domingo, 1 de julho de 2012

As incríveis opiniões inúteis

 Aaeeewwwwwwww cambaaaaaadaaaaaaaa!!!!!

Então, como venho falando nos últimos dias, a falta de tempo está minando a "vida" deste blog: se antes eu tinha ideias, agora nem tenho o necessário ócio para que surjam as ideias. Enfim, este blog já passou por coisas bem piores, e não pretendo parar de poluir vossas mentes assim tão cedo. Entretanto, isso não é assunto para post, logo, sem mais nenhum recado a ser dado, ao post!

Simbora!!!


A beleza da liberdade

Racismo véi.

Dia 3 de Maio é considerado o "Dia Mundial da Liberdade de Imprensa" coisa que na realidade não significa porra alguma (do mesmo modo que a gigantesca maioria dos outros "dia de"). Ao menos em teoria, este dia deveria ser o dia em que jornalistas, escritores, críticos e poetas defendem sua liberdade de dizer que governos são autoritários, que corrupção é feio, que justiça é um direito de todos e que Marx é um gênio, sem tomar porrada e/ou ser censurado por isso. Em tempos do famigerado "politicamente correto", essa utopia ridícula fica ainda pior.

Neste mundo em que é mais legal exigir do que fazer por merecer, a liberdade deve se submeter ao que é elogioso, que não ataca e/ou prejudica e/ou questiona ninguém. Em outras palavras, liberdade é ótimo, desde que não vá contra os interesses de ninguém. E sempre vai.

Pense por um momento o quão incrível seria se todo mundo pudesse falar (escrever, ditar, etc.) o que quiser, desde como foi legal levar o afilhado no parquinho até o quão bobo e feio o governador é por comer a secretária enquanto divide a grana (puta palavra feia e datada...) do caixa dois. Além do barulho praticamente constante, o que ia ter de assassinato ia ser impressionante (e rimou).

O tema aqui não é a liberdade para praticar tudo, mas a liberdade de falar sobre tudo (ou deixar de falar), acontece que o tal "poder das palavras" tem cada vez mais valor num mundo em que a repressão contra o que é "errado" é cada vez maior. Quanto mais autoritarismo há na hora de, de fato, fazer alguma coisa, mais o que só instiga, o que só ladra, ganha força, e também é necessário frear essa força. Quanto mais repressão há em cima dos atos, mais importante se torna a "teoria" e mais repressão esta enfrenta.


Aponte o dedo, e fodam-se os três que continuam virados para você

Sabe aquelas coisas bonitas que pais e professores nos diziam quando éramos crianças? Coisas como "fale obrigado", "olhe para os dois lados antes de atravessar a rua" e "todo mundo tem direito à opinião"? Pois então, todas essas coisas são o resultado da mais pura hipocrisia. Se funcionassem de verdade seria realmente bom, afinal, agradecer por coisas, tomar cuidado com veículos e ter um ponto de vista próprio são coisas boas, que de fato são direitos e deveres das pessoas. O problema é que há excessões e condições para isso tudo: seu pai não quer que você agradeça o babaca do vizinho por este ter abaixado o volume do axé, sua mãe não quer que você fique saindo de casa e nem seu pai nem sua mãe querem que você os contrarie e defenda o porquê de os estar contrariando. Nesses momentos, quando é conveniente, nada disso é válido.

Rola o mesmo com escolas, religiões, casas de parentes e locais públicos: você deve se comportar do jeito "certo", que, no caso, significa "como todo mundo". Acontece que é de conhecimento geral que a unanimidade é burra, que muitas coisas (atos, ideias, conceitos, opniões, etc.) estão completamente erradas, que foram deturpadas até o limite (ou passaram deste). Ironicamente a resposta é bem menos complicada do que parece: algumas vezes você simplesmente discorda de tudo aquilo, do canto mais fundo e estranho da sua alma, e não há absolutamente nada que poderia mudar isso.


Dos clichês bullyinísticos

Uma das maravilhosas máximas que temos é aquela que diz que "o diferente é excluído". Bem, claro que isso ainda acontece, afinal, antes a exclusão do que o linchamento, mas atualmente a coisa tem mudado: ficou feio excluir as coisas e pessoas, promover a integração, a igualdade e a inclusão é tarefa de todos, portanto não pode-se mais dizer que algo ou alguém é "excluído", mas que ela é "diferente", que vai "encontrar pessoas que concordam com ela" e que ela "não deve mudar para agradar os outros". Já falei isso em algum outro post, mas não custa repetir: tudo bobagem.

Voltamos ao tópico lá de cima: cada passo dado na direção contrária a maioria (portanto "a certa") significa que você está se condenando a "agir à margem da lei", a ficar de fora. Cada passo dado na direção da opinião própria te afasta das outras pessoas, e é aí que você passa de "diferente", de coitado, para "vilão", tipo o "monstro que sofria bullying e por isso saiu dando tiro dentro da escola". Não se trata de exclusão social, mas de apatia generalizada, baseada na criação de uma imagem que vende "errado, ignorante, rebelde e sociopata" no lugar de "direito de opinião própria". A conduta geral exige que haja uma opinião própria, mas esta só poderá ser válida se for totalmente baseada na opinião geral e comum, sem se desviar desta, e quando ocorre de uma opinião ser de fato própria, é comparada ao "estupro de criancinhas inocentes". E todos sabemos que as criançinhas inocentes são as maiores FDPs do mundo.

A história é mais um dos grandes relatos da hipocrisia monárquica atual, um excelente exemplo do clássico "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". A parte que se diz correta, e que, segundo a própria visão, tem opinião sim senhor, é a principal responsável por criar e manter o ciclo da "exclusão", enxotando o que se "desvia do caminho" (soa familiar?). Pedófilos, assassinos, suicidas, revolucionários, malucos e estupradores simplesmente não mantém esse ciclo, pelo fato óbvio de fazerem parte da "sociedade marginal". A "corja da sociedade" age mais de acordo com os preceitos dessa "sociedade humana e civilizada" do que a própria. E isso passa da irônia: é humor negro da mais alta qualidade, uma tragicomédia que faz Shakespeare parecer Meg Cabot. E pouca gente (Thalita Rebouças) é pior que a Meg Cabot.


Concessões ou consseções ou conssessões

Pergunto-me a opinião dos pedófilos...

Como já diziam os ditadores, se você apertar demais a pasta de dente, sai mais do que você quer, e isso é um problema. Para evitar tais problemas, a galera igualitária e divertida criou um conceito: a "crítica construtiva". Crítica construtiva é a arte de falar bem (ou "igual à todo mundo"), fingindo que fala mal (ou "ter opinião"), só para ganhar uns pontos da tão valorizada "moral", e não fazer com que a galera-do-bem fique de mal e faça bico para você.

A estrutura é bem interessante... algo tão digno quanto uma dissertação: primeiro elogia-se, falando que qualquer que seja a coisa feita/dita foi realmente incrível, e logo em seguida diz-se que é um grande fã do "trabalho" daquela pessoa. Depois há a contextualização, onde explica-se para o "autor" do "trabalho" exatamente sobre o que vai-se falar, afinal este não tem obrigação nenhuma de conhecer a própria obra. Finalmente há a crítica, que não pode ser muito extensa, profunda ou inteligente, e que deve ser diluída entra "poréns" para que não fique algo "tão pesado". Em seguida há uma consideração da crítica em si, na qual o responsável pela mesma defende a quem está "atancando", dizendo que aquilo foi circunstancial, um fato isolado que provavelmente não se repetirá, e que muito provavelmente nem foi de propósito. Por fim há a retomada da primeira parte, na qual afirma-se novamente que realmente gosta de tudo que a pessoa "criticada" faz, e que espera "do fundo do coração" que o "mal entendido" seja solucionado, terminando enfim com o desejo de boa sorte, feliz ano novo e o clássico "contine o bom trabalho", que na verdade significa "como você é incrível por se sacrificar por nós".

Todo esse clima de amor e amizade é mútuo, o que significa que uma resposta igualmente falsa, oportunista e desimportante será dada, na qual há a promessa de que tal falha jamais voltará a acontecer, que sim, foi realmente um deslize e que "o amamos tanto quanto você nos ama". Há ciclos dentro de ciclos: enquanto este esquema é seguido por quem manja pra caralho, que se desvia disso ou é completamente ignorado (afinal, "contra fatos não há argumentos") ou é vilmente rechaçado de forma respeitável e fofa, na qual ironia e cinismo de baixo nível se aliam ao bom e velho "foda-se".


Ame-o ou omite-se

Há uma certa "regra" que diz que é preferível não falar nada, caso o que fosse ser dito não seja a favor do "alvo", ou seja, conveniência pura. Claro que isso pode poupar um certo trabalho, afinal, debater algo com alguém que você sabe que não vai entender nada (e nem quer) é um desperdício de tempo e saco, mas como já diz um ditado popular que eu odeio, "nenhuma luta é em vão enquanto houver um único tolo que lute por ela", e de tolos o mundo está cheio.

É um tanto quanto interessante pensar que o embate, seja físico seja através de argumentos, é totalmente evitado, não por medo ou falta de capacidade (o que é comum, mas não regra), mas porque isso é ir contra o que a outra pessoa pensa (ou o que fazem ela pensar que pensa). É pecado falar qualquer coisa que não esteja no manual, tipo quando seu celular dá pau e o tal problema não está na lista para que o atendente do SAC o resolva. É mais ou menos a mesma conversa de caixas, atendentes, operadores e técnicos: se tudo não está alí, escrito, memorizado, não há o que fazer. É a porra do sistema "que tá fora do ar" e ninguém mais tem capacidade para pegar o bloco e fazer o serviço à mão.

E entre o dabete, prefere-se a omissão, que "poupa" o tempo de quem tem algo realmente importante para falar e não "atrapalha" o sistema binário de quem não consegue lidar com o fato de que opinião própria não se consegue assistindo TV e vendo putaria na internet. É mais interessante que nada seja dito, para que não possa gerar a mínima dúvida, o mínimo questionamento, do que gerar qualquer coisa que não seja um "muito obrigado por concordar comigo". Essa galera da opinião-minha-pópria-de-massa sequer tem a dignidade de tentar esmagar quem tem opinião própria: ninguém quer "sujar as mãos", e para não ter de fazê-lo preferem a exclusão, deixando de lado, deliberadamente, toda e qualquer chance de sair "do sistema" e ir para o lado "bom" da Força. É mais do que estupidez, é ignorância por escolha, e o pior é que nem sequer adianta tentar explicar isso para alguém assim.


Abre a boca e feche os olhos

Seus mentes-sujas.

Imaginemos por um momento que opiniões são, de fato, como cus, que cada um tem o seu e tem o direito de fazer o que bem entender com ela. Você pode simplesmente dizer "curto pra caralho quando gente é dilacerada em explosões" ou "odeio chá de boldo", e por mais que discordem, ninguém, absolutamente ninguém, pode reclamar do seu mal gosto para chás ou da sua provável sociopatia. E aí temos a questão deste tópico: o que é diferente gera conflito. Sem "mas", sem exceções, é regra. Você tem o direito de falar o que quiser, mas inevitavelmente isso gerará algum problema e/ou desconforto para alguém, e como vivemos num mundo civilizado, todos sentarão em congresso para debater de forma plausível cada uma das opiniões diferentes, para que no fim ninguém mude em absolutamente nada, mas possa dizer que foi um debate muito bom.

A questão é que o ser humano simplesmente não consegue ficar sem a guerra, o que significa que basta uma fagulha para que a coisa toda exploda... muitas vezes literalmente. Sim, eu sei que parece que estou falando sobre religião, mas o ponto é o mesmo: discorde de mim e cairemos na porrada. Quem está incluso no sistema do bolsa-opinião nega diligentemente que a galera da ONG da opinião independente tenha razão em qualquer assunto, afinal eles só querer ver o circo pegar fogo, enquanto que a gente da ONG tem certeza absoluta que os bolsistas são completos imbecis sem opinião alguma, e que amam ser assim. A real é que vez ou outra os dois estão certos, mas o mérito é muito maior quando tal conclusão foi conseguida por meios próprios.

Mas como nada na vida é tão fácil, e uma briguinha sempre anima as coisas, os dois lados tocam o foda-se para a opinião em si, e passam a defender o seu ponto de vista, deixando de lado a "causa" deste ponto de vista, que é (e deveria ser sempre) o foco da coisa toda. É como brigar pelo direito de ter munição, mas a venda e porte de armas ser proibido. Por fim, quando ninguém está mais com saco para tentar fazer aqueles imbecis entenderem o que é tão óbvio, parte-se para o embate ou para a exclusão, ou seja, foi só uma divertida forma de perder tempo. E o mais interessante é que, no fim das contas, nem a opinião nem o "inimigo" realmente importam... eu chamo isso de democracia.


Queda na bolsa de valores

Após todo o post chega-se, meio que obviamente, à conclusão: opiniões não tem mais valor algum. Sério, uma opinião vale menos que escrava sexual com AIDS, afinal, esta ainda pode lavar, passar, cozinhar e ir comprar cigarro, mas uma opinião que não opina e que não é levada em consideração por ninguém além de seu provedor, não tem absolutamente função alguma, e não é o tipo de coisa que pode, do nada, achar outra função para executar.

Opiniões servem para opinar (Oh rly?), para gerar debates, gerar dúvidas, e, por consequência, mudar a forma que uma ou mais pensoas veem algumas coisas. Vivemos num mundo em que a paz é mais valorizada do que na década de 60, que duvidar do que alguém diz é ser anti-reacionário e que ser diferente significa uma exclusão pior do que simplesmente ser "marginalizado pela sociedade", ou seja, matamos completamente a função da opinião, e esta por sua vez se baseia em algo ainda mais importante: a ideia.

Ao tirar todas as funções da opinião, tiramos a arma das ideias, que, são o que nos presenteiam com algo chamado "evolução". Mate o vilão, mate os capangas e exploda o QG e todos seus problemas estão solucionados: passará o resto da vida fazendo as mesmas coisas que faz hoje, pensando do mesmo jeito, sem o mínimo de desafio, novidade ou motivação. Matar opiniões mata a própria evolução da sociedade. Claro, ainda poderemos ter asas no futuro, mas continuaremos achando que relógios digitais são uma grande ideia... e porra, ampulhetas são legais pra caralho.


Minha conclusão

Cambaaaaaaaadaaaaaaa, domingão, depois do almoço, e você se preparando para xingar o Faustão no Twitter. Enfim, é bom acabar um post, principalmente quando ainda tem umas horas para segunda-feira.

Se formos considerar que as coisas mais importantes atualmente são sexo, dinheiro, moda, marca e igualdade, ter opinião significa tomar no cu. Simples assim: pense diferente e merecerá ser empalado de cabeça para baixo. A questão é que, como sempre, ações tem consequências, e "ficar de fora" é a consequência de discordar da maioria. Aí pode surgir o questionamento: "por que não fingir que concorda com todo mundo e viver feliz?". Simples, meus caros, porque é ser um tremendo filho da puta. Não é simplesmente falsidade e falta de caráter, é compactuar com algo só porque é mais fácil, é negar seu ponto de vista só por medo de tomar na cara. É, ao lado do suicídio, uma das maiores demonstrações de covardia, e sinceramente, isso eu não suporto.

Fazer concessões é necessário. Essa frase nada mais significa do que escutar e realmente LEVAR EM CONSIDERAÇÃO a opinião das outras pessoas. É para isso que as opiniões servem: serem usadas como base num raciocínio, que te leva à um ponto diferente do qual você estava. Sim, sua opinião pode ser a mesma de "antes", mas você deve chegar nela sozinho. O ponto não é você concordar ou não com as outras pessoas, mas sim usar o que elas dizem para chegar à SUA conclusão. E, claro, fazer o mesmo com outras pessoas. E muitas vezes a conclusão à que se chega é que a opinião das outras pessoas é uma merda, e não há jeito melhor de dizer isso para ela do que usando "sua opinião de bosta é uma merda". A guerra vale à pena, minha gente, desde que tenha um objetivo e que este não seja esquecido durante a batalha... basta amarrar uma fita no dedo.

See ya!
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