domingo, 31 de dezembro de 2017

Decepções

Meu deus, tem 367 dias desde o último post aqui: Isso significa que não teve nenhum post em 2017 (até agora), o que levaria à um ano inteiro sem textos neste blog desde sua criação. Claro, a média dos últimos anos é pífia, mas isto continua aqui.

Ano passado (já tem um ano!) falei do meu computador... estranho como as coisas mudam, mas não vou repetir o assunto; vou falar de um mais importante: Memória. A falta de memória.

Ou, mais especificamente, a minha falta de memória. Eu nunca tive uma memória muito boa pro que não me interessa (eis, inclusive, o motivo e a consequência) mas já há uns anos notei que tenho uma memória muito ruim de uma coisa importantíssima: Minha própria vida. Não lembro de viagens que fiz, de acontecimentos engraçados, piadas, brincadeiras... Não só esqueço coisas boas, mas ruins também. Em teoria esquecer as coisas é algo natural e que se intensifica com a idade, mas isso não tem nada a ver ainda: Não lembro de coisas que qualquer outra pessoa lembraria; não lembro de coisas que minha família e amigos lembram que passamos juntos, ou ainda pior, coisas que aconteceram diretamente comigo.

É uma falta de arquivo. Um fato sem importância que foi deixado de lado porque, no fim das contas, não importa pra mim... Ainda sim, ao menos parte delas são coisas que gostaria de lembrar. São coisas que, enquanto aconteciam, tenho absoluta certeza que as lembraria para o resto da vida. Exceto que a previsão falhou: Detalhes se perdem e se confundem, lacunas se formam, horas e horas e horas de vida que eu nunca mais vou poder realmente relembrar, mesmo que não tenham sido acontecimentos pífios em suas épocas, muito pelo contrário.

Já passei muito tempo da vida sem dormir (literalmente) relembrando bobagens que fiz... Suponho que até certo ponto todo mundo faça isso. Mas, há alguns anos, isso parou. Foi, muito provavelmente à favor de uma escolha que fiz, um posicionamento de vida que, aparentemente, meu cérebro levou muito à sério: Só dá pra viver o presente e pensar no futuro se o passado ficar no passado. Infelizmente também é verdade aquele outro ditado que diz que quem não conhece o passado está fadado à repeti-lo. Acho que o problema se torna claro entre estas duas últimas sentenças.

Das coisas que eu lembro, não há dúvidas, fica o reconhecimento de quanta coisa mudou, de quanto mudou, e que ainda sim há várias que continuam praticamente as mesmas. Isso não é uma realização súbita: Sei disso tudo, sabia antes mesmo de realmente compreender o que significava, então, talvez, a grande diferença seja a falta de documentação.

Não, eu não vou voltar com este blog ou criar um novo. Só quero dizer a falta de documentação cerebral.

Sei, já há um tempo, que não serei capaz de fazer como minha avó faz e relembrar fatos sobre a família: Nome de bisavós e tataravós, quem casou com quem, quem ia em que riacho quando era criança, que tio que gostava de pescar e que tio tinha sítio... Nunca me liguei nisso, é verdade, mas não é o conteúdo, é o fato de que história (ainda que não história da humanidade, só da minha) será perdida, e parte da culpa será minha... "um dia vou contar isso pros meus netos" já foi um objetivo, já foi um sentimento real, não mais. E sei que, se um dia esses netos realmente existirem, isso será uma perda para eles.

É bizarríssima a realização de que você está falhando com quem sequer existe.

É parecida com a sensação de ler algo que eu mesmo escrevi e já não sei mais do que eu estava falando, não porque está mal escrito, mas porque eu simplesmente não lembro do que estava falando. Simplesmente não lembro do que estava acontecendo na minha vida naquele momento. Simplesmente não lembro de algo que, ao menos em teoria, poderia me ajudar no futuro. Eu não sei se estou bem com isso, só estou constatando fatos.

Talvez a chave da questão toda esteja lá em cima no texto: Importância. Talvez eu não considere minha vida importante o suficiente para ser relembrada... Isso daria um baita dum dinheiro prum psicólogo. Seja como for, o remédio é um só: Escrevo este texto sem nenhuma mensagem subliminar, sem nenhum sentimento não desenvolvido. Estas palavras são reais e totais, tais quais as próximas:

2017 foi pior que 2016. Em 2016 gente morreu e isso é normal; em 2017 gente foi estuprada, gente teve que recorrer à qualquer forma de ganhar dinheiro e gente teve que lutar pra ficar numa situação minimamente decente por conta de sua cor de pele, sexualidade, gênero... Nada disso é novidade, mas em 2017 foi assunto. Foi pauta.

2017 foi o ano em que eu (acho) que achei o que quero da minha vida, e isso significou abrir mão do que eu pensei e ainda penso sobre a minha própria vida e a nossa sociedade: Alguns planos requerem sacrifícios; eu tenho um plano e estou bem com ele.

Com que eu não estou bem foi em ter falhado com uma promessa feita à mim mesmo, exatamente um ano atrás: Passar a virada do ano de jeito diferente. Eu poderia ter feito muito mais, não fiz, e estou mal com isso: Tenho que aprender em 2018.

Falando em 2018, Feliz Ano Novo, e, como sempre,

See ya!
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