sábado, 1 de dezembro de 2012

Teje Errado

Eu não gosto de pafletagem, comício, ativismo, militância, é chato. Simples assim.

A questão é que ninguém convence ninguém de absolutamente nada, e a coisa toda fica como estava porque quem tenta, fracassa, e quem é tetado não quer ter o trabalho e o incômodo de ter de repensar o que provavelmente já não pensou, provavelmente apenas englobou, juntando-se ao discurso pré-estabelecido, com uma ou outra mudança, só para não dar na cara.

Estou no Bacon há uns anos, e tenho certeza absoluta que não consegui convencer ninguém sobre nada. Talvez eu seja um incompetente, mas a questão não é a causa, é a consequência. Entratanto, como posso afirmar tal coisa, sendo que o único parâmetro é o outro? Simples, porque nenhum deles conseguiu me convencer de nada. Talvez eu seja duplamente incompetente, na hora de convencer e de ser convencido, mas aí já é demais até para mim.

Não vou mentir, o que gerou este post foi mais uma incrivelmente fantástica mensagem de pregação do ateísmo. Eu não queria transformar isto em mais um post sobre "ateus podem ser tão chatos (ou mais) do que religiosos", então para encerrar logo a conversa de religião e não-religião, digo apenas que odeio igualmente quem toca minha campainha às 8 da manhã de sábado para pregar a palavra do Senhor quanto odeio alguém que compartilha a porra da imagem da cédula de real e faz discurso por causa de três palavras.

Mas voltando ao tema, as pessoas não querem ser convencidas do que não são convencidas. Eu não quero, você não quer, o seu Lourival da padaria não quer, e se você não concorda com estas linhas, de nada adiantará lê-las, e portanto de nada terá adiantado eu tê-las escrito. "Uma verdade incoveniente", como diria aquele cara que curte uns filmes mais fortes.

É um tanto quanto triste a situação toda. Um "não vai e não racha", ou melhor ainda, um "não dá e não desce", num empata-fodismo total. É tudo muito bonito enquanto a coisa está relativamente boa para todo mundo, mas a partir do momento em que algo desanda, e deve-se tomar atitudes para reverter e/ou alterar tal quadro, todo mundo leva a pior, uma vez que não há ninguém preparado (ou com culhões) para tomar tais atitudes.

É a troca que gera o entendimento, se um não aceita (ou ao menos considera) o que não é seu, não há a compreensão, e portanto fica-se de mãos atadas. Há teorias que dizem que o avanço somente acontece quando há o choque entre costumes, culturas, conhecimentos diferentes, choque este amigável ou não, e que somente depois do choque, em que tais diferenças já foram acertadas, há a capacidade de sanar problemas (para depois criar outros).

Portanto, finalmente fecha-se o ciclo do post: não há a troca (ou embate) de opiniões, costumes, conhecimentos diferentes, porque ninguém quer aceitar o que é do outro, porque o que é do outro é chato. Mea culpa total isso aqui, mas não pensem nem por um momento que estou sozinho nessa: estamos todos no mesmo barco. E vamos naufragar se continuarmos assim, só restando decidir quem é, de fato, o capitão, que, como diz a tradição, deve ir para o fundo com seu navio.

See ya!
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