segunda-feira, 25 de março de 2013

De nada, do fundo do meu coração

Aaaaaaaaaaaeeeewwwwwwwwwww cambaaaaaaaaaaadaaaaa!!!!!!!

Senhores, devo admitir que é incrível entrar de vez em quando aqui, sempre para escrever um post e só para isso... faz eu parecer mais apto à função de ter um blog... mas enfim, o post não é sobre isso. Então deixemos de enrolação e vamos à ele!


Era sábado, este sábado, dia 23. Tendo acordado às 6 da matina, já devia ser umas 8 horas quando tive de sair... mas estou me atropelando. Seguinte: sábado fui, às 7 da manhã, ajudar a fazer pizzas para vender "pra caridade". Pois é, brega, cansativo e tudo mais, mas vale à pena. Estava no local desde as sete-e-qualquer-coisa, ajudando a cortar muçarela (cara, é muito escroto escrever isso do jeito "certo"...) e presunto, mas por volta das 8 tive de sair, levar, de carro, a chave do outro carro para quem precisava do carro (o outro carro não o que eu estava).

Não sei se já falei, mas tenho um senso de direção de merda. E não importa que meio de transporte que eu esteja usando, eu sempre acabo dando uma volta gigantesca para chegar onde quero... eu já me perdi numa rua em linha reta, à pé, e acabei andando por uma hora, debaixo de chuva. 

Mas enfim, me perdi, na minha própria cidade, de novo. Dei voltas e voltas, até que finalmente me achei em caminhos por mim conhecidos, sendo que dalí para frente seria apenas uma questão de tempo até chegar ao meu destino. Ou melhor, tempo e paciência, já que por aqui "sábado" e "domingo" significam apenas "fim de semana", e isso significa que tem gente fazendo procissão motorizada por toda a cidade. Adicione semáforos fechados, o péssimo serviço da secretaria de trânsito e pedestres à conta e terá a descrição daqueles minutos da minha vida.

Pois bem: estava puto por ter me perdido, puto porque só tem contramão nessa porra de cidade e "atrasado" para entregar a chave do outro carro, o que significa dizer que estava "atrasado" para voltar ao trabalho também, já que 1974 pizzas, sei-lá-quantas-lasanhas e não-sei-quantos-canelones não se fazem sozinhos, e muito menos sem muçarela (é uma punhalada cada vez que escrevo isso) e presunto.

Serei sincero: não tenho saco nenhum com pedestres. Eles atravessam na hora e no local errado, param no meio da rua e não na calçada, não olham para os dois lados e um sem número de outras burrices, que acabam por me forçar a catalogar "pedestre" como "retardado mental em nível avançado". Sim, eu sei que "eu também sou pedestre", mas se qualquer dia desses alguém me atropelar fora da faixa, faço questão de pagar o concerto do carro da pessoa, pr'eu ver se paro de ser idiota.

Dobrei à direita, numa subida de quase 60º de inclinação, virei à esquerda e depois à direita de novo. Estava com pressa, do mesmo jeito que todo mundo, durante semana, está (e que durante fim de semana simplesmente evapora em pleno ar). No fim da rua, parei, de forma... ligeiramente... abrupta. Não por causa da faixa de pedestres, mas porque é uma rua de mão dupla, e o bom senso diz que é melhor olhar antes de entrar numa rua, mesmo se esta for, como aquela é, uma rua tranquila.

Para minha ligeira surpresa, ao olhar para a esquerda, procurando por algum outro carro, me deparo com uma garotinha, me olhando de forma meio assustada. Ela estava parada, na calçada, esperando para atravessar a rua. Eu era a única outra pessoa alí, num sábado, numa rua que mesmo durante semana tem pouco movimento, e estava correndo, como se fosse a coisa mais importante do mundo entregar a porra da chave para quem estava esperando.

Mas lá estava eu, com pressa, olhando impaciente para ver se nenhum carro estava vindo, e uma garota estava na calçada, olhando-me espantada por eu estar, provavelmente, "fazendo tudo aquilo". Era 8 da matina, num fim de semana, ela deveria estar dormindo, mas não estava. Ela devia ter ido buscar pão para a avó dela. Esta última frase foi minha imaginação falando, mas é um bairro meio antigo, residencial, e ela estava carregando um saco meio grande. Enfim, ela estava lá, bem de manhã, levando pão pro café da manhã da avó.

Imediatamente que a vi deixei o carro descer um pouco, uma vez que eu estava em cima da faixa de pedestres. Foi mais reflexo, costume, que uma ação filosófica e socialmente correta. Deixei o carro descer um pouco e fiz sinal para ela atravessar a rua. Ela abriu um sorriso e atravessou a rua no que eu só posso descrever como "na velocidade certa". Não, isso não é um "ela desesperadamento correu para o outro lado, com medo de ser atropelada", ela atravessou rápido, mas sem correr, talvez se preocupando em não deixar nada cair, talvez (e muito provavelmente) com um certo alívio.

Ela atravessou a rua, "sã e salva", e continuou seu caminho. Enquanto atravessava, com um sorriso no rosto, ela virou para mim e disse um comum "obrigada". É algo que, diariamente, milhões de pessoas fazem, mas lá estava eu, todo afobado por um motivo idiota, vendo uma garota atravessar a rua toda alegre e ainda agradecer a minha "gentileza", sendo que ela tinha motivos de sobra para reclamar comigo, e eu daria total razão à ela.

Foi isso: ela me olhou assustada, abriu um sorriso quando a deixei passar, me agradeceu, chegou ao outro lado e continuou normalmente. Dei, inconscientemente, uns segundos, olhei para ver se não estava vindo nemnhum carro e fiz a curva pra direita, no mesmo sentido em que ela continuava andando.

Minha mente doentia, assim que eu passava por ela, me fez pensar: "é isso aí que chama a atenção dos pedófilos". Ela devia ter entre uns 9 e 11 anos (mas que fique claro que sou horrível dando idade pras pessoas), meio loirinha, meio magrela... em outras palavras, ela era uma menina, "nem criança nem adolescente". Pois é, abominável pensar algo assim, mas o fiz de forma automática, quase que numa reflexão nirvanística sobre a vida, sem nenhum sentimento... apenas uma constatação. Tal pensamento durou uns 3 segundos. Só três segundos.

No instante seguinte eu estava abrindo um sorriso, ao me dar conta de que aquele acontecimento banal tinha "feito o meu dia". Não sei explicar decentemente, mas o jeito dela, a situação, toda aquela "cena", que na real durou apenas alguns segundos, me deixaram, de forma um tanto quanto simples e, talvez (mas só talvez), meio patética, feliz.

Eu nunca a tinha visto antes, eu estava completamente errado naquela situação, estava cansado por ter de parar o serviço, sair, voltar e continuar carregando presunto e queijo e estava irritado com o trânsito. Com um sorriso e uma palavra, aquela garota fez meu dia faler à pena. Aqueles segundos me deixaram mais feliz e satisfeito que as várias horas que dediquei às pizzas, lasanhas e canelones, ainda que "a caridade" seja algo mais "correto e altruísta" que deixar alguém atravessar a rua.

Bem, eu segui minha vida, levei a chave do carro e voltei ao corte de frios, e ela, suponho, seguiu a dela. Ao menos quando a "deixei", ela estava caminhando tranquila pela rua. Não sei o que se passou na cabeça dela após aquele acontecimento, nem nunca saberei. Aliás, não olhei para ela pelo retrovisor, simplesmente segui em frente, talvez ironicamente, no mesmo sentido em que ela ia. Provavelmente nunca mais nos veremos na vida e sinceramente, pra mim tudo bem. Só posso desejar à ela uma boa vida... "ela ainda é jovem, tem muita coisa pela frente".

Num balanço final, foi um bom dia. Foi cansativo, foi trabalhoso, mas a tarefa foi concluída: deve ter ido mais de 100 kg entre presunto e queijo. Então, mesmo que indiretamente, fiz uma "boa ação". Cheguei em casa, descansei, uma ou outra "briguinha" com a família, mas como diria Fernando Sabino, "no fim tudo dá certo".

Não foi um dia perfeito, não foi só facilidades e alegrias, e sinceramente acho que tenha sido bom que tenha sido como foi, com coisas boas e ruins. Creio que poucos dias da minha vida tenham valido tanto à pena ser vividos quanto este. Serviu para confirmar, de novo, algo que já sei: no fim, o que faz a diferença são as pequenas coisas, os pequenos momentos. É... brega e clichê, mas nem ligo.

Não faço questão de voltar a ver aquela garota nunca mais, e creio que seja algo mútuo, mas não há problema algum nisso. Ela ainda vai ver, aprender e viver muita coisa, e várias e várias dessas coisas não são boas. Talvez ela tenha sido atropelada no domingo, talvez seja, de fato, vítima de algum pedófilo... não sei, ela também não sabe. Torço, é claro, para que nada disso aconteça à ela... torço, sim, para que coisas ruins aconteçam em sua vida, é necessário... mas não, nenhuma dessas coisas.

Em segundos aquela garota fez meu dia ser incrível, e, consequentemente, minha vida ser incrível. Ninguém sabe o futuro (por alguns reais você pode tentar ver o seu futuro, mas né), e creio que nunca mais nos encontraremos, então só posso desejar à ela uma vida feliz, e que, algum dia, quando ela menos esperar, alguém faça por ela o mesmo que ela fez por mim, meio que sem querer, sem tomar consciência disso. Mas afirmo uma coisa sobre o futuro: se algum dia nos encontrarmos de novo, tudo que farei por ela é sorrir e dizer "obrigada".

See ya!
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Explicações

Um dia, muito tempo depois de Adão e Eva, mas ainda sim há muito, muito tempo atrás, Deus notou que as mulheres, como um todo, estavam infelizes. Deus, após muito meditar sobre o assunto, resolveu que colocaria todos seus poderes à prova, para criar algo que trouxesse a alegria para as mulheres.

Por um dia inteiro Deus pensou, e, finalmente teve uma ideia: Criaria o galã. Adão teve vida fácil, e os outros homens depois dele também: Haviam mulheres para todos, e estas ainda consideravam o homem uma novidade.

Por outro dia inteiro Deus trabalho, incansavelmente, e ao final deste dia, sua mais nova criação estava pronta: Edson Celulari. E Deus o colocou no mundo, junto das mulheres, para a felicidade destas e o ódio dos outros homens.

Por um tempo, tudo esteve bem, mas as mulheres se cansaram rapidamente de Celulari. Novamente Deus pôs-se a pensar, e quando teve uma nova ideia, trabalhou por uma semana inteira, sem parar. Ao fim do sétimo dia, Deus estava cansado mas feliz: Marcos Pasquim havia sido criado.

Ao contrário de Celulari, Pasquim era um exemplo de homem rústico: Alto, forte, peludo... Parrudo. E as mulheres ficaram felizes novamente. Mas assim como aconteceu com Celulari, as mulheres se cansaram de Pasquim. Demorou mais, é verdade, mas o fim foi o mesmo.

Deus estava inconsolável, e por uma semana meditou sobre seus erros e acertos sobre Celulari e Pasquim. Finalmente teve uma ideia, uma que iria funcionar definitivamente. Por um mês inteiro Deus trabalhou, no frio e no calor, de dia e de noite. Finalmente, no trigésimo primeiro dia, sua obra estava completa: Fábio Assunção.

Assunção, para Deus, era a mistura perfeita entre suas duas criações anteriores: Forte mas sensível, com pegada mas carinhoso. Deus estava certo: Assunção não só fez um grande sucesso entre as mulheres, como esse sucesso durou muito e Deus pôde, finalmente, descansar.

Mas Assunção ainda não era o galã perfeito, e mesmo depois de um descanso, Deus se viu novamente frente a frente com o mesmo dilema. Por um ano completo, Deus pensou. Por um ano Deus abdicou de tudo mais para se dedicar inteiramente ao seu galã. E se a meditação levou um ano, o trabalhou levou outro ano: 365 dias depois (Não foi ano bisexto) surgia Tarcísio Meira.

Tarcisão era o auge, eterno, perfeito. Um amante e um amigo, um ombro para chorar e um peitoral para abraçar. As mulheres mal se aguentaram de felicidade com tamanha demonstração de compaixão por parde de Deus. Tarcisão era um "deus terreno", pronto para o que desse e viesse. E a vida foi boa, por muitos e muitos anos. Deus estava feliz, as mulheres estavam felizes, e seus quatro galãs também: Ainda que Tarcísio fosse "a novidade", Celulari, Pasquim e Assunção tinham suas eternas fãs.

Deus foi pego de surpresa ao notar, muitos anos depois, que Tarcisão já não era o suficiente, e que a mulherada, uma vez mais, caia na tristeza da mesmice. Deus, já perturbado com seu constante fracasso, decidiu que tomaria decisões drásticas: Por 10 anos meditou, por outros 10 anos pensou e por mais 10 anos analisou suas possiblidades infinitas e finalmente teve a ideia que, julgava ele, seria a definitiva. E por 100 anos Deus trabalho. 100 anos de labuta, que finalmente revelaram ao mundo a extensão dos poderes divinos: Antônio Fagundes.

Fagundão, para as mulheres, era incrível: Não havia o que não soubesse e o que não conseguisse. Bastava uma palavra sua para que todas as mulheres, num raio de quilômetros, entrassem em êxtase. Deus estava satisfeito e as mulheres também. Deus, após Fagundão, descansou por 1000 anos: Sua criação beirava o perfeito, e se para as mulheres era o suficiente, para Deus era duas vezes suficiente.

E após os 1000 anos de descanço, vieram outros 1000 anos de pura alegria. Mas a alegria e o descanço acabaram. Fagundão acabara.

Deus estava colérico e, se antes passara tempos e tempos pensando, desta vez pegou logo suas ferramentas e sem planejamento algum pôs-se à trabalhar. Deus, com toda sua frustração e ira, trabalhou por nada mais nada menos de 10.000 anos, e ao fim deste tempo, surgia Tony Ramos.

Tony reinou absoluto na Terra, mas Deus, desta vez, ao invés de descansar, ficou observando tudo. Deus já sabia que Tony seria uma nova falha, mas ainda sim o fez, para poder, finalmente, compreender onde estava errando. E Deus acertou: Tony surgiu, cresceu e morreu, assim como os outros antes dele.

Deus, tendo agora milhares de anos em pesquisa, limpou sua mente, e por 1000000000 de anos, pensou, esquematizou, alterou, acertou, refez, rubricou e recauchutou. Mas ao invés de partir para o trabalho, Deus, ainda não se sentido pronto e confiante, resolveu descar por mais 1000000000 de anos.

E por mais de trezento e sessenta e cinco bilhões de anos Deus descansou. Faltando, finalmente, apenas um dia para seu descanço acabar, Deus, ainda sem confiança, resolveu tocar o foda-se. Deus, em seu último momento de descanço, relaxou e gozou.

Deus bateu uma e gozou, mas para não lambuzar tudo por alí, gozou na própria mão. Foi quando, lembrando-se de Adão, seu grande sucesso, ao lado de Eva, teve uma ideia. Deus aproximou a mão de sua boca e, num único e forte sopro, deu vida ao seu próprio esperma. Deus, quase sem saber, acabara de concluir seu plano: O galã perfeito.

As mulheres de todo o mundo caíram aos pés desta nova criação e finalmente Deus pôde ter paz. A alegria reinou no mundo todo. Os antigos galãs, ao lado do novo, eram soberanos na Terra. Os homens, vendo suas mulheres alegres, esqueceram  o ciúme e o ódio, e chamaram de "irmãos" aqueles que tinham rejeitado.

E foi assim, com trabalho árduo, inspiração e um pouco de sorte que Deus reafirmou-se na Terra e garantiu que homens e mulheres fossem eternamente felizes. Deus, de forma indiscutível, conseguiu o que sempre quisera: A alegria das mulheres, a paz no mundo e sua satisfação pessoal. Foi assim que Deus, o ser supremo, criou o galã supremo: Zé Mayer.
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