segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Carta aberta à quem também não sabe a resposta

Aaaaaaaaewwwwwww cambaaaaadaaaaa!!!!!!!

Não sei se já fiz um post assim por aqui, provavelmente não, mas quem liga?


Com absoluta certeza você já se deparou com propagandas na internet, desde os bons tempos dos milhões e milhões de pop-ups pulando na sua tela até o mais recente "evento" propagandístico: as inserções em meio à videos. É, aqueles que tomaram conta do YouTube e de vários outros sites de compartilhamento de vídeos, no caso do tio Google, uma evolução para o AdSense.

Pois então, tenho certeza absoluta que não falo só por mim quando digo que odeio propagandas em vídeos. Ok, eu sei que sou meio que extremista, mas estou fazendo um puta esforço para dizer isso aqui: Pop-ups não me incomodam, anúncios em barras laterais não me incomodam, banners, gifs, vídeos publicitários, aqueles troços que se expandam quando você passa com o mouse em cima deles, e nem mesmo propagandas "meça a temperatura do seu amor" ou "enlarge your penis". Sério, eu vivo muito bem com tudo isso. E até que vivo muito bem com os meus três centímetros e meio de pênis. Claro, tudo em exagero vira um problema, mas nos níveis normais, nenhum desses chega a sem um incômodo de verdade. Mas com as propagandas nos vídeos a coisa muda.

Até o momento em que as propagandas nos vídeos se limitavam à banners na parte de baixo dos mesmos, aquelas "anotações" coloridas, backgrounds modificados e os clássicos banners, tudo ia muito bem. De verdade: as pessoas podiam assistir os vídeos em paz, os donos dos canais e os anunciantes lucravam e todos ficavam felizes. Lá em 2009 quando Sony, Universal, EMI, E1 Entertainment e Abu Dhabi Media se juntaram, criou-se a (o?) Vevo, que qualquer um que use o YouTube atualmente conhece. Bem, só para contextualizar, o Google e a Vevo tem um contrato de divisão de lucros, e as três principais empresas por trás da Vevo (ou seja, Sony, Universal e EMI) apoiaram veementemente aquela coisa toda de SOPA/PIPA, retirando seu apoio quando viram que ia dar merda.

Mas deixemos isso para depois. O que importa aqui é que a Vevo é a maior representante do uso de propagandas em seus vídeos, usando para isso a plataforma do Google, que expande tal formato de publicidade para qualquer um que queira (usando uma palavra que eu odeio) monetizar seu canal. Seguinte: propagandas não me incomodam. Todos já vimos propagandas geniais, seja na TV, internet, revistas, etc., e, devo admitir, num passado longínquo eu até mesmo considerei cursar Publicidade e Propaganda, curso no qual, hoje sei, falharia miseravelmente. Mas se a propaganda em si não é o problema, este se manifesta no modo como a propaganda é feita.

Basicamente tais propagandas podem acontecer em três momentos: antes do começo do vídeo (o mais comum), no final do vídeo e no meio do vídeo. Todos eles podem se apresentar de três modos: o que você pode pular, o que você pode pular após um tempo mínimo e o que você não pode pular. Pessoalmente há dois que me irritam mais: os que vem antes e os que vem durante o vídeo. E obviamente o tipo que não pode ser pulado é o campeão máximo entre eles.

Sinceramente entendo o porquê de empresas, seja o Google, a Vevo ou qualquer outra de colocar propagandas em seus vídeos: o lucro é o objetivo, e é particularmente vergonhoso dizer que uma empresa não sabe gerar lucro. Ao mesmo tempo, isto também é válido para a empresa que tem um produto: ela precisa vendê-lo, e para tanto necessita das outras empresas, as de logística, (eventualmente) a de terceirização e, claro, a de publicidade, já que não se vende um produto que os consumidores não sabem que existe.

A verdade é que o sistema capitalista é adoravelmente intrincado. Não estou tirando "a culpa" de ninguém, mas também não posso colocar culpas à mais. O problema, para mim, não reside na empresa que faz grampeadores, nem na que o coloca em caixas, nem na que o coloca em outdoors e nem na que contrata gente para ouvir xingamentos por o grampeador não funcionar, mas sim no pensamento por trás disso tudo.

Já é evidente que estamos numa época interessante da humanidade: estamos muito desenvolvidos em relaçãos às ciências, estamos relativamente bem socialmente, avançamos a passas largos em diversas áreas do conhecimento e conhecendo novas áreas. A questão é que nunca antes a humanidade chegou onde está hoje, e isso quer dizer que estamos num impasse: não podemos retroceder, mas não temos ideia do que acontecerá daqui para frente. Ou seja, mudanças são necessárias: devem, e vão, acontecer, e viver em épocas assim é realmente problemático.

Antes podíamos afirmar que chegaríamos ao Polo Sul, e chegamos, e alguns anos mais tarde podíamos afirmar que chegaríamos à Lua, e chegamos. Mas ao chegar neste momento em que ainda não temos o "novo" e o "velho" não serve mais, simplesmente paramos. Não totalmente... é como se pisássemos no freio, e deixássemos o carro percorrer os últimos metros "sozinho". Reduzimos o avanço porque seus rasultados são desconhecidos. Isso já aconteceu antes, e várias vezes, mas nunca numa escala tão grande.

Enquanto nosso carro percorre lentamente os metros restantes, contiamos a viver pelo que já conhecemos, ou seja, "o velho". E eis o ponto: continuamos a usar o "velho", para viver no que não é nem velho e nem novo: o nosso presente. Equivale à dizer, de uma forma mais eloquente, que "tamo levando a vida né?". E é aqui que voltamos para a publicidade.

Como é o tema central do post, focar-me-ei (olha que bonito) na publicidade, mas que fique claro que ela está no mesmo barco que todo resto. Passamos o tempo dos outdoors e dos caras com megafones na mão, em cima de caixotes, chamando os compradores. Passamos pela revolução visual, estética e de valores. E passamos por reformas profundas na produção dos produtos à venda. Do mesmo jeito que o algodão e máquinas à vapor foram o máximo, cartazes, gifs, banners e pop-ups também já são "relíquias". É como minha velha máquina de escrever: funciona, faz um excelente trabalho, e eu realmente gosto dela, mas meu celular faz muito mais do que ela.

Chegamos, uns dois ou três anos atrás, à última novidade publicitária: as propagandas nos vídeos, que como todo o resto tenta se ajustar aos tempos em que vivemos e de nossas demandas, mas que, devo dizer, falhou. E não foi a única. Algumas felizmente foram deixadas de lado, afinal não representavam nada e os responsáveis por elas se deram conta disso. Acontece que os anunciantes e seus clientes ainda não se deram conta de que a publicidade nos vídeos não é a resposta para nada.

Como sei disso? Bem, aqui na barra lateral do blog há tipo uma "biografia" minha, e nela digo que não sou especialista em nada, e de fato essa "biografia" foi uma das pouquíssimas coisas que não mudou desde o começo do blog. Então, voltando à pergunta inicial deste parágrafo: Como sei que propagandas nos vídeos não são a resposta? Porque é para mim que elas tentam vender seus produtos. E não conseguem.

Eu sou o consumidor alvo, do mesmo jeito que você é, mas ao contrário de chamar minha atenção para o produto, ao contrário de me fazer querer consumir, ao contrário de me efetivar como consumidor, tais propagandas fazem o contrário. Eu não quero comprar seu novo modelo de picape, a sua nova picape me irrita, me cansa, me dá trabalho. A sua nova coleção de inverno desperdiça meu tempo, que eu poderia e queria estar usando com o vídeo que eu escolhi ver. Me contar sobre o lançamento de um novo filme cheio de explosões me impede de ver o curta de animação que é muito mais o meu estilo. E acima de tudo, o Hot This Week faz eu passar de AC/DC para Radiohead... só que estaria tudo se fosse, de fato, Radiohead.

Ou seja, sua propaganda não me torma um consumidor, não me faz gostar de você. É justamente o contrário: eu passo a criar uma antipatia à sua empresa, ao seu produto. Eu vou procuprar o produto concorrente, que ao contrário do seu, me deixa assistir o vídeo que eu quero. A cada propaganda, que me irrita, me cansa, me perturba, eu te odeio mais e mais. E isso não é uma estratégia de vendas inteligente. Ela é realmente estúpida.

Então, finalmente, fica aqui o apelo do consumidor: seja você o cara que faz um produto ou o que embala ou o que coloca numa prateleira ou o que ouve meus xingamentos (ou ainda tudo isso junto), por tudo que lhe é mais sagrado, seja Odin, Rá, os peitos da Fafá de Belém, sua mãe, o primeiro anel que seu marido te deu, seja até mesmo o próprio produto que você vende, por tudo que lhe é mais sagrado: me deixe assistir meu vídeo.

Eu não sei qual a resposta para a publicidade, e sinceramente creio que me livrei de sabê-la quando descartei a possibilidade de seguir tal carreira, mas como seu mercado alvo, eu imploro, não me faça te odiar. Sério, eu posso gostar pra caralho do que você vende, mas a partir do momento que ele pisca na minha frente antes de Angus Young, você estraga as suas chances de venda e a minha alegria em ver um velho acabado de roupa de escola.

Não sei se é melhor continuar tentando devagar, ou voltar ao "velho", e torcer para que este ainda dê no couro, só sei que o modo atual é ruim para todo mundo, e é melhor mudá-lo antes que o estrago seja grande. Eu não sou tão velho assim, então vocês ainda terão de me anguentar, como alvo, por pelo menos mais uns dez anos, e o mesmo se aplica às pessoas que pensam assim como eu. E, meus caros, sacanear com seus consumidores antes mesmo de eles serem consumidores é burrice. Deixem isso para o pós-venda: é o trabalho deles.

See ya!
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