saber disso.

Diferentemente de Adão, Ken era mais tímido: enquanto um estava o tempo todo "perseguindo" Barbie, Ken se contentava em passar horas apenas olhando para ela. Eles tinham muito em comum: o amor pelos animais e pelas plantas, o gosto por nadar à noite... e Barbie, assim como Ken (e diferente de Adão), não tinha pinto. Tanto Adão quanto Ken entenderam isso muito rápido: todos os animais tinham seu par, e Barbie era o par deles.

Acima de tudo, Ken e Adão eram irmãos, e portanto não brigariam por uma... uma... pela Barbie, e tal como eles sabiam disso, ela também sabia, o que significava que seria dever dela escolher seu companheiro, uma vez que haviam dois pretendentes. 

Em pouco tempo, os dois (com a ajuda dos animais) ensinaram tudo à Barbie, mas tal como faltou à Ken, Barbie também não sabia nada (além do básico) sobre o pinto, e ela também estranhava os sumiços de Adão (que se tornaram mais frequentes desde a chegada dela). Ela, com a mesma curiosidade de Ken, queria saber mais, então, para não perguntar a Adão, perguntou à Ken, e este lhe explicou do mesmo modo que Deus havia lhe explicado.

Mas diferentemente de Ken, que compreendeu tudo, Barbie ficou ainda mais curiosa. Ken entendera porque apesar de não ter pinto, era muito parecido com Adão: gostavam das mesmas coisas, tinham as mesmas opiniões. Mas Barbie era diferente de ambos. Barbie tinha peitos, bunda grande, e por mais que falasse com os animais, não era a mesma coisa. Ela precisava saber mais, precisava ver!

Ela tinham um plano: seguiria Adão da próxima vez, e veria por sí mesma como era. Como sempre acontece nesses casos, demorou alguns dias para que Adão desse outra sumida, o que só serviu para deixar Barbie ainda mais curiosa à respeito da coisa toda. Mas num belo dia (como todos os outros no Éden na verdade), Adão sumiu, e Barbie foi atrás. Ela achou Adão atrás de umas rochas, soltando uns sons estranhos e...

Barbie não resistiu, foi falar com Adão, que tomou um enorme susto, e estava, além de envergonhado, prestes à dar uma explicação, mas ela o calou.

Barbie e Adão tiveram seu primeiro filho na primavera: uma enorme festa no Éden, e o segundo vei no ano seguinte. Deus não podia estar mais feliz: não só suas criações estavam bem, mas estavam criando uma família. As duas meninas eram paparicadas não só pelos pais, mas por todos os bichos, e assim aprenderam a amar a natureza e uma à outra: eram inseparáveis... tal como Adão e Ken foram um dia.

Ken não estava gostando nada daquela história: não só seu melhor amigo o havia traído, como a Barbie também, e já tinham filhos! Era um absurdo! Ken era melhor em tudo: mais bonito, mais inteligente, mais forte, mais rápido... mas não tinha um pinto. Por que Deus estava fazendo isso com ele? Era um completo absurdo, e a Barbie iria ver a merda que estava fazendo!

Ken foi falar com Deus, o questionou porque Barbie não o havia escolhido, mas Deus não respondeu. Ken era sua mais perfeita criação, mas via que ele estava se desviando do caminho que deveria seguir: Ken estava tomado pela inveja e pelo ódio, e Deus se culpava por isso. Ele fizeram Ken sem um pinto, ele fizera Barbie. Ken, vendo que Deus não tinha uma resposta para seus questionamentos, resolveu abandonar tudo, deixar o Éden. Pelo pouco de amor que ainda nutria por Barbie e Adão, não foi despedir-se, e o casal ficou sem saber o que ouvera com o amigo.

Enquanto Ken rumava para a saída do Éden, algo chamou sua atenção. Numa árvore, numa árvore, num canto havia uma cobra, e ela o chamava. Ken foi lá falar com ela, uma vez que nunca a vira no Jardim do Éden antes. Conversando com Ken, a cobra rapidamente notou o que acontecia, e bolou um plano: eles iriam fazer um acordo, que acabaria com a alegria de Adão e Barbie, assim Ken e a cobra conseguiriam tudo que sempre quiseram.

Ken, não tendo opção melhor e tomado pelo ódio, aceitou a proposta da cobra, que lhe explicou o plano: ele deveria partir do Éden, que ela ficaria alí, acertando as coisas para que seu terrível plano desse certo. Ken partiu, sabendo que só voltaria ao Jardim do Éden dalí à um bom tempo, mas antes de ir perguntou o nome de sua nova aliada: Eva.

Muitos anos se passaram. Adão e Barbie ficaram mais velhos, bem como os animais e as árvores, mas o Éden continuava belo como sempre. O que mais havia mudado entretanto eram as filhas de Adão e Barbie, já era moças crescidas agora, ajudavam os pais, e como não podia deixar de ser, cresceram ouvindo histórias sobre o tio Ken, do qual não tinham lembraça.

Mas é claro, as coisas mudam. Certo dia, Barbie mandou suas Polly (a mais velha) ir pegar algumas bananas, Susi por sua vez ficou encarregada das cerejas. Chegara a hora tão esperada de Eva executar seu plano: atraiu Polly para um canto, e a convenceu a pegar amoras no lugar das bananas. Quando enfim voltaram para casa, Susi notou a troca, e foi ter com sua irmã, que tentou lhe convencer de que amoras eram a fruta errada, mas Polly era irredutível, não aceitando nada que sua irmã lhe falava.

Neste momento, Eva se esgueirou por trás de Polly, e cochichando em seu ouvido, envenenou a mente de Polly contra sua própria irmã. Polly, cansada do sermão de Susi, deu ouvidos ao que Eva disse, e num movimento, jogou um monte de amoras na boca de Susi, que engasgada, caiu no chão, implorando pela ajuda da irmã. "Fuja" disse Eva, e Polly, aterrorisada pelo que tinha acabado de fazer, não pensou, e fugiu do Éden: o plano estava dando certo, agora era a vez de Ken.

Eva tomou cuidado para que Polly rumasse em direção à Ken, que há tempos já estava preparado para aquele dia. Desde que saira do Éden a vida tinha sido difícil, mas seja por força da vingança ou de ver mais uma vez Adão e Barbie, ele sobreviveu, a agora via Polly correndo em sua direção no horizonte.

Ken resgatou Polly, que desmaiara no deserto, e a levou para sua cabana. Cuidou dela, e quanto ela a acordou, controu-lhe sua história: ele era Ken, e morara no Éden junto com Adão e Barbie, mas Barbie o traiu com Adão, e este, invejoso, o expulsou do Éden. Polly compreendeu tudo: seus pais mentiram para ela o tempo todo, sempre preferiram Susi... Adão e Barbie tinham arruinado duas vidas, e deveriam pagar por isso.

Polly contou à Ken como estava o Éden, e que tinham uma amiga lá, que poderia lhes ajudar. Ken se fez de difícil, mas acabou por ceder: prepararam tudo para sua volta ao Jardim do Éden. Partiram em pouco mais de uma semana, com uma caminhada de dias no deserto pela frente, mas valeria à pena no final. Eles, juntos teriam o Éden para si, e assim povoariam o mundo, sem que seus filhos tivessem de sofrer as injustiças que eles sofreram.

Andaram por muito tempo, até que chegaram no Éden, e logo de cara notaram que algo estava errado: não viam nenhum animal, muito menos Barbie e Adão. Foi Eva quem os encontrou, e foi falar com eles. Polly apresentou-a para Ken, e ambos fingiram não se conhecer. Eva lhes contou o que tinha acontecido: Adão havia encontrado sua filha Susi morta, e Polly havia sumido. Tanto Adão quanto Barbie e os animais do Éden ficaram em luto por Susi, e ainda mais temerosos por Polly.

Desde então Adão vinha interrogando cada um dos animais do Éden, na esperança de saber o que havia ocorrido, mas nenhum deles tinha visto nada, e Eva era muito boa em se esconder. Mais uma vez a cobra repassou seu plano: Ken e Polly deveriam aparecer durante a reunião de todos os animais.

E assim fizeram: esperaram os animais se reunirem, e Adão começar à falar. Eva deu as últimas instruções, e se escondeu, para assistir de camarote. Quando Adão falou de Susi, Ken apareceu, para a supresa de todos alí. Adão, com Barbie ao seu lado, correram para saudar o amigo, que há muito não viam, mas tiveram de parar no meio do caminho: Ken apontava para eles, e proferiu, alto o suficiente para que todos alí ouvissem, "Barbie matou Susi".

Foi comoção geral, de completo espanto. Adão (e todos os bichos) viraram-se para Barbie, que estava ainda mais assustada que todos alí. Ela negou, negou tudo, e como não negaria? Esteve ao lado de Adão por todos aqueles anos, e Susi era sua filha! O que Ken estava falando era absurdo... e por que ele estava fazendo isso? Ficara tanto tempo fora, e volta de repente, a acusando de algo tão grave!

Deus, desde que vira que Adão, Barbie e Ken tinham uma boa vida focou suas atenções em outras coisas, mas a morte de Susi fez com que ele se voltasse para o Éden, e mesmo em silêncio, ele ficava observando o malígno plano de Eva dando certo: alguns começaram a se virar contra Barbie, e até mesmo Adão estava balançado.

Não havia outro jeito, Barbie tinha que se defender, tinha que defender sua família, e isso significava ir contra Ken. Ela disse à todos que ele estava mentindo, lembrou-os que ele sumiu há muito tempo, e que era realmente muito estranho ele retornar agora, sem provas e acusá-la de tal barbárie. Adão (e os animais) não sabiam o que fazer: quem estava falando a verdade? Se Barbie tivesse realmente... mas então por que Ken iria inventar tal história?

Ken notou que estava perdendo lugar, então era hora de seu trufo, o ponto máximo do plano de Eva: Polly. A garota chegou, e teve animal desmaiando. Adão e Barbie ficaram tão boquiabertos que nem Deus sabia que tal abertura de boca era possível. Polly entrou na roda em silêncio, segurou a mão de Ken, e disse em voz alta que era tudo verdade.

Ela vira tudo: Barbie tinha ciúmes de Susi com Adão, e resolveu livrar-se da concorrência, por isso mandou as filhas irem pegar frutas. Barbie atacou Susi pelas costas, obrigando-a a engolir as amoras, e Polly teria sido a próxima se não tivesse fugido... não fosse por Ken, ela estaria morta no deserto, e ninguém, incluindo Adão, jamais saberiam da perfídia de Barbie... mas agora todos sabiam.

Deus estava imobilizado em seu próprio espanto. Ele já sabia que tudo isso iria acontecer, mas ainda sim não acreditava que de fato estava acontecendo. Como não notara o que Ken e Polly haviam se tornado? Poderia ter salvo Susi, poderia ter evitado tudo aquilo, mas estava mais ocupado com outras coisas ao invés de olhar para as criações de que mais se orgulhava.

Adão estava possesso: sua esposa havia matado sua filha, seu melhor amigo havia surgido e lhe dado uma notícia terrível, e sua filha mais velha sabia de tudo. Aquilo já era demais, não poderia ficar assim: era necessário justiça, e justiça eles teriam.

 Barbie foi encurralada pelos animais. Adão olhava a cena, impotente... tão impotente quanto Deus. Ken e Polly se abraçavam, olhando fixamente para Barbie, que olhava a todos, com o mais puro terror. Adão não ficou para ver, correu, fugiu, mas não para fora do Éden, foi para longe, precisava falar com seu criador, precisava de explicações, de um tapinha nas costas. Polly e Ken não desviaram o olhar por um único momento. Nos últimos segundos, Barbie entendeu o que tinha ocorrido: Ken sempre a amou, mas ela escolheu Adão e não ele. Polly, assim como Ken, tivera inveja, cobiçava o que não tinha, e achando que mudaria alguma coisa, matou a própria irmã, mas não teve coragem de encarar seus pais e Deus. Longe dalí, Adão ouviu sua mulher gritar pela última vez.

Estava feito. Barbie pagara pelo que fizera, e agora, em profundo pesar, os animais pariam, uns para ir lamentar, os outros para se limpar. Para Ken e Polly o plano estava acabado: se vingaram de Barbie e Adão, e agora o Jardim do Éden era todo deles. Agora eles fariam as leis, não um leãos, um golfinho ou um tucano, mas eles dois, juntos, sem temer nada, nem mesmo Deus.

Adão estava exausto, tanto física quanto mentalmente. Havia parado na sombra de uma árvore, mas não conseguia pensar em nada. Naquele momento ouviu um sibilo acima de sua cabeça, e de um dos galhos da árvore, desceu uma cobra, perguntando-lhe o que havia acontecido. Adão nunca tinha visto esta cobra antes, mas aquilo não era hora de decidir se devia ou não responder: respondeu, contou tudo que havia ocorrido.

Embora que para Ken e Polly tudo havia terminado, para Eva ainda faltava uma parte do plano: acabar com Adão. E foi por isso que o convenceu de que Deus era o culpado por tudo aquilo. Deus havia ignorado todas as tentativas de Adão de se comunicar, em parte porque sabia que poderia ter evitado tudo aquilo, e não o fez, e em parte porque já sabia no que daria a coisa toda.

Foi então que Eva surgiu com uma nova ideia para Adão: havia uma árvore no Éden, que nenhum animal nunca chegava perto, cujo fruto poderia fazer com que Deus se arrependesse e salvasse Barbie. Adão desconfiou: morava no Éden há tanto tempo, e nunca ouvira nenhuma história sobre tal árvore... mas não tinha nada à perder.

Adão seguiu a cobra, e notou que nunca tinha estado naquele pedaço do Éden antes. No meio de uma clareira, havia uma árvore, uma macieira. A cobra subiu, se enrolou em um dos galhos, e esperou Adão a alcançar. Adão parou, impressionado pelo porte e pela beleza da árvore, e caminhou até Eva. Segundo ela, bastaria comer uma daquelas maçãs para que você tivesse direito à um pedido, concedido por Deus, sem contestação.

Adão pegou um dos frutos, olhou bem, cheirou, olhou para Eva, que acenava, afirmando que daria certo. Que mal poderia fazer? Mordeu a maçã, mastigou, engoliu. Deus entrou em pânico, Eva começou a gargalhar, e Adão não entendeu nada: por quê Deus estava tão preocupado? Ele não queria que Adão salvasse Eva? Deus, desesperado, olhou para Adão, que lhe exigiu seu pedido. Deus entretanto, que nunca havia mentido para ele, disse-lhe que não havia desejo algum, que Eva, a cobra, o havia enganado.

Adão olhou com ódio para Eva, e estava prestes a atacá-la, quando sentiu algo diferente. Deus já sabia o que iria ocorrer, e naquela altura, o mal já estava feito. Polly e Ken estavam agora se firmando como senhores do Éden, sendo saudados pelos animais, e Eva via Adão perdendo as forças, caindo no chão de joelhos, e finalmente, entrando em sono profundo. Segundos depois sete anões apareceram e levaram o corpo de Adão para um caixão de vidro, onde ele deveria esperar pelo beijo de amor verdadeiro de seu amado.



Cambaaaaaaaaaadaaa, eis o fim de mais um Contos de Duendes, e sim, eu sei que demorou, mas gostei deste... fazia muito tempo que não tinham uma coisa assim aqui no blog... eu juro que não uso drogas.

Enfim, a moral da história: "Príncipes encantados não gostam de cobras, só de pintos.".

E é isso. Semana que vem tem mais (ou não), então boa semana procêis.

See ya!


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