domingo, 29 de julho de 2012

Aprendendo a ser pai (ou mãe)

Senhores, nesta madrugada de sábado para domingo fiz dois posts: o primeiro estava realmente bom, mas o Blogger perdeu, e o segundo era uma tentativa idiota de reescrever o primeiro, e o Blogger perdeu esse também... vai ver não devo fazer este post... então, como mandam as tradições, farei mesmo assim.

No post original, eu dizia várias coisas acerca do blog, e aquele post começava mais ou menos assim: pela primeira vez, desde que comecei este blog, não me sinto incomodado com a falta de posts aqui. Pois é, tinha até uma piada idiota sobre "quanto tempo eu não posto". A realidade é que aquele post estava ficando tão bom, que seria errado vocês lerem algo daquele nível depois de tanto tempo sem nada para ler por aqui.

Mas voltando ao tema, sim, pela primeira vez essa falta de posts não me atrapalha e/ou irrita em nada, aliás, essa falta de posts faz muito bem para mim e para o próprio blog. No antigo post eu comparava a "vida" deste blog com a nossa: ele foi criança, foi adolescente e agora finalmente é adulto. Eu comparava também com gelatina, mas isso fica para outro dia (o que significa dizer que jamais ocorrerá novamente).

Nesses mais de três anos (quatro, em Maio do ano que vem!), o blog nasceu, e era completamente diferente do que é hoje, tinham um objetivo diferente: reclamar das coisas. E bem, todos sabemos que compri esse objetivo. Na adolescência, esse período tão legal e conturbado, que não por acaso foi o maior deste blog, a base era uma só: xingar as coisas e pessoas, e compri isso também, mas por mais legal que seja xingar tudo (E é realmente legal), chega um ponto em que isso passa, e para mim e para o blog, esse tempo passou.

Finalmente chegamos à uma maturidade aqui, eu e o blog, porque bem, um é consequência do outro. Não posso dizer que sou "o adulto que sempre quis ser", mas posso dizer que o blog é. Os temas dos posts mudaram, minha escrita mudou, as opiniões mudaram, os layouts mudaram, enfim, este blog, com três anos, é quase velho. E apesar de eu saber que há blogs com muito mais tempo que este, creio que este possa dizer que cumpriu todos os seus objetivos.

No antigo post, eu falava acerca dos títulos daqui, dos títulos dos posts, dos tópicos e subtítulos, das colunas, enfim, dos títulos, e de como eu gosto deles. Dizia também que os títulos dos posts são a última coisa que eu escrevo. E bem, eu não gosto só dos títulos, mas gosto do visual, gosto da variedade de temas e gosto dos peixes no fim da página.

Aliás, algo que sempre quis, e consegui, foi criar uma "cultura interna" para o blog, ou seja, um conjunto de costumes, piadas, palavrões e "trejeitos" próprios, que caracterizassem o blog. Temos o tradicional "aew cambada" no começo dos posts, o clássico "see ya!" no final, algumas piadas recorrentes, o costume de botar horário nos posts, o "minha conclusão", e a lista continua. São esses pequenos detalhes que dão particularidade à um blog, todas elas vão muito bem por aqui.

No outro post eu também falava acerca do "sucesso" do blog, citando número de visitas e visualizações, bem como a orgulhosamente elevada taxa de rejeição, mas deixando de lado os números, a questão é que este blog é "grande". Claro que como todo mundo, como comecei, "sonhava" com um blog "grande" e de sucesso, mas com o passar do tempo notei que isso realmente não importava: se uma única pessoa tirou proveito de qualquer coisa que escrevi aqui, e essa coisa serviu para fazê-la pensar, mesmo que pouco, já valeu à pena.

Por mais que, durante um tempo, eu tenha dito que tinha sim leitores, digo com certa felicidade que não, que tenho apenas os bons e velhos leitores imaginários. Ou seja, vocês. Não há como comparar, mas creio sinceramente que a falta de "sucesso" deste blog foi muito bom para ele. As coisas seriam completamente diferentes do que são hoje, poderiam ser melhores ou piores, mas não iguais, e eu realmente gosto de como ele está hoje, e de como chegou aqui.

E neste "como está hoje", voltamos para o começo do post: este blog finalmente cresceu. A infância é, de fato, aquela "magia" toda, a adolescência é um saco, mas é uma época incrível, e a (suposta) maturidade é um período de calmaria e, como tantas vezes frisei, de equilíbrio. Como isso se aplica? Bem, chega de posts por "brincadeira", chega de posts só para xingar algo, chega de grandes análises de coisas. Tudo isso já foi, e foi incrível, mas não é mais a realidade. Não que as brincadeiras devam morrer e que o determinismo e conformismo devem reinar, mas não há mais o... ímpeto de antes.

Tudo, daqui para frente, é diferente. Não é mais uma época para aprender coisas novas (apesar que aprender coisas novas sempre é muito bom), de grandes revoluções. Daqui para frente não é "mudar", "criar", mas apenas adicionar: os que mais vier é lucro, e não base. Os posts, a partir de agora, serão escritos porque merecem ser escritos e porque merecem ser lidos. Isso não os isenta de ler os posts anteriores, mas aviso desde já que os melhores posts estão por vir. Não os mais revolucionários e ambiciosos, mas os mais bem escritos.

Nesses três anos, muita coisa passou por aqui, de teorias cientificamente embasadas até estórias completamente sem nexo e sentido, e acreditem, foi legal escrever tais coisas. Cansativo e demorado, é verdade, já que cada post aqui leva muito tempo e requer muita dedicação, mas gostei de os escrever, ainda que goste mais de uns que de outros. A questão é que, eventualmente haverão posts gigantescos, posts indignados, posts xingando coisas e posts que me comprariam uma passagem de ia para os braços da camisa de força, mas bem, já dizia Clarice Lispector: "nada do que foi será, de novo do jeito que já foi antes da Libertadores do Corinthians".

Enquanto eu escrevia o post original (a tentativa de reescrevê-lo não, já que, admito, estava totalmente desolado por ter perdido o original), pensava comigo mesmo se este não era um post de despedida, no qual eu diria "o blog nasceu, cresceu, plantou uma árvore, escreveu um livro, teve 12 filhos e agora está esperando a visita do Fantasma do Natal Futuro". Mas já enquanto o escrevia, pensava que não, e de fato havia planejado falar que o blog não acabaria, no fim do post. Entretanto, pergunto-me agora se essa escolha não era mais por costume e apego do que por dever, responsabilidade ou puro "não quero que morra".

Chegei portanto à conclusão que é uma mistura dos dois lados. Por mais que há muito eu não poste nada, vejo que o blog continua vivo, e sim, eu realmente gosto daqui. Ainda há questões que eu quero abordar, coisas sobre as quais quero discorrer, mas por outro lado, sei que não preciso fazê-lo: seria desnecessário, apesar de pessoalmente recompensador. Então, em suma, sim, há apego, foram três anos com vocês e comigo mesmo aqui, e há também o dever, afinal, eu me comprometi a fazer isto aqui. E sim, eu sei que há vírgulas demais na frase anterior. E sim, sei também que não é apenas uma frase.

Creio enfim, que seja a conclusão que já deixei subentendida: o blog continua, mas sem o dever, afinal os objetivos já foram alcançados. O blog já fez o que foi criado para fazer, e digo com certo orgulho de que fez mais do que eu esperava. Em outras palavras, não há mais porque ter posts aqui, mas ainda sim eles continuarão a aparecer, sem data fixa, sem compromisso, nem necessidade intrínseca. Existirão porque eu quero que existam, e não porque eles devem existir.

Logo no primeiro parágrafo do post original, junto com o "não me incomoda a falta de posts", havia esta questão: pela primeira vez, dentre as várias que já fiquei sem postar, pelos mais variados motivos, esta falta de posts, além de não me incomodar, não me pesa. É bem simples, já foi um enorme prazer escrever neste blog e já foi um enorme peso escrever neste blog. Se por um lado já fiz posts gigantescos, cujo tempo de escrita pareceu voar, por outro lado já houve posts que se arrastaram do início ao fim: (muito) mais de uma vez, ao final do post, disse que levei muitas horas para escrevê-lo e que ele não ficou como eu queria. De forma bem simples, há posts "bons" e "ruins" aqui, mesmo que isso contradiga o que disse alguns parágrafos atrás.

Ainda falando sobre o post original (e creio que esta seja a última vez), há muitas coisas que falei nele e que não apareceram aqui, muitas frases legais, algumas conclusões interessantes, então tentarei relembrá-las neste parágrafo, sem ordem (ou sentido) certo. Este post é um marco para o blog, que simboliza o fim de uma "era", era esta que eu não me lembro, bem como não me lembro o que tinha escrito, então faço aqui algo que não queria fazer no post original (e ainda reluto um pouco...): agradeço à todos os leitores imaginários, à todos os posts perdidos, à todas as piadas ruins, à todos os pouquíssimos comentários e à cada maldido segundo que perdi fazendo este blog. Um certo egoísmo, serei sincero, este final de parágrafo, mas não meu, do post (...), e usando o egoísmo do blog todo, obrigado, Negão.

No post original (ok, última vez, juro) comecei o último parágrafo (que foi quando o post se perdeu) com esta frase: Por fim, este é mais um post para avisar que não há post. E apesar de não começar este último parágrafo com esta frase, devo avisar-lhes que é verdade: não haverá post hoje, nem semana que vem e nem na próxima. Ou talvez haverá, não sei, e estou realmente feliz com isso. Mas acima de tudo, a frase mais importante deste parágrafo (e, talvez, do post todo) é também a última frase do post: nosso garotinho cresceu.
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domingo, 1 de julho de 2012

As incríveis opiniões inúteis

 Aaeeewwwwwwww cambaaaaaadaaaaaaaa!!!!!

Então, como venho falando nos últimos dias, a falta de tempo está minando a "vida" deste blog: se antes eu tinha ideias, agora nem tenho o necessário ócio para que surjam as ideias. Enfim, este blog já passou por coisas bem piores, e não pretendo parar de poluir vossas mentes assim tão cedo. Entretanto, isso não é assunto para post, logo, sem mais nenhum recado a ser dado, ao post!

Simbora!!!


A beleza da liberdade

Racismo véi.

Dia 3 de Maio é considerado o "Dia Mundial da Liberdade de Imprensa" coisa que na realidade não significa porra alguma (do mesmo modo que a gigantesca maioria dos outros "dia de"). Ao menos em teoria, este dia deveria ser o dia em que jornalistas, escritores, críticos e poetas defendem sua liberdade de dizer que governos são autoritários, que corrupção é feio, que justiça é um direito de todos e que Marx é um gênio, sem tomar porrada e/ou ser censurado por isso. Em tempos do famigerado "politicamente correto", essa utopia ridícula fica ainda pior.

Neste mundo em que é mais legal exigir do que fazer por merecer, a liberdade deve se submeter ao que é elogioso, que não ataca e/ou prejudica e/ou questiona ninguém. Em outras palavras, liberdade é ótimo, desde que não vá contra os interesses de ninguém. E sempre vai.

Pense por um momento o quão incrível seria se todo mundo pudesse falar (escrever, ditar, etc.) o que quiser, desde como foi legal levar o afilhado no parquinho até o quão bobo e feio o governador é por comer a secretária enquanto divide a grana (puta palavra feia e datada...) do caixa dois. Além do barulho praticamente constante, o que ia ter de assassinato ia ser impressionante (e rimou).

O tema aqui não é a liberdade para praticar tudo, mas a liberdade de falar sobre tudo (ou deixar de falar), acontece que o tal "poder das palavras" tem cada vez mais valor num mundo em que a repressão contra o que é "errado" é cada vez maior. Quanto mais autoritarismo há na hora de, de fato, fazer alguma coisa, mais o que só instiga, o que só ladra, ganha força, e também é necessário frear essa força. Quanto mais repressão há em cima dos atos, mais importante se torna a "teoria" e mais repressão esta enfrenta.


Aponte o dedo, e fodam-se os três que continuam virados para você

Sabe aquelas coisas bonitas que pais e professores nos diziam quando éramos crianças? Coisas como "fale obrigado", "olhe para os dois lados antes de atravessar a rua" e "todo mundo tem direito à opinião"? Pois então, todas essas coisas são o resultado da mais pura hipocrisia. Se funcionassem de verdade seria realmente bom, afinal, agradecer por coisas, tomar cuidado com veículos e ter um ponto de vista próprio são coisas boas, que de fato são direitos e deveres das pessoas. O problema é que há excessões e condições para isso tudo: seu pai não quer que você agradeça o babaca do vizinho por este ter abaixado o volume do axé, sua mãe não quer que você fique saindo de casa e nem seu pai nem sua mãe querem que você os contrarie e defenda o porquê de os estar contrariando. Nesses momentos, quando é conveniente, nada disso é válido.

Rola o mesmo com escolas, religiões, casas de parentes e locais públicos: você deve se comportar do jeito "certo", que, no caso, significa "como todo mundo". Acontece que é de conhecimento geral que a unanimidade é burra, que muitas coisas (atos, ideias, conceitos, opniões, etc.) estão completamente erradas, que foram deturpadas até o limite (ou passaram deste). Ironicamente a resposta é bem menos complicada do que parece: algumas vezes você simplesmente discorda de tudo aquilo, do canto mais fundo e estranho da sua alma, e não há absolutamente nada que poderia mudar isso.


Dos clichês bullyinísticos

Uma das maravilhosas máximas que temos é aquela que diz que "o diferente é excluído". Bem, claro que isso ainda acontece, afinal, antes a exclusão do que o linchamento, mas atualmente a coisa tem mudado: ficou feio excluir as coisas e pessoas, promover a integração, a igualdade e a inclusão é tarefa de todos, portanto não pode-se mais dizer que algo ou alguém é "excluído", mas que ela é "diferente", que vai "encontrar pessoas que concordam com ela" e que ela "não deve mudar para agradar os outros". Já falei isso em algum outro post, mas não custa repetir: tudo bobagem.

Voltamos ao tópico lá de cima: cada passo dado na direção contrária a maioria (portanto "a certa") significa que você está se condenando a "agir à margem da lei", a ficar de fora. Cada passo dado na direção da opinião própria te afasta das outras pessoas, e é aí que você passa de "diferente", de coitado, para "vilão", tipo o "monstro que sofria bullying e por isso saiu dando tiro dentro da escola". Não se trata de exclusão social, mas de apatia generalizada, baseada na criação de uma imagem que vende "errado, ignorante, rebelde e sociopata" no lugar de "direito de opinião própria". A conduta geral exige que haja uma opinião própria, mas esta só poderá ser válida se for totalmente baseada na opinião geral e comum, sem se desviar desta, e quando ocorre de uma opinião ser de fato própria, é comparada ao "estupro de criancinhas inocentes". E todos sabemos que as criançinhas inocentes são as maiores FDPs do mundo.

A história é mais um dos grandes relatos da hipocrisia monárquica atual, um excelente exemplo do clássico "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". A parte que se diz correta, e que, segundo a própria visão, tem opinião sim senhor, é a principal responsável por criar e manter o ciclo da "exclusão", enxotando o que se "desvia do caminho" (soa familiar?). Pedófilos, assassinos, suicidas, revolucionários, malucos e estupradores simplesmente não mantém esse ciclo, pelo fato óbvio de fazerem parte da "sociedade marginal". A "corja da sociedade" age mais de acordo com os preceitos dessa "sociedade humana e civilizada" do que a própria. E isso passa da irônia: é humor negro da mais alta qualidade, uma tragicomédia que faz Shakespeare parecer Meg Cabot. E pouca gente (Thalita Rebouças) é pior que a Meg Cabot.


Concessões ou consseções ou conssessões

Pergunto-me a opinião dos pedófilos...

Como já diziam os ditadores, se você apertar demais a pasta de dente, sai mais do que você quer, e isso é um problema. Para evitar tais problemas, a galera igualitária e divertida criou um conceito: a "crítica construtiva". Crítica construtiva é a arte de falar bem (ou "igual à todo mundo"), fingindo que fala mal (ou "ter opinião"), só para ganhar uns pontos da tão valorizada "moral", e não fazer com que a galera-do-bem fique de mal e faça bico para você.

A estrutura é bem interessante... algo tão digno quanto uma dissertação: primeiro elogia-se, falando que qualquer que seja a coisa feita/dita foi realmente incrível, e logo em seguida diz-se que é um grande fã do "trabalho" daquela pessoa. Depois há a contextualização, onde explica-se para o "autor" do "trabalho" exatamente sobre o que vai-se falar, afinal este não tem obrigação nenhuma de conhecer a própria obra. Finalmente há a crítica, que não pode ser muito extensa, profunda ou inteligente, e que deve ser diluída entra "poréns" para que não fique algo "tão pesado". Em seguida há uma consideração da crítica em si, na qual o responsável pela mesma defende a quem está "atancando", dizendo que aquilo foi circunstancial, um fato isolado que provavelmente não se repetirá, e que muito provavelmente nem foi de propósito. Por fim há a retomada da primeira parte, na qual afirma-se novamente que realmente gosta de tudo que a pessoa "criticada" faz, e que espera "do fundo do coração" que o "mal entendido" seja solucionado, terminando enfim com o desejo de boa sorte, feliz ano novo e o clássico "contine o bom trabalho", que na verdade significa "como você é incrível por se sacrificar por nós".

Todo esse clima de amor e amizade é mútuo, o que significa que uma resposta igualmente falsa, oportunista e desimportante será dada, na qual há a promessa de que tal falha jamais voltará a acontecer, que sim, foi realmente um deslize e que "o amamos tanto quanto você nos ama". Há ciclos dentro de ciclos: enquanto este esquema é seguido por quem manja pra caralho, que se desvia disso ou é completamente ignorado (afinal, "contra fatos não há argumentos") ou é vilmente rechaçado de forma respeitável e fofa, na qual ironia e cinismo de baixo nível se aliam ao bom e velho "foda-se".


Ame-o ou omite-se

Há uma certa "regra" que diz que é preferível não falar nada, caso o que fosse ser dito não seja a favor do "alvo", ou seja, conveniência pura. Claro que isso pode poupar um certo trabalho, afinal, debater algo com alguém que você sabe que não vai entender nada (e nem quer) é um desperdício de tempo e saco, mas como já diz um ditado popular que eu odeio, "nenhuma luta é em vão enquanto houver um único tolo que lute por ela", e de tolos o mundo está cheio.

É um tanto quanto interessante pensar que o embate, seja físico seja através de argumentos, é totalmente evitado, não por medo ou falta de capacidade (o que é comum, mas não regra), mas porque isso é ir contra o que a outra pessoa pensa (ou o que fazem ela pensar que pensa). É pecado falar qualquer coisa que não esteja no manual, tipo quando seu celular dá pau e o tal problema não está na lista para que o atendente do SAC o resolva. É mais ou menos a mesma conversa de caixas, atendentes, operadores e técnicos: se tudo não está alí, escrito, memorizado, não há o que fazer. É a porra do sistema "que tá fora do ar" e ninguém mais tem capacidade para pegar o bloco e fazer o serviço à mão.

E entre o dabete, prefere-se a omissão, que "poupa" o tempo de quem tem algo realmente importante para falar e não "atrapalha" o sistema binário de quem não consegue lidar com o fato de que opinião própria não se consegue assistindo TV e vendo putaria na internet. É mais interessante que nada seja dito, para que não possa gerar a mínima dúvida, o mínimo questionamento, do que gerar qualquer coisa que não seja um "muito obrigado por concordar comigo". Essa galera da opinião-minha-pópria-de-massa sequer tem a dignidade de tentar esmagar quem tem opinião própria: ninguém quer "sujar as mãos", e para não ter de fazê-lo preferem a exclusão, deixando de lado, deliberadamente, toda e qualquer chance de sair "do sistema" e ir para o lado "bom" da Força. É mais do que estupidez, é ignorância por escolha, e o pior é que nem sequer adianta tentar explicar isso para alguém assim.


Abre a boca e feche os olhos

Seus mentes-sujas.

Imaginemos por um momento que opiniões são, de fato, como cus, que cada um tem o seu e tem o direito de fazer o que bem entender com ela. Você pode simplesmente dizer "curto pra caralho quando gente é dilacerada em explosões" ou "odeio chá de boldo", e por mais que discordem, ninguém, absolutamente ninguém, pode reclamar do seu mal gosto para chás ou da sua provável sociopatia. E aí temos a questão deste tópico: o que é diferente gera conflito. Sem "mas", sem exceções, é regra. Você tem o direito de falar o que quiser, mas inevitavelmente isso gerará algum problema e/ou desconforto para alguém, e como vivemos num mundo civilizado, todos sentarão em congresso para debater de forma plausível cada uma das opiniões diferentes, para que no fim ninguém mude em absolutamente nada, mas possa dizer que foi um debate muito bom.

A questão é que o ser humano simplesmente não consegue ficar sem a guerra, o que significa que basta uma fagulha para que a coisa toda exploda... muitas vezes literalmente. Sim, eu sei que parece que estou falando sobre religião, mas o ponto é o mesmo: discorde de mim e cairemos na porrada. Quem está incluso no sistema do bolsa-opinião nega diligentemente que a galera da ONG da opinião independente tenha razão em qualquer assunto, afinal eles só querer ver o circo pegar fogo, enquanto que a gente da ONG tem certeza absoluta que os bolsistas são completos imbecis sem opinião alguma, e que amam ser assim. A real é que vez ou outra os dois estão certos, mas o mérito é muito maior quando tal conclusão foi conseguida por meios próprios.

Mas como nada na vida é tão fácil, e uma briguinha sempre anima as coisas, os dois lados tocam o foda-se para a opinião em si, e passam a defender o seu ponto de vista, deixando de lado a "causa" deste ponto de vista, que é (e deveria ser sempre) o foco da coisa toda. É como brigar pelo direito de ter munição, mas a venda e porte de armas ser proibido. Por fim, quando ninguém está mais com saco para tentar fazer aqueles imbecis entenderem o que é tão óbvio, parte-se para o embate ou para a exclusão, ou seja, foi só uma divertida forma de perder tempo. E o mais interessante é que, no fim das contas, nem a opinião nem o "inimigo" realmente importam... eu chamo isso de democracia.


Queda na bolsa de valores

Após todo o post chega-se, meio que obviamente, à conclusão: opiniões não tem mais valor algum. Sério, uma opinião vale menos que escrava sexual com AIDS, afinal, esta ainda pode lavar, passar, cozinhar e ir comprar cigarro, mas uma opinião que não opina e que não é levada em consideração por ninguém além de seu provedor, não tem absolutamente função alguma, e não é o tipo de coisa que pode, do nada, achar outra função para executar.

Opiniões servem para opinar (Oh rly?), para gerar debates, gerar dúvidas, e, por consequência, mudar a forma que uma ou mais pensoas veem algumas coisas. Vivemos num mundo em que a paz é mais valorizada do que na década de 60, que duvidar do que alguém diz é ser anti-reacionário e que ser diferente significa uma exclusão pior do que simplesmente ser "marginalizado pela sociedade", ou seja, matamos completamente a função da opinião, e esta por sua vez se baseia em algo ainda mais importante: a ideia.

Ao tirar todas as funções da opinião, tiramos a arma das ideias, que, são o que nos presenteiam com algo chamado "evolução". Mate o vilão, mate os capangas e exploda o QG e todos seus problemas estão solucionados: passará o resto da vida fazendo as mesmas coisas que faz hoje, pensando do mesmo jeito, sem o mínimo de desafio, novidade ou motivação. Matar opiniões mata a própria evolução da sociedade. Claro, ainda poderemos ter asas no futuro, mas continuaremos achando que relógios digitais são uma grande ideia... e porra, ampulhetas são legais pra caralho.


Minha conclusão

Cambaaaaaaaadaaaaaaa, domingão, depois do almoço, e você se preparando para xingar o Faustão no Twitter. Enfim, é bom acabar um post, principalmente quando ainda tem umas horas para segunda-feira.

Se formos considerar que as coisas mais importantes atualmente são sexo, dinheiro, moda, marca e igualdade, ter opinião significa tomar no cu. Simples assim: pense diferente e merecerá ser empalado de cabeça para baixo. A questão é que, como sempre, ações tem consequências, e "ficar de fora" é a consequência de discordar da maioria. Aí pode surgir o questionamento: "por que não fingir que concorda com todo mundo e viver feliz?". Simples, meus caros, porque é ser um tremendo filho da puta. Não é simplesmente falsidade e falta de caráter, é compactuar com algo só porque é mais fácil, é negar seu ponto de vista só por medo de tomar na cara. É, ao lado do suicídio, uma das maiores demonstrações de covardia, e sinceramente, isso eu não suporto.

Fazer concessões é necessário. Essa frase nada mais significa do que escutar e realmente LEVAR EM CONSIDERAÇÃO a opinião das outras pessoas. É para isso que as opiniões servem: serem usadas como base num raciocínio, que te leva à um ponto diferente do qual você estava. Sim, sua opinião pode ser a mesma de "antes", mas você deve chegar nela sozinho. O ponto não é você concordar ou não com as outras pessoas, mas sim usar o que elas dizem para chegar à SUA conclusão. E, claro, fazer o mesmo com outras pessoas. E muitas vezes a conclusão à que se chega é que a opinião das outras pessoas é uma merda, e não há jeito melhor de dizer isso para ela do que usando "sua opinião de bosta é uma merda". A guerra vale à pena, minha gente, desde que tenha um objetivo e que este não seja esquecido durante a batalha... basta amarrar uma fita no dedo.

See ya!
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