domingo, 29 de julho de 2012

Aprendendo a ser pai (ou mãe)

Senhores, nesta madrugada de sábado para domingo fiz dois posts: o primeiro estava realmente bom, mas o Blogger perdeu, e o segundo era uma tentativa idiota de reescrever o primeiro, e o Blogger perdeu esse também... vai ver não devo fazer este post... então, como mandam as tradições, farei mesmo assim.

No post original, eu dizia várias coisas acerca do blog, e aquele post começava mais ou menos assim: pela primeira vez, desde que comecei este blog, não me sinto incomodado com a falta de posts aqui. Pois é, tinha até uma piada idiota sobre "quanto tempo eu não posto". A realidade é que aquele post estava ficando tão bom, que seria errado vocês lerem algo daquele nível depois de tanto tempo sem nada para ler por aqui.

Mas voltando ao tema, sim, pela primeira vez essa falta de posts não me atrapalha e/ou irrita em nada, aliás, essa falta de posts faz muito bem para mim e para o próprio blog. No antigo post eu comparava a "vida" deste blog com a nossa: ele foi criança, foi adolescente e agora finalmente é adulto. Eu comparava também com gelatina, mas isso fica para outro dia (o que significa dizer que jamais ocorrerá novamente).

Nesses mais de três anos (quatro, em Maio do ano que vem!), o blog nasceu, e era completamente diferente do que é hoje, tinham um objetivo diferente: reclamar das coisas. E bem, todos sabemos que compri esse objetivo. Na adolescência, esse período tão legal e conturbado, que não por acaso foi o maior deste blog, a base era uma só: xingar as coisas e pessoas, e compri isso também, mas por mais legal que seja xingar tudo (E é realmente legal), chega um ponto em que isso passa, e para mim e para o blog, esse tempo passou.

Finalmente chegamos à uma maturidade aqui, eu e o blog, porque bem, um é consequência do outro. Não posso dizer que sou "o adulto que sempre quis ser", mas posso dizer que o blog é. Os temas dos posts mudaram, minha escrita mudou, as opiniões mudaram, os layouts mudaram, enfim, este blog, com três anos, é quase velho. E apesar de eu saber que há blogs com muito mais tempo que este, creio que este possa dizer que cumpriu todos os seus objetivos.

No antigo post, eu falava acerca dos títulos daqui, dos títulos dos posts, dos tópicos e subtítulos, das colunas, enfim, dos títulos, e de como eu gosto deles. Dizia também que os títulos dos posts são a última coisa que eu escrevo. E bem, eu não gosto só dos títulos, mas gosto do visual, gosto da variedade de temas e gosto dos peixes no fim da página.

Aliás, algo que sempre quis, e consegui, foi criar uma "cultura interna" para o blog, ou seja, um conjunto de costumes, piadas, palavrões e "trejeitos" próprios, que caracterizassem o blog. Temos o tradicional "aew cambada" no começo dos posts, o clássico "see ya!" no final, algumas piadas recorrentes, o costume de botar horário nos posts, o "minha conclusão", e a lista continua. São esses pequenos detalhes que dão particularidade à um blog, todas elas vão muito bem por aqui.

No outro post eu também falava acerca do "sucesso" do blog, citando número de visitas e visualizações, bem como a orgulhosamente elevada taxa de rejeição, mas deixando de lado os números, a questão é que este blog é "grande". Claro que como todo mundo, como comecei, "sonhava" com um blog "grande" e de sucesso, mas com o passar do tempo notei que isso realmente não importava: se uma única pessoa tirou proveito de qualquer coisa que escrevi aqui, e essa coisa serviu para fazê-la pensar, mesmo que pouco, já valeu à pena.

Por mais que, durante um tempo, eu tenha dito que tinha sim leitores, digo com certa felicidade que não, que tenho apenas os bons e velhos leitores imaginários. Ou seja, vocês. Não há como comparar, mas creio sinceramente que a falta de "sucesso" deste blog foi muito bom para ele. As coisas seriam completamente diferentes do que são hoje, poderiam ser melhores ou piores, mas não iguais, e eu realmente gosto de como ele está hoje, e de como chegou aqui.

E neste "como está hoje", voltamos para o começo do post: este blog finalmente cresceu. A infância é, de fato, aquela "magia" toda, a adolescência é um saco, mas é uma época incrível, e a (suposta) maturidade é um período de calmaria e, como tantas vezes frisei, de equilíbrio. Como isso se aplica? Bem, chega de posts por "brincadeira", chega de posts só para xingar algo, chega de grandes análises de coisas. Tudo isso já foi, e foi incrível, mas não é mais a realidade. Não que as brincadeiras devam morrer e que o determinismo e conformismo devem reinar, mas não há mais o... ímpeto de antes.

Tudo, daqui para frente, é diferente. Não é mais uma época para aprender coisas novas (apesar que aprender coisas novas sempre é muito bom), de grandes revoluções. Daqui para frente não é "mudar", "criar", mas apenas adicionar: os que mais vier é lucro, e não base. Os posts, a partir de agora, serão escritos porque merecem ser escritos e porque merecem ser lidos. Isso não os isenta de ler os posts anteriores, mas aviso desde já que os melhores posts estão por vir. Não os mais revolucionários e ambiciosos, mas os mais bem escritos.

Nesses três anos, muita coisa passou por aqui, de teorias cientificamente embasadas até estórias completamente sem nexo e sentido, e acreditem, foi legal escrever tais coisas. Cansativo e demorado, é verdade, já que cada post aqui leva muito tempo e requer muita dedicação, mas gostei de os escrever, ainda que goste mais de uns que de outros. A questão é que, eventualmente haverão posts gigantescos, posts indignados, posts xingando coisas e posts que me comprariam uma passagem de ia para os braços da camisa de força, mas bem, já dizia Clarice Lispector: "nada do que foi será, de novo do jeito que já foi antes da Libertadores do Corinthians".

Enquanto eu escrevia o post original (a tentativa de reescrevê-lo não, já que, admito, estava totalmente desolado por ter perdido o original), pensava comigo mesmo se este não era um post de despedida, no qual eu diria "o blog nasceu, cresceu, plantou uma árvore, escreveu um livro, teve 12 filhos e agora está esperando a visita do Fantasma do Natal Futuro". Mas já enquanto o escrevia, pensava que não, e de fato havia planejado falar que o blog não acabaria, no fim do post. Entretanto, pergunto-me agora se essa escolha não era mais por costume e apego do que por dever, responsabilidade ou puro "não quero que morra".

Chegei portanto à conclusão que é uma mistura dos dois lados. Por mais que há muito eu não poste nada, vejo que o blog continua vivo, e sim, eu realmente gosto daqui. Ainda há questões que eu quero abordar, coisas sobre as quais quero discorrer, mas por outro lado, sei que não preciso fazê-lo: seria desnecessário, apesar de pessoalmente recompensador. Então, em suma, sim, há apego, foram três anos com vocês e comigo mesmo aqui, e há também o dever, afinal, eu me comprometi a fazer isto aqui. E sim, eu sei que há vírgulas demais na frase anterior. E sim, sei também que não é apenas uma frase.

Creio enfim, que seja a conclusão que já deixei subentendida: o blog continua, mas sem o dever, afinal os objetivos já foram alcançados. O blog já fez o que foi criado para fazer, e digo com certo orgulho de que fez mais do que eu esperava. Em outras palavras, não há mais porque ter posts aqui, mas ainda sim eles continuarão a aparecer, sem data fixa, sem compromisso, nem necessidade intrínseca. Existirão porque eu quero que existam, e não porque eles devem existir.

Logo no primeiro parágrafo do post original, junto com o "não me incomoda a falta de posts", havia esta questão: pela primeira vez, dentre as várias que já fiquei sem postar, pelos mais variados motivos, esta falta de posts, além de não me incomodar, não me pesa. É bem simples, já foi um enorme prazer escrever neste blog e já foi um enorme peso escrever neste blog. Se por um lado já fiz posts gigantescos, cujo tempo de escrita pareceu voar, por outro lado já houve posts que se arrastaram do início ao fim: (muito) mais de uma vez, ao final do post, disse que levei muitas horas para escrevê-lo e que ele não ficou como eu queria. De forma bem simples, há posts "bons" e "ruins" aqui, mesmo que isso contradiga o que disse alguns parágrafos atrás.

Ainda falando sobre o post original (e creio que esta seja a última vez), há muitas coisas que falei nele e que não apareceram aqui, muitas frases legais, algumas conclusões interessantes, então tentarei relembrá-las neste parágrafo, sem ordem (ou sentido) certo. Este post é um marco para o blog, que simboliza o fim de uma "era", era esta que eu não me lembro, bem como não me lembro o que tinha escrito, então faço aqui algo que não queria fazer no post original (e ainda reluto um pouco...): agradeço à todos os leitores imaginários, à todos os posts perdidos, à todas as piadas ruins, à todos os pouquíssimos comentários e à cada maldido segundo que perdi fazendo este blog. Um certo egoísmo, serei sincero, este final de parágrafo, mas não meu, do post (...), e usando o egoísmo do blog todo, obrigado, Negão.

No post original (ok, última vez, juro) comecei o último parágrafo (que foi quando o post se perdeu) com esta frase: Por fim, este é mais um post para avisar que não há post. E apesar de não começar este último parágrafo com esta frase, devo avisar-lhes que é verdade: não haverá post hoje, nem semana que vem e nem na próxima. Ou talvez haverá, não sei, e estou realmente feliz com isso. Mas acima de tudo, a frase mais importante deste parágrafo (e, talvez, do post todo) é também a última frase do post: nosso garotinho cresceu.
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